Advent capta US$ 30 bilhões e amplia munição para negócios no Brasil após eleição

Gestora de private equity fecha o maior fundo de aquisição de controle de 2026 enquanto a eleição congela ofertas de ações na B3; sócio responsável pela região cita mais capacidade para investir em companhias brasileiras

Faria Lima: Pátio Malzoni, sede do Google e BTG Pactual, diante da sede do Itaú BBA, ao lado do heliponto do Faria Lima Financial Center
PUBLICIDADE

Bloomberg Línea — O pessimismo com os ativos brasileiros depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou um contraponto nesta terça-feira (27). Uma das maiores gestoras de private equity do mundo, a Advent anunciou mais recursos para comprar empresas no país, um dia depois da derrocada da bolsa e do real. A firma administra mais de US$ 109 bilhões em ativos no mundo.

Investidora da Natura (NATU3) e da Skyone, a Advent, que já aplicou mais de US$ 6,6 bilhões no Brasil desde 1997, levantou US$ 30 bilhões em fundos globais, enquanto companhias brasileiras engavetavam planos de captar recursos no mercado de ações.

PUBLICIDADE

⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.


O principal fundo, o GPE XI, 11º da série, somou cerca de US$ 27 bilhões, acima da meta de US$ 26 bilhões, e é o maior de aquisição de controle de empresas (buyout) a concluir a captação em 2026.

Outros US$ 3 bilhões ou mais foram para o Mid-Market, primeiro veículo da casa dedicado a companhias de médio porte.

PUBLICIDADE

Leia também: Após investida da Advent, Skyone compra ADD IT e acelera agenda de M&A em nuvem e IA

O pregão de segunda-feira (26) foi interrompido pelo circuit breaker logo na abertura, pela primeira vez desde 2020, e o Ibovespa fechou em queda de 13,88%. Empresas como Equatorial (EQTL3) e Ecorodovias (ECOR3) tinham cerca de US$ 6 bilhões em ofertas de ações previstas para depois da eleição, e os bancos só esperam novas operações a partir de meados de 2027, segundo a Bloomberg News.

É nesse ambiente que o comando da Advent no país fala em mais munição para negócios locais. Juan Pablo Zucchini, managing partner em São Paulo e chefe de private equity na América Latina, liga o resultado global à operação regional.

PUBLICIDADE

“Estamos muito satisfeitos com a captação de US$ 30 bilhões para o complexo global de fundos da Advent, um marco importante para a firma em todo o mundo, que amplia nossa capacidade de realizar novos investimentos no Brasil e na América Latina”, afirmou Zucchini, em nota.

Fundo global, capital para o país

A data do anúncio coincidiu com o resultado da eleição, segundo a Advent, que destaca o caráter global do fundo e não informou quanto dos recursos poderá ser aplicado no país. Ainda assim, a gestora informou à Bloomberg Línea que a captação representa mais capital que pode vir para o Brasil.

A Advent abriu o escritório em São Paulo em 1997, mesmo ano do primeiro investimento, na Cardsystem. Desde então, fez 35 transações no país, entre compras e vendas de participações, informou a gestora à Bloomberg Línea. Entre as saídas mais recentes estão Grupo CRM, em março de 2024, e Nubank (NU), em fevereiro de 2023.

PUBLICIDADE

Leia também: Advent compra controle da Skala Cosméticos em aposta no setor de beleza

As investidas mais novas são Natura, em junho de 2026, e Skyone, em dezembro de 2025, seguidas de Inspira e Bora Brasil, antiga Skala, ambas em 2024. Os aportes em Skyone e Skala saíram do LAPEF VII, fundo de US$ 2 bilhões da gestora dedicado à América Latina.

Na Skyone, empresa brasileira de nuvem e inteligência artificial com receita de R$ 400 milhões em 2025, o dinheiro já virou aquisição. Em junho, a companhia comprou a ADD IT, de nuvem privada, na maior transação de sua história, como mostrou a Bloomberg Línea. Na ocasião, o diretor de M&A e Relações com Investidores, Bruno Salari, descartou abrir capital no curto prazo, citando juros altos e baixa liquidez na bolsa.

Devolução de capital

A captação se apoia na devolução de recursos aos cotistas. Em 2026, a Advent vendeu participações em 27 empresas, num total de cerca de US$ 13 bilhões, e investiu US$ 10 bilhões em 38 companhias, entre operações concluídas e pendentes.

“A confiança dos nossos investidores, em um dos momentos mais difíceis para captação, mostra a consistência do nosso histórico e a nossa disciplina na devolução de capital”, disse James Brocklebank, managing partner e copresidente do comitê executivo da Advent.

O choque eleitoral também levou investidores a rever fusões e aquisições de empresas ligadas ao consumo, como a venda da Farm pela Azzas 2154 (AZZA3), segundo a Bloomberg News. Em parceria com a Bain Capital, a Advent também mirou adquirir nos últimos meses uma participação na Amil, operadora de saúde, segundo analistas.

Para Zucchini, a trajetória no Brasil mostra a importância de uma equipe local que já atravessou vários ciclos de investimento no país.

Leia também

Advent investe na brasileira Skyone em aposta em demanda global por nuvem e IA