JGP vê pausa do BC em junho com IPCA elevado e expectativas pressionadas

Em entrevista à Bloomberg News, Fernando Rocha, sócio e economista-chefe da gestora, diz que tem visto mais riscos de alta para a inflação do que de baixa; ‘Ao cortar juros neste ambiente, o BC se arrisca perder credibilidade’, afirmou

Banco Central
Por Felipe Saturnino

Bloomberg — A JGP Asset Management projeta que o Banco Central do Brasil vai interromper o ciclo de cortes de juros já na próxima reunião do Copom em junho, diante de pressões disseminadas na inflação e da desancoragem das expectativas para horizontes mais longos.

“Estamos vendo mais riscos de alta para a inflação do que de baixa”, disse Fernando Rocha, sócio e economista-chefe da JGP, em entrevista à Bloomberg News. “Ao cortar juros neste ambiente, o BC se arrisca perder credibilidade e passar a impressão de que a meta de inflação não é 3%, que se mira outro patamar.”

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Os dados de inflação no Brasil têm mostrado aceleração em diversos itens, enquanto as expectativas embutem efeitos da alta dos preços do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio.


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A composição do IPCA de abril reforçou a preocupação de especialistas com a dinâmica de preços, com alimentos e bebidas e bens industriais pressionando o resultado.

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Rocha vê sinais “consistentes” de pressão nos núcleos de inflação — medidas que excluem itens mais voláteis e ajudam a capturar a tendência dos preços. Isso, “por si só, já justificaria uma postura mais cautelosa do Banco Central”, segundo ele. Além disso, Rocha destaca que a inflação de serviços segue elevada e resiliente.

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Nesta segunda-feira, o Ministério da Fazenda elevou a projeção de inflação para este ano de 3,7% para 4,5%, e passou a estimar o petróleo a US$ 91,25 por barril, ante US$ 73,09 anteriormente. A pesquisa Focus, por sua vez, mostrou piora nas projeções de inflação não apenas para 2026, mas também para 2028.

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O choque nos preços do petróleo “foi grande o suficiente para mudar o cenário do horizonte relevante”, disse Rocha se referindo também à elevação das projeções de inflação do BC.

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Mesmo antes do conflito, Rocha já estimava pressão inflacionária relacionada a bens duráveis e havia elevado a sua projeção para este ano.

Após a divulgação do último IPCA, o economista voltou a revisar as estimativas de inflação para 2026, de 5,3% para 5,6%. Para 2027, manteve a expectativa em 4,3%, acima da mediana da Focus, com viés de alta diante dos choques associados à guerra no Irã.

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Para ele, os últimos dados do IPCA já deram sinais de impactos secundários do conflito no Oriente Médio, com destaque para os ítens de higiene e limpeza e higiene pessoal.

“A indústria química sofre efeito dos derivados de petróleo”, disse Rocha.

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O principal risco inflacionário para o próximo ano está concentrado nos alimentos, diante da perspectiva de custos mais altos com fertilizantes afetarem a próxima safra de grãos, segundo Rocha.

“A cadeia de grãos puxa a cadeia de proteínas, então, bate em toda a cadeia de alimentos”, disse.

O economista pondera, no entanto, que o BC sinalizou em sua comunicação oficial a intenção de manter uma postura de distensão monetária, ao mesmo tempo que reconheceu a elevada incerteza do cenário e admitiu uma piora em suas projeções.

“O BC pareceu ganhar tempo para o ciclo na última ata e segue dependente dos dados”, disse Rocha. “Acho que tem um limite de flexibilidade, dada a inflação alta e as expectativas subindo. A calibração vai ter que ficar menor”.

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