Opinión - Bloomberg

Sob pressão, Trump tem opções limitadas para reduzir os preços da gasolina

A Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA caiu consideravelmente, agora com cerca de 308 milhões de barris, e os estoques comerciais também estão em seu mínimo em oito anos; a guerra no Irã e as restrições da Rússia nas exportações de combustível complicam ainda mais o cenário

Gasolina
Tempo de leitura: 6 minutos

Bloomberg Opinion — Embora eu não confie necessariamente na rede social Truth Social para obter fatos, ela ocasionalmente serve como um barômetro das ansiedades do presidente Donald Trump. Na segunda-feira (3), o foco recaiu sobre os preços na bomba: “Reduzam os preços do petróleo para o consumidor (varejo!), AGORA!”

Trump se dirigia a Mike Wirth, CEO da Chevron (CVX), que divulgou lucros recordes no segundo trimestre na sexta-feira (31). Na visão do presidente, a Chevron deveria oferecer uma contrapartida por todo o seu apoio e ajudar a reduzir os preços médios da gasolina, que voltaram a ficar acima de US$ 4 por galão à medida que a guerra com o Irã se arrasta.

Provavelmente não ajudou o fato de que tanto Wirth quanto Darren Woods, CEO da ExxonMobil (XOM) — que também divulgou lucros exorbitantes — tenham afirmado abertamente que esperam que os preços dos combustíveis permaneçam elevados. Mais tarde na segunda-feira, em comentários feitos na Casa Branca, Trump disse que as empresas estão ganhando “dinheiro demais”.


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É melhor elas torcerem para que um Trump encurralado, de olho nas eleições de meio de mandato que se aproximam, não recorra a medidas de emergência que afetariam imediatamente os lucros das grandes petrolíferas.

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As duas opções óbvias de Trump para amenizar os preços consistem em garantir uma paz duradoura com o Irã, que desobstrua o gargalo petrolífero do Estreito de Ormuz, ou liberar mais reservas estratégicas de petróleo.

A primeira opção tem se mostrado mais desafiadora do que a Casa Branca esperava. Trump e seu secretário de Defesa costumam se gabar de que as forças americanas na região estão “prontas para a ação”, mas a mesma expressão se aplica aos petroleiros no Estreito de Ormuz.

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A Reserva Estratégica de Petróleo (SPR, na sigla em inglês), por sua vez, já caiu um quarto desde o início das hostilidades, atingindo seu nível mais baixo em mais de 40 anos. Com cerca de 308 milhões de barris, a SPR equivale agora a aproximadamente duas semanas de demanda por petróleo dos EUA.

Na prática, o fluxo de abastecimento da SPR pode começar a diminuir assim que o estoque ficar abaixo de 300 milhões. Os estoques comerciais de petróleo bruto também estão em baixa, agora em seu nível mais baixo em oito anos.

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O petróleo bruto não é o único problema. A guerra no Irã também interrompeu o fluxo de produtos refinados na região, incluindo combustíveis como gasolina e diesel. Isso coincide com a proibição da Rússia de exportar combustíveis para lidar com os ataques ucranianos cada vez mais intensos às suas refinarias.

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Enquanto isso, embora o recurso da China à redução de seus próprios estoques de petróleo tenha ajudado a conter os preços do petróleo bruto, o país também impôs restrições às exportações de combustíveis, embora essas tenham sido um pouco flexibilizadas recentemente.

Globalmente, hoje as refinarias processam 6,5 milhões de barris por dia a menos do que há um ano, segundo analistas do Goldman Sachs (GS), uma queda de cerca de 8% e equivalente à demanda combinada de três grandes economias: Alemanha, Japão e França.

Os lucros extraordinários da Chevron e da Exxon no segundo trimestre se devem grande parte à refinação. Embora os futuros do petróleo bruto estejam atualmente em alta de cerca de US$ 17 por barril desde o início da guerra, os “cracks” de referência 3:2:1 — um indicador da margem bruta que as refinarias obtêm ao transformar petróleo bruto em uma mistura de gasolina e diesel — registraram alta ainda maior, de cerca de US$ 26.

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Uma indústria petrolífera americana mais disciplinada não adotou a política drill, baby, drill (“perfurar, perfurar, perfurar”, em tradução livre) em meio às interrupções causadas pela guerra, mas respondeu com entusiasmo aos mercados globais restritos: as exportações líquidas de petróleo dos EUA mais que dobraram em relação ao ano anterior.

Consequentemente, os estoques comerciais de gasolina estão abaixo da faixa típica dos últimos cinco anos — e estoques baixos se traduzem em preços mais altos.

Essa relação entre exportações, estoques e preços nas bombas é um potencial ponto de atrito entre Trump e as grandes petrolíferas.

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Trump enfrenta a possibilidade de os eleitores se depararem com placas de US$ 4 por galãso nos postos de gasolina ao dirigirem para as urnas, o que não aconteceu nem mesmo durante o governo do ex-presidente Joe Biden, na alta dos preços de 2022.

O fato de Trump ter se comprometido com uma promessa ilusória de gasolina a US$ 2 não ajuda em nada. Ao analisar os dados recentes das pesquisas, ele pode sentir pelo menos um pouco de pânico.

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O que Trump não tem nessa situação, acima de tudo, é justamente aquilo que ele sempre afirma ter: autonomia.

Desabafar na internet pode dar uma sensação momentânea de poder, mas não dá para sair de uma guerra apenas postando nas redes sociais.

Para aparente surpresa de Trump, o Irã se recusa a aceitar a lógica militar da força avassaladora dos EUA. As reservas estratégicas de petróleo (SPR) estão bastante reduzidas, e as empresas petrolíferas priorizam os lucros, não a linha partidária.

Uma alavanca que ainda resta a Trump são as restrições de emergência às exportações de combustível. Elas poderiam ser implementadas em uma situação de guerra, com base nas disposições da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, segundo Kevin Book, da ClearView Energy Partners, uma empresa de análise de Washington, DC.

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Tal medida redirecionaria imediatamente os barris destinados ao exterior de volta aos estoques, suprimindo assim os preços. Seria uma medida extraordinariamente agressiva, que provocaria a ira de doadores ligados ao setor petrolífero e, em última instância, prejudicaria a produção e o refino domésticos, de forma semelhante ao efeito dos controles de preços.

Questionado em maio sobre restrições às exportações de combustível, Trump disse aos repórteres: “Não preciso delas”.

Se isso ainda é válido três meses antes da eleição, em novembro, ninguém sabe ao certo. A predileção de Trump por medidas drásticas é exemplificada pela própria guerra, e ele não seria o primeiro político a buscar uma solução de curto prazo.

Autoridades da Casa Branca afirmaram em abril que não estavam considerando uma proibição de exportação “neste momento” — uma “qualificação importante”, diz Book.

Desde então, o presidente, assim como membros de seu gabinete, têm pedido várias vezes a redução dos preços nas bombas, sendo a publicação de segunda-feira na Truth Social a mais recente.

O risco para uma indústria petrolífera acostumada a enfrentar acusações de especulação de preços é que um presidente acostumado a fazer o que bem entende recorra a uma de suas últimas opções para garantir isso.

Esta coluna reflete as opiniões pessoais do autor e não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

Liam Denning é colunista da Bloomberg Opinion e cobre energia. Ex-banqueiro, ele editou a coluna “Heard on the Street” do Wall Street Journal e escreveu a coluna “Lex” do Financial Times.

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