Bloomberg — O presidente da Ultrapar, Marcos Lutz, está em negociações, juntamente com o fundo de infraestrutura Perfin, para adquirir uma participação de cerca de 30% na operadora ferroviária brasileira Rumo, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto que falaram à Bloomberg News.
As discussões ainda exigem acordos sobre os principais termos e não há certeza de que uma transação será alcançada, disseram as pessoas, pedindo para não serem identificadas porque o assunto é privado.
O tamanho da participação e a estrutura de qualquer acordo continuam sendo considerados e podem mudar, embora se espere que a Perfin tenha uma participação menor do que a Ultrapar, disseram as pessoas.
Leia também: Controladores da Raízen abandonam conversas sobre capitalização, segundo fontes
As duas empresas comprariam suas participações da Cosan, um conglomerado que atua nos setores de açúcar, lubrificantes, distribuição de combustível, transporte ferroviário e fornecimento doméstico de gás natural.
O BTG Pactual, que injetou capital na Cosan em setembro, estaria entre as partes que pressionam a Cosan a fazer desinvestimentos, de acordo com as pessoas.
A Cosan tem buscado novos recursos, incluindo a possibilidade de uma oferta pública inicial de sua unidade de gás e energia, a Compass. Um IPO bem-sucedido da Compass poderia reduzir a necessidade de venda de uma participação na Rumo, disse uma das pessoas.
A Perfin, a Cosan e a Rumo não quiseram comentar.
A Ultrapar disse que não comentaria, acrescentando que “sempre que há informações relevantes, ela comunica ao mercado, de acordo com as regulamentações aplicáveis”.
Uma transação marcaria uma mudança significativa na base de acionistas da Rumo e aprofundaria a expansão da Ultrapar em infraestrutura e logística agrícola.
A Ultrapar vem construindo uma posição na Rumo nos últimos meses, disse uma das pessoas.
Leia também: Raízen: Cosan e Shell articulam aporte de R$ 5,5 bi de fundos do BTG, dizem fontes
Se concluído, o acordo com a Rumo expandiria a presença da Ultrapar nos corredores de exportação de grãos do Brasil. O grupo controla a operadora hidroviária Hidrovias do Brasil, que transporta grãos e outros produtos do centro-oeste do país para os portos do norte.
A Rumo transporta safras do Centro-Oeste por ferrovia para os portos do Sul, o que dá a ambas as empresas uma exposição significativa às exportações agrícolas do Brasil.
Para a Cosan, uma venda poderia ajudar a fortalecer seu balanço patrimonial à medida que o conglomerado revisa seu portfólio de ativos, disseram as pessoas.
O grupo foi atingido por uma dívida crescente em seu negócio de açúcar. Recentemente, Perfin juntou-se ao BTG Pactual Holding nos esforços para melhorar a posição financeira da Cosan depois que a empresa ficou sob pressão.
O BTG também está explorando oportunidades para vender terras agrícolas de propriedade da Radar, outra subsidiária da Cosan, disse uma das pessoas. Essas discussões estão atualmente em suspenso em meio a uma desaceleração no setor agrícola.
Veja mais em bloomberg.com
©2026 Bloomberg L.P.








