‘Quem é Messi?’ Desinteresse persiste nos EUA apesar de país sediar Copa, diz pesquisa

Mais da metade dos americanos diz que não pretende assistir aos jogos do Mundial, enquanto quase 40% afirmam não ter ouvido nada sobre o torneio; entre os baby boomers, maioria diz que nunca ouviu falar de Lionel Messi, segundo pesquisa da Morning Consult encomendada pela Bloomberg

Três quartos dos baby boomers que participaram da pesquisa disseram que nunca ouviram falar o jogador argentino
Por Matt Townsend

Bloomberg — A Copa do Mundo é frequentemente chamada de o maior evento do planeta. Mas esse não é o caso nos EUA, mesmo com os Estados Unidos sediando jogos pela primeira vez em três décadas.

Em uma pesquisa recente, mais da metade dos adultos norte-americanos disseram que é improvável que assistam a qualquer um dos 104 jogos do torneio na TV em casa.

PUBLICIDADE

Apenas 13% disseram ter certeza absoluta de que assistirão, de acordo com uma pesquisa da Morning Consult realizada no final de maio para a Bloomberg.

As opiniões sobre o torneio variam muito de acordo com a idade.

 Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

PUBLICIDADE

A Geração Z, cujos membros mais velhos estão na faixa dos 20 anos, demonstrou o maior entusiasmo.

Enquanto isso, os Baby Boomers, agora na faixa dos 60 e 70 anos, demonstraram menos entusiasmo, pois 3/4 disseram que não eram fãs de futebol e cerca de metade nunca tinha ouvido falar do astro argentino Lionel Messi.

(Fonte: Morning Consult)

Um dos problemas parece ser o fato de muitos americanos não terem ouvido falar muito sobre a Copa do Mundo, que está sendo co-organizada pelos EUA, México e Canadá e começa na quinta-feira.

PUBLICIDADE

Apenas um quarto dos entrevistados disse ter aprendido um pouco ou mais sobre o torneio, enquanto quase 40% disseram que não ouviram nada.

Muito do que os americanos mais ouviram sobre a Copa do Mundo foi negativo, de acordo com a pesquisa com cerca de 2.000 pessoas.

Leia também: Copa do calor: torneio de futebol mostra como o clima extremo virou desafio ao esporte

PUBLICIDADE

No topo da lista, cerca de 30% disseram estar cientes dos altos preços dos ingressos. A reação contra esses custos e a forma como os ingressos foram distribuídos incluiu investigações estaduais e quase 70 membros do Congresso dos EUA pedindo que os preços fossem reduzidos.

A FIFA, organizadora do torneio, que deu ao presidente dos EUA, Donald Trump, seu primeiro prêmio da paz, foi citada em segundo lugar. Essa medida foi fortemente contestada por 31% dos entrevistados, em comparação com 16% que a aprovaram fortemente.

(Fonte: Morning Consult)

Grandes marcas, desde o McDonald’s até a Verizon, apostaram milhões em publicidade, tanto como parceiros oficiais da FIFA quanto durante as partidas, que serão exibidas pela Fox e pela Telemundo da Comcast nos EUA.

De acordo com a pesquisa, os entrevistados relacionaram a Cola-Cola com mais frequência ao marketing da Copa do Mundo. A marca de refrigerante começou a anunciar no torneio em 1950 e é patrocinadora oficial mais uma vez.

Leia também: Efeito Copa do Mundo: torneio deve conter volatilidade dos títulos, segundo o Citi

A Nike ficou em segundo lugar no nível de conscientização corporativa. A fabricante de tênis não é uma parceira oficial da FIFA, mas tem acordos com várias seleções importantes, como França, Inglaterra e Estados Unidos.

A Adidas ficou alguns pontos percentuais atrás de sua rival, apesar de ser uma parceira de longa data da Copa do Mundo, inclusive sendo a fornecedora da bola oficial do torneio.

(Fonte: Morning Consult)

Antes do início do torneio, houve alguns sinais de que a demanda não era a esperada. Uma companhia aérea argentina reduziu os voos voltados especificamente para os viajantes da Copa do Mundo e os anfitriões do Airbnb em uma cidade-sede ficaram desapontados com a falta de interesse em seus anúncios.

No início de junho, a cadeia de hambúrgueres Shake Shack, que não é patrocinadora oficial do torneio, reduziu sua perspectiva de vendas trimestrais comparáveis para eliminar qualquer impacto positivo da Copa do Mundo.

(Fonte: Morning Consult)

“Estamos vendo alguns números de turistas que diminuíram nas últimas três ou quatro semanas, especialmente em algumas das grandes cidades em que estamos”, disse o CEO Rob Lynch em uma conferência com investidores em 4 de junho.

A empresa havia previsto anteriormente que o torneio aumentaria o tráfego em suas localidades.

De acordo com a pesquisa, quase 60% dos entrevistados disseram que suas famílias não gastariam dinheiro com a Copa do Mundo, incluindo ingressos, assistir fora de casa e mercadorias.

--Com a ajuda de Daniela Sirtori.

Veja mais em bloomberg.com

Leia também

Funcionários de estádio da Copa nos EUA aprovam greve dias antes do início do torneio