França aprova lei que flexibiliza uso de pesticidas e provoca reação de ambientalistas

Medida permite isenções temporárias para dois pesticidas proibidos no país e busca recuperar a competitividade da agricultura francesa, mas enfrenta críticas de grupos ambientalistas

Ministra da Agricultura do país, Annie Genevard: 'A versão final deste texto traz soluções reais e tangíveis para os agricultores'
Por Nayla Razzouk
PUBLICIDADE

Bloomberg — Os legisladores franceses aprovaram um amplo projeto de lei de emergência para a agricultura que permite isenções limitadas para dois pesticidas proibidos, o que gerou reações negativas por parte de grupos ambientalistas.

A legislação, que visa ajudar a França a recuperar sua vantagem competitiva e restabelecer seu saldo comercial agrícola, foi aprovada pelo Senado após uma votação realizada durante a madrugada na Assembleia Nacional. Ela permite que a agência de segurança alimentar Anses conceda isenções temporárias para o uso de acetamipride e flupiradifurona, que são autorizados em outros países da União Europeia.

PUBLICIDADE

“A versão final deste texto traz soluções reais e tangíveis para os agricultores”, afirmou a ministra da Agricultura, Annie Genevard, ao parlamento. Ela disse que a medida ajudará a dobrar o armazenamento de água para a agricultura, simplificará as regulamentações para a expansão das propriedades agrícolas e deixará as decisões sobre isenções de pesticidas a cargo dos cientistas da Anses.


Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.


A França, maior nação agrícola da Europa, vem importando mais alimentos, o que levou ao colapso de sua balança comercial de alimentos no ano passado. Condições climáticas extremas, tarifas dos EUA, doenças animais e o aumento dos custos de combustível e fertilizantes têm pesado sobre os agricultores franceses.

PUBLICIDADE

A legislação surge na sequência de pressões exercidas por poderosos sindicatos agrícolas, incluindo produtores de beterraba sacarina e avelãs, que argumentaram que suas culturas têm sofrido sem o uso de pesticidas.

Grupos de esquerda pró-meio ambiente prometeram solicitar ao Conselho Constitucional que revogue a lei, após este ter rejeitado uma versão anterior da medida no ano passado.

Leia também: Calor extremo arrasa lavouras na França e ameaça a produção de milho da Europa

PUBLICIDADE

A ministra da Ecologia, Monique Barbut, anunciou sua renúncia em uma publicação no LinkedIn na manhã desta quarta-feira, criticando o governo por voltar atrás em seu compromisso ao impedir um debate sobre a revogação das isenções.

A porta-voz do governo, Maud Bregeon, disse posteriormente aos repórteres que o presidente Emmanuel Macron se recusou a aceitar sua renúncia e que Barbut aceitou permanecer no cargo para dar continuidade à sua luta pelas florestas, pela água e pela saúde ambiental.

--Com a colaboração de Jenny Che.

PUBLICIDADE

Veja mais em bloomberg.com

Leia também

Exceções em tarifaço apontam ‘onde dói’ nos EUA para Brasil retaliar, diz economista