Bloomberg — O IPCA-15 de julho abaixo de todas as expectativas cravou a aposta na continuidade do ciclo de cortes pelo Banco Central na semana que vem.
A composição do indicador, lida como benigna pelos analistas de mercado, apresentou desaceleração dos núcleos da inflação, dissipação do choque do petróleo e redução da pressão sobre os alimentos.
Os grupos de serviços e de bens também tiveram alívio, sugerindo perda do efeito do impulso fiscal nos preços. O risco à frente fica centrado no El Niño.
Como reflexo do indicador, os juros futuros cedem de maneira generalizada nesta terça-feira e a curva amplia a aposta de redução da Selic em 0,25 ponto percentual, para 14%, no próximo Copom.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
Veja o que dizem os analistas:
Basiliki Litvac, economista da XP
- “É um bom número, que deve dar respaldo para que o Banco Central siga promovendo redução da taxa Selic na reunião de agosto”
- “Foi uma leitura bastante favorável do indicador, com desacelerações, algumas esperadas e outras mais intensas que o previsto, sobretudo na parte de serviços”
Bradesco, em relatório assinado por Fernando Honorato
- “O resultado ajuda a compor um quadro mais benigno para a inflação”, com dissipação do choque do petróleo e de pressões pontuais sobre alimentos
- A desaceleração dos núcleos indica que o efeito de segunda ordem do petróleo não está sendo verificado
- “Apesar disso, com efeitos do El Niño começando a afetar os dados no segundo semestre, a inflação cheia deve seguir próxima do limite superior do intervalo da meta”
Leia também: IPCA-15 desacelera além do esperado em julho e reforça expectativa de corte da Selic
Victória Jorge, economista do Opportunity
- “É um número que dá bastante conforto para o BC e que provavelmente ajude as projeções de inflação do mercado para esse ano a voltarem para baixo de 5%”
- “O principal ponto do número é alimentação no domicílio começando a devolver a alta dos meses anteriores”
- “A abertura é muito boa, a dinâmica de bens continua bastante benigna, e, da mesma forma, o grupo de serviços segue bem comportado”
- Opportunity prevê corte de 0,25pp nas próximas duas reuniões do Copom
Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos
- “O dado de hoje reforça a nossa visão de corte de juros pelo Copom na reunião da próxima semana do BC”
- “A leitura trouxe uma melhora qualitativa generalizada e expressiva”
Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter
- Dado “valida o corte na próxima reunião na semana que vem”
- “Mais uma surpresa positiva na inflação, não só uma leitura bem abaixo do esperado mas com qualitativo bastante benigno”
- “O impacto do impulso fiscal já está perdendo força e a desaceleração da inflação de serviços é significativa”
Marianna Costa, economista-chefe da Corretora Mirae Asset
- “O dado expressivamente mais fraco do que o esperado reforça a probabilidade de um corte de 25bps na taxa Selic na reunião de agosto do Copom. No entanto, o fechamento dos vértices intermediários e longos tende a ser mais limitado”
- “A resiliência da inflação de serviços e do mercado de trabalho, assim como os riscos altistas para o segundo semestre, em particular as incertezas climáticas do El Niño, exigem prudência”
Veja mais em bloomberg.com
© 2026 Bloomberg L.P.








