Os países da América Latina onde a energia renovável domina a geração de eletricidade

Paraguai, Uruguai e Costa Rica lideram o ranking da Organização Latino-Americana de Energia, enquanto o Brasil aparece na quinta posição, com 88% de participação de fontes renováveis em sua matriz elétrica

El agua fluye por el muro de la represa hidroeléctrica Hidroituango en estas fotografías aéreas tomadas sobre Ituango, Colombia, el sábado 8 de junio de 2019.

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Bloomberg Línea — A geração de eletricidade na América Latina cresceu 4,5% em abril na comparação com o mesmo mês do ano anterior, e as fontes renováveis responderam por 67% da produção de energia elétrica na região, segundo um relatório da Organização Latino-Americana de Energia (Olade).

A região produziu 164 TWh de eletricidade, mantendo o predomínio estrutural das fontes limpas, apesar das oscilações climáticas que afetaram a geração hidrelétrica, de acordo com o relatório.

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Até abril, nove dos 27 países-membros da Olade superaram a média regional de 67% no índice de participação das energias renováveis.

Esses países são Paraguai (100%), Uruguai (97%), Costa Rica (92%), Equador (92%), Brasil (88%), Colômbia (87%), Venezuela (86%), Belize (76%) e Peru (68%).


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Para a Olade, esses indicadores mostram que a combinação de fontes renováveis com fontes complementares, como o gás natural, fortalece a segurança do abastecimento de energia elétrica.

Além disso, aumenta a capacidade da região de enfrentar as variações climáticas, um dos principais desafios de seus sistemas elétricos.

Entre março de 2025 e abril de 2026, o índice de participação das fontes renováveis na geração elétrica da região variou entre 63% e 72%, refletindo o predomínio estrutural das fontes renováveis sobre as não renováveis.

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O nível mais elevado foi registrado em outubro de 2025 (72%), quando a geração renovável atingiu 113 TWh e a não renovável somou 45 TWh.

Em contrapartida, o menor índice foi observado em agosto de 2025 (63%), quando a geração renovável caiu para 101 TWh e a não renovável aumentou para 60 TWh.

Principais fontes de geração

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Segundo o relatório, a energia hidrelétrica respondeu pela maior parcela da geração elétrica regional em abril, com 44,6% do total.

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Na sequência vieram o gás natural, com 23,2%, e a energia eólica, com 12,2%.

A energia solar respondeu por 5% da geração, seguida por petróleo e derivados (4,9%), bioenergia (4,4%), carvão mineral (2,9%), energia nuclear (2,3%) e geotermia (0,5%).

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A Olade destacou que, embora a geração hidrelétrica tenha recuado 9,4 TWh em relação a abril de 2025, essa queda foi compensada pelo aumento da geração eólica (+5,1 TWh), do gás natural (+4,6 TWh) e da bioenergia (+3,3 TWh).

“Isso evidencia a capacidade do sistema de se adaptar às mudanças nas condições climáticas e uma crescente diversificação tecnológica”, afirmou a entidade.

Reciclagem de painéis solares, baterias e turbinas eólicas

Photovoltaics panels at sunset in Cerro Dominador thermal project area. Sierra Gorda, Atacama. Chile. The Cerro Dominador solar complex will consist of a photovoltaic plant with a capacity of 100 MW and the first thermosolar plant in Latin America, with 110 MW of capacity and 17.5 hours of thermal storage. Together, the complex's solar field reaches 1,000 hectares. August 1st, 2018. Photographer: Cristóbal Olivares.

A Olade avalia que o crescente volume de resíduos que será gerado no futuro pela infraestrutura de energia limpa representa não apenas um desafio ambiental, mas também uma potencial fonte de riqueza para a região.

Em nota técnica, a entidade afirma que o avanço das fontes renováveis na América Latina — responsáveis por 67,4% da geração elétrica em 2025 — traz novos desafios relacionados à gestão dos resíduos produzidos por essa infraestrutura.

A estimativa é de que a região acumule 81 milhões de toneladas de materiais provenientes de componentes solares, eólicos e de sistemas de armazenamento até meados do século.

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Desse total, 36 milhões de toneladas corresponderão a aço, volume equivalente a 63% da produção anual atual desse metal na região.

Outros 4 milhões de toneladas serão de cobre, quantidade próxima de 40% da produção anual regional.

Além disso, 10 milhões de toneladas corresponderão a alumínio, quase o triplo da produção anual atual da América Latina e do Caribe.

Somente em 2035, a América Latina e o Caribe poderão recuperar US$ 84 bilhões por meio da reciclagem da infraestrutura de energia limpa.

Atualmente, a América Latina e o Caribe contam com cerca de 150 milhões de painéis solares em operação e 16 mil aerogeradores.