Exclusividade catalã: importadora foca em impulsionar vinho espanhol de luxo no Brasil

Com pequenos lotes de rótulos do Priorato e de Penedés, que podem passar de R$ 1.000, a importadora Tanyno reforça uma aposta em bebidas de pequenos produtores que se diferenciem do mercado geral

Exclusividade catalã: importadora foca em impulsionar vinho espanhol de luxo no Brasil
Por Daniel Buarque

Bloomberg Línea — Um lote com 600 garrafas de vinho pode nem parecer tanto para colecionadores mais empolgados com a bebida. Mas é o símbolo da exclusividade de rótulos da Espanha que chegam agora ao Brasil com foco em projetar mais fortemente os vinhos de luxo do país.

Com a chegada dessas seis centenas de garrafas da vinícola Clos de l’Obac, do Priorato, e outro pacote parecido com rótulos da Bodegas Mestres, de Penedés, a importadora Tanyno tenta reforçar a presença de vinhos premium da Catalunha no Brasil.

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“Construímos um portfólio voltado para pequenos produtores de bebidas que nos parecem especiais, que fujam do comum. Mesmo com poucas garrafas, queremos ampliar o conhecimento sobre os vinhos desta região”, explicou Guillaume Verger, fundador da importadora, durante evento em São Paulo.


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A presença dos produtores em masterclasses sobre seus vinhos no Rio e em São Paulo ajuda a ilustrar duas narrativas complementares dentro da Catalunha, bem como a busca pela exclusividade. De um lado, o Priorato, região montanhosa a cerca de 150 quilômetros de Barcelona, que se consolidou como um dos grandes polos de vinhos tintos da Espanha. De outro, Sant Sadurní d’Anoia, no Penedès, reconhecida como uma capital do Cava e símbolo dos espumantes espanhóis.

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A Clos de l’Obac trabalha de perto essa ideia de produção limitada de rótulos que buscam valorização internacional. São apenas 50 mil garrafas por ano, com distribuição de pequenos lotes por 35 países.

“A graça do vinho é a pequena produção. Não fazemos vinhos para terem notas altas, mas para serem excepcionais e exclusivos”, disse Guillem Pastrana, responsável pela vinícola, em entrevista à Bloomberg Línea.

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Embora a viticultura na região tenha raízes históricas, foi a partir do final do século 20 que produtores como a Clos de l’Obac passaram a liderar um movimento de renovação, elevando o padrão de qualidade e projetando a região no cenário internacional. Fundada por Carles Pastrana, a vinícola se tornou um dos ícones desse renascimento.

Segundo Pastrana, essa pequena produção fez com que sua família demorasse a ter retorno financeiro no projeto. “Pelos primeiros dez anos, não ganhamos dinheiro com nosso vinho. Mas agora há reconhecimento, e o preço mais alto faz com que tenhamos um retorno”, disse. Além da vinícola, sua família tem um hotel na região espanhola.

Os vinhos da Clos de l’Obac chegam ao Brasil com preços entre R$ 420 e R$ 1.200, segundo a Tanyno.

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São valores parecidos com os dos espumantes da Bodegas Mestres, que chegam pela primeira vez ao Brasil também com lotes de poucas centenas de garrafas.

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“Nossa produção total oscila entre 120 mil e 140 mil garrafas por ano. Os vinhos são vendidos especialmente na Espanha, e apenas 30% da produção é exportada para 30 países, sempre com foco em gastronomia e harmonização em restaurantes estrelados”, disse David Aura, diretor da vinícola.

A Mestres mantém o foco em bebidas de alta complexidade ao estilo de grandes Champagnes. Muito antes de o estilo ganhar popularidade, a casa foi pioneira na produção de espumantes de estilo brut nature, mais secos. Também se destacou por apostar em longos períodos de envelhecimento sobre as borras, prática hoje associada à produção de cavas de alta qualidade.

No momento em que produtores europeus intensificam sua aproximação com o mercado brasileiro para compensar a queda global do consumo da bebida, a aposta em vinhos premium da Catalunha reforça o foco em rótulos de preços mais altos.

Daniel Buarque

Daniel Buarque

Editor-assistente