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Lula teve 10 milhões de votos a mais no 2º turno e reduziu vantagem de Flávio em 13 estados e no DF

Candidato do PL ampliou sua votação em 21 dos 27 estados e só perdeu votos em seis do Norte e do Nordeste, que somam 52,7 mil; a fatia de Flávio nos votos válidos recuou apenas no Nordeste, onde o petista acrescentou 2,95 milhões de votos

Lula Bloomberg
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Bloomberg Línea — Em Minas Gerais, Flávio Bolsonaro (PL) venceu o primeiro turno por 589 mil votos, com 48,24% contra 43,33% de Lula (PT), e três semanas depois perdeu o estado por cerca de 100 mil (49,57% a 50,43%), embora tenha somado 456 mil votos no intervalo. Lula acrescentou 1,14 milhão.

A virada no segundo maior colégio eleitoral do país é a única mudança de lado entre os 27 estados, segundo os dados do TSE, e sintetiza o padrão do segundo turno: o candidato do PL manteve ou ampliou a sua base quase em todos os estados, mas o petista cresceu muito mais.

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Somados os 27 estados, sem o voto no exterior, Lula passou de 53,72 milhões para mais de 64,2 milhões de votos, um acréscimo de cerca de 19%. Flávio foi de 55,96 milhões para 59,8 milhões, em torno de 7%. No primeiro turno, o senador liderava com 56.104.268 votos, 47,03% dos válidos, contra 53.876.617 (45,16%) do presidente.

O candidato do PL aumentou a sua votação em 21 dos 27 estados e perdeu votos apenas no Acre, em Roraima, no Maranhão, no Tocantins, no Amazonas e no Amapá, pouco mais de 50 mil no total.

Redutos do PL

Lula venceu em 13 estados e Flávio, em 14, e em todos os 14 a vantagem do senador diminuiu. Em São Paulo, o candidato foi de 12,92 milhões para 14,14 milhões de votos, mas Lula passou de 9,51 milhões para 12,12 milhões, e a distância caiu de 3,42 milhões para 2,02 milhões de votos, ou de 13,7 para 7,7 pontos percentuais dos votos válidos.

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A maior redução ocorreu no Rio de Janeiro, de 13,6 para 6,2 pontos, com Flávio praticamente estável em percentual (53,01% e 53,10%) e Lula adicionando 872 mil votos contra 202 mil do adversário.

Nesses 14 estados, Flávio somou 2,81 milhões de votos entre os turnos e Lula, 5,84 milhões. Como o petista cresceu mais, a vantagem acumulada do senador encolheu em 3,03 milhões de votos. Em pontos percentuais dos votos válidos, a distância entre os dois caiu mais no Rio de Janeiro (7,4) e em São Paulo (6,0) e menos em Rondônia (2,3), no Acre (2,7) e em Santa Catarina (2,8); nos demais estados, a queda ficou entre 3,2 e 4,7 pontos.

Goiás concentrou os maiores saltos percentuais dos dois lados: Flávio foi de 53,60% para 59,66%, e Lula, de 31,06% para 40,34%, num estado em que o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com 12,33% dos votos, uma fatia que se redistribuiu entre os dois finalistas.

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Santa Catarina, por sua vez, manteve o maior distanciamento a favor do PL (69,42% a 30,58%), e Roraima, o maior percentual de Flávio no país (72,46%). O Tocantins ficou como a vitória mais apertada do senador: 51,37% a 48,63%, uma vantagem de 25 mil votos, depois de 65 mil no primeiro turno.

Nordeste

O recuo de Flávio na participação dos votos válidos só aparece no Nordeste, região em que Lula já era dominante. Em sete dos nove estados, o percentual do candidato do PL caiu entre os turnos, de 1,22 ponto em Alagoas a 0,16 ponto em Sergipe, enquanto Bahia e Piauí ficaram praticamente estáveis, com altas de 0,16 e 0,03 ponto. A queda, porém, não indica perda de eleitores.

Somados os nove estados, o senador teve 397 mil votos a mais que no primeiro turno e só perdeu votos no Maranhão (9.383). O percentual recuou porque o total de votos válidos cresceu mais do que a votação dele, puxado pelos 2,95 milhões de votos adicionais de Lula.

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Lula acrescentou cerca de 3 milhões de votos no Nordeste e ampliou a vantagem regional em 2,56 milhões. O maior salto em pontos percentuais ocorreu em Alagoas, de 14,3 para 21,5 pontos, seguida por Sergipe (+6,94), Paraíba (+6,68) e Rio Grande do Norte (+6,46).

A Bahia deu o maior ganho em votos, 820 mil, com a vantagem passando de 3,22 milhões para 3,88 milhões. No Piauí, o petista chegou a 75,88% dos votos válidos, o maior percentual do levantamento.

Norte

No Pará, onde Lula tinha vantagem de 263 mil votos (49,91% a 44,50%), a distância chegou a 490 mil (55,01% a 44,99%), com 263 mil votos adicionais para o presidente e 36 mil para o senador. No Amazonas, a vantagem subiu de 70 mil para 170 mil votos, e no Amapá, onde o primeiro turno havia sido decidido por 225 votos, chegou a 24 mil.

Nos dois, Flávio perdeu votos em termos absolutos, mas ganhou em percentual, de 45,00% para 45,98% no Amazonas e de 45,67% para 47,12% no Amapá.

Nos estados nortistas em que o PL venceu, Rondônia, Roraima, Acre e Tocantins, o padrão foi de estabilidade do senador, com leve perda de votos nos três últimos, e avanço de Lula entre 4,5 e 5,2 pontos percentuais nos votos válidos.

O resultado indica uma redistribuição de votos mais do que uma perda de apoio ao candidato do PL. Onde ele era forte, seguiu forte, e onde era minoria, o petista avançou de modo mais intenso, absorvendo a maior parte dos votos antes pulverizados entre os demais candidatos do primeiro turno.