Bloomberg — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve escolher o próximo ministro da Fazenda entre nomes de seu círculo de confiança, enquanto busca melhorar a relação com investidores sem abrir mão da orientação de esquerda de seu governo.
Entre os cotados para comandar a economia estão o governador do Piauí, Rafael Fonteles, nome em ascensão no PT e reconhecido pela disciplina fiscal; o vice-presidente Geraldo Alckmin, de centro, e com relações de longa data com o empresariado; o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, que mantém diálogo frequente com investidores; e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, especialista em Orçamento e próximo de Lula, segundo pessoas a par das discussões ouvidas pela Bloomberg News.
Lula ainda não sinalizou sua preferência para a Fazenda no quarto mandato, e outros nomes podem surgir, disseram as pessoas, que pediram anonimato para discutir conversas internas.
O escolhido, porém, precisará ter força política suficiente para implementar a agenda do presidente e capacidade de construir credibilidade junto ao mercado financeiro, em meio às preocupações com a trajetória fiscal do país.
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A articulação em torno do próximo ministro já começou. Assessores presidenciais procuraram empresários para discutir e avaliar alternativas, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
Um executivo envolvido nas conversas disse que o perfil ideal seria o de alguém ligado ao PT, mas sem ser um nome excessivamente identificado com a ala mais à esquerda do partido. Em outras palavras, alguém capaz de transitar entre Lula e o mercado.
A decisão será um dos primeiros e mais importantes sinais de como Lula pretende conciliar a manutenção das políticas sociais que contribuíram para sua reeleição com as pressões por ajuste fiscal.
O déficit nominal do Brasil está próximo de 10% do PIB, enquanto a dívida pública atingiu nível recorde. Investidores cobram um esforço maior para conter o endividamento depois que Lula ampliou gastos durante a campanha com medidas que incluíram subsídios aos combustíveis e ao crédito.
Lula, no entanto, tem demonstrado pouca disposição para promover um ajuste fiscal mais intenso defendido pelo mercado. Os planos discutidos com seus assessores preveem uma correção gradual, que levaria o superávit primário — que exclui o pagamento de juros — a 1,5% do PIB até o fim do seu quarto mandato.
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A estratégia deixa de fora algumas das principais demandas dos investidores, como o fim dos aumentos reais do salário mínimo e um limite bem menor para o crescimento dos gastos públicos.
Veja abaixo alguns dos nomes considerados para comandar a economia:
Rafael Fonteles
Rafael Fonteles, 41, ganhou influência na campanha de Lula durante o segundo turno e é visto como um dos políticos de maior ascensão dentro do PT.
Ex-secretário estadual da Fazenda, popular e reconhecido pela disciplina fiscal, Fonteles é considerado por alguns aliados de Lula uma opção capaz de aproximá-lo do mercado financeiro. Alinhado politicamente a Lula, poderia conduzir uma estratégia de preservação dos programas sociais combinada a uma melhora gradual das contas públicas.
Pessoas próximas a Fonteles também o veem como um potencial candidato à Presidência em 2030.
Essa perspectiva, porém, é também um dos principais obstáculos para levá-lo agora a Brasília. Fonteles teria de deixar o governo do Piauí no início de um novo mandato, logo após uma expressiva vitória à reeleição no primeiro turno, uma decisão que poderia ser impopular no estado.
Integrantes do governo já questionaram o que ele teria a ganhar politicamente ao deixar o Piauí para assumir um dos cargos mais difíceis da administração Lula.
A mudança também deixaria Fonteles sem uma alternativa política óbvia caso sua passagem pelo Ministério da Fazenda não fosse bem-sucedida.
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Geraldo Alckmin
O vice-presidente Geraldo Alckmin, 73, representaria uma opção segura e bem recebida pelo mercado, além de ser amplamente conhecido do empresariado.
Ex-governador de São Paulo, Alckmin foi adversário de Lula por anos antes de se tornar seu vice em 2022. A aliança simbolizou a ampla coalizão formada naquele ano, com o ex-tucano contribuindo para aproximar algumas propostas de posições políticas e econômicas mais moderadas.
Caso Lula escolha Alckmin, seria a primeira vez que colocaria alguém de fora do PT no comando do Ministério da Fazenda. Isso também poderia gerar resistência dentro do partido, especialmente se o vice-presidente adotasse uma agenda econômica mais próxima das demandas do mercado.
Pessoas a par das discussões ouvidas pela Bloomberg News citam as dificuldades enfrentadas pelo ex-ministro Fernando Haddad, que, apesar de sua longa trajetória no PT, sofreu críticas internas ao tentar melhorar as contas públicas. Na avaliação dessas pessoas, um ministério comandado por Alckmin poderia enfrentar tensões ainda maiores por causa de sua jornada política fora do campo de Lula.
Alckmin também comandou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio no terceiro mandato de Lula. Ele está disposto a assumir a função que o presidente escolher e vê com bons olhos a possibilidade de comandar a Fazenda, segundo pessoas familiarizadas com as conversas.
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Dario Durigan
Manter o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, 42, no cargo é uma opção que vem ganhando força.
Durigan assumiu o ministério em março, depois que Lula pediu a Haddad que disputasse o governo de São Paulo. Aliado próximo de Haddad, inicialmente buscou dar sequência à gestão da Fazenda e desde então se tornou um dos principais porta-vozes de Lula para a política econômica.
Durante a campanha, Durigan se alinhou ainda mais ao presidente e apoiou a adoção de série de medidas de estímulo antes da votação.
Após reunião realizada na quinta-feira (5) entre Lula e uma dúzia de economistas, Durigan despontou como o interlocutor que fará a comunicação das novas propostas do governo.
Sua permanência garantiria continuidade em um momento particularmente sensível. Alguns empresários, porém, questionam se Durigan tem força política suficiente para a próxima fase do governo.
Um empresário familiarizado com as discussões o descreveu como o mais inclinado a seguir as preferências de Lula. Ele pediu anonimato para discutir avaliações políticas e econômicas privadas.
Bruno Moretti
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, 46, representa a opção mais próxima da própria visão de Lula para a política econômica.
Moretti tem desempenhado papel central nas discussões fiscais. Antes de assumir o Planejamento, trabalhou na Casa Civil e participou da junta orçamentária.
Sua atuação sobre os gastos públicos também lhe rendeu elogios de Lula. Há poucos meses, o presidente chamou Moretti de “mágico” do Orçamento, capaz de encontrar recursos quando o governo precisa.
Moretti daria a Lula um ministro com profundo conhecimento sobre o funcionamento do Orçamento federal num momento em que o governo avalia formas de ampliar a margem para administrar os gastos sem recorrer a cortes mais profundos. No entanto, justamente essa experiência em finanças públicas e questões orçamentárias pode levar Lula a preferir mantê-lo como ministro do Planejamento.
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