Bloomberg — A onda de calor que assolou a Europa Ocidental na semana passada pode ter prejudicado quase um terço da safra de milho francesa, agravando ainda mais as perspectivas para a safra no principal país produtor da região.
As condições climáticas extremas reduziram em até 30% a produção de milho na França, de acordo com estimativas preliminares do Ministério da Agricultura do país.
Além disso, queimaram cerca de metade da produção de cenoura, 60% da produção de lúpulo e uma grande parte dos pomares, além de terem matado centenas de milhares de aves.
Essas estimativas representam a primeira avaliação oficial da magnitude dos danos sofridos pelos agricultores.
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Já se previa uma queda na produção de milho depois que os produtores reduziram o plantio devido aos custos mais elevados de fertilizantes e combustível decorrentes da guerra no Irã.
A empresa de pesquisa Expana estima que menos de um terço da área plantada com milho na França possa ser irrigada, alertando que a produção pode cair para o nível mais baixo desde 1990.
“O milho que foi semeado na primavera está, naturalmente, com dificuldades para brotar”, afirmou Arthur Portier, consultor sênior da Argus Media, em entrevista.
“Os modelos climáticos para os próximos 10 dias não indicam chuva e apontam para o retorno de temperaturas de onda de calor. Portanto, o milho é claramente a cultura a ser observada.”
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Os futuros de milho em Paris subiram mais de 10% desde meados de junho, em meio a expectativas de oferta mais restrita. Na quinta-feira (2), eles apresentaram poucas variações.
O milho semeado na primavera está na fase de floração, o que o torna vulnerável a danos causados pelo calor.
O impacto sobre os grãos de inverno, como o trigo, é “significativamente menos grave”, mas períodos prolongados de tempo quente e seco ainda podem afetar os rendimentos, afirmou Vincent Braak, analista da Expana.
A França foi o epicentro da onda de calor que atingiu a Europa Ocidental em junho. As condições tórridas também afetaram seus vinhedos, onde a colheita de uvas deve começar quase três semanas antes do habitual, devido ao amadurecimento acelerado, informou o ministério em comunicado.
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Parte dessas áreas também corre risco de incêndios florestais, com cerca de 1.200 hectares no sul da França pegando fogo apenas desde quarta-feira.
Nas regiões ocidentais da Bretanha, Pays de la Loire e Normandia, os agricultores perderam quase 6.500 toneladas de aves, informou o ministério.
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