Lula terá de enfrentar desconfiança do mercado e Congresso hostil, diz Oxford Economics

Consultoria projeta uma consolidação gradual das contas públicas, sustentada pela desaceleração do crescimento real dos gastos primários e pelo aumento das receitas tributárias, mas alerta que a combinação de promessas sociais custosas, dívida pública crescente e um Congresso de maioria conservadora poderá dificultar a recuperação da confiança dos investidores

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Bloomberg Línea — O principal desafio de Lula da Silva após sua reeleição presidencial no Brasil será convencer os mercados de que ele é capaz de implementar um ajuste fiscal confiável para conter o aumento da dívida pública, segundo um relatório publicado nesta segunda-feira (26) pela Oxford Economics.

“O maior desafio de Lula será convencer os mercados de que ele é capaz de implementar um ajuste fiscal confiável e sustentável, ao mesmo tempo em que prioriza o crescimento dos salários reais e do emprego”, analisou Mauricio Monge, economista sênior para a América Latina da consultoria.

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“Esperamos uma estratégia de consolidação gradual, baseada em um crescimento mais lento dos gastos primários reais e em maiores receitas tributárias”.


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A vitória de Lula gerou uma forte reação dos mercados: o real brasileiro desvalorizou-se em 11% e o Índice Bovespa — o principal indicador do mercado de ações do Brasil, bem como o mais importante da América Latina — chegou a recuar 17,34%, a maior queda desde o início da pandemia.

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Enquanto isso, em Wall Street, ações como a do Nubank (NU) e a Petrobras (PBR) sofreram quedas de cerca de 15% ao longo do dia, embora tenha havido recuos superiores a 50% em alguns ativos brasileiros no mercado local.

Os investidores, que haviam apostado em uma mudança de governo no Brasil e dado como certo que ele se inclinaria para a direita, seguindo a tendência de outros países latino-americanos, ficaram surpresos com a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro.

Aos 80 anos, o líder do Partido dos Trabalhadores tornou-se o primeiro candidato a vencer o segundo turno após ter sido derrotado no primeiro turno desde que o Brasil adotou o atual sistema eleitoral.

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Ela obteve 51,79% dos votos válidos (64.256.232), enquanto Bolsonaro obteve 48,21% (59.826.041). A diferença foi superior a quatro milhões de votos.

Um dos fatores que impulsionaram Lula foi a aprovação, no Senado, da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas no Brasil, ou a lei 5x2 — cinco dias de trabalho por dois de descanso —, uma iniciativa promovida pelo Executivo.

Antes de esse projeto ser aprovado, Bolsonaro estava à frente de Lula nas intenções de voto. Depois, ele reduziu a diferença até chegar a um empate técnico, conforme indicavam as pesquisas antes da abertura das urnas, e acabou vencendo no segundo turno.

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O segundo desafio de Lula

Outro desafio de Lula será chegar a consensos com um Congresso de tendência conservadora, o que poderia retardar ou impedir as iniciativas promovidas pelo Executivo.

Leia também: Wall Street revisa apostas para o Brasil e tenta calcular até onde vai a correção

Após as eleições gerais de 4 de outubro, os partidos de centro-direita e de direita terão uma maioria de mais de 80% no Senado e de quase 75% na Câmara dos Deputados. Já o Partido dos Trabalhadores ficará em minoria nas duas casas.

Esse contexto obriga Lula a contar com o apoio de legisladores centristas e da oposição para levar adiante sua agenda legislativa.

“Ele terá que se virar em um Congresso com uma forte tendência à direita, enquanto tenta cumprir suas promessas de campanha, que custam caro”, escreveu Monge.

O certo é que, além do desafio em matéria de governabilidade que Lula terá de enfrentar, sua vitória dá um fôlego à esquerda política latino-americana, que havia perdido todas as eleições presidenciais desde o retorno de Trump à Casa Branca, nos Estados Unidos.