EUA demonstram ‘total falta de disciplina fiscal’, diz Howard Marks, da Oaktree

Lendário investidor avalia que é improvável que os esforços para reduzir os juros de longo prazo surtam efeito, a menos que o governo resolva o déficit crescente do país

Howard Marks: 'Forçar a queda das taxas por meio da compra de títulos é como um médico aplicar uma bolsa de gelo em um paciente com febre'. (Foto: Christopher Pike/Bloomberg)
Por Mumbi Gitau
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Bloomberg — Os Estados Unidos apresentam uma “total falta de disciplina fiscal”, e é improvável que os esforços para reduzir os juros de longo prazo surtam efeito, a menos que o governo resolva o déficit crescente do país, segundo Howard Marks, cofundador da Oaktree Capital Management.

Embora o programa de recompra de dívida de prazo mais longo do secretário do Tesouro, Scott Bessent, possa, temporariamente, elevar os preços dos títulos e reduzir os rendimentos, ele não resolverá as causas que, em primeiro lugar, levaram ao aumento dos custos de financiamento, escreveu Marks em um comunicado publicado no site da Oaktree na terça-feira (22).

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“Forçar a queda das taxas por meio da compra de títulos é como um médico aplicar uma bolsa de gelo em um paciente com febre”, afirmou ele. “A bolsa de gelo pode reduzir a temperatura do paciente, mas é improvável que ele se recupere até que a causa subjacente da febre tenha sido tratada.”


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Ele apontou a inflação persistente, a dívida pública crescente e a demanda cada vez maior por capital — incluindo investimentos de vários trilhões de dólares em IA — como algumas das causas fundamentais dos custos de financiamento mais elevados.

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O déficit fiscal dos Estados Unidos, em torno de 6% do Produto Interno Bruto (PIB), está em “um nível extraordinariamente alto para uma economia em prosperidade”, escreveu Marks.

Bessent tomou medidas pouco ortodoxas nas últimas semanas, vistas como um esforço para ajudar a reduzir os rendimentos, incluindo um programa ampliado de recompra de títulos e uma intervenção incomum no iene japonês.

Tais medidas tratam dos sintomas dos rendimentos mais elevados, e não das forças que os impulsionam, escreveu Marks.

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“Não se pode ignorar as leis da economia e esperar sair ganhando”, afirmou Marks. Ele alertou que os Estados Unidos não podem gastar perpetuamente mais do que arrecadam sem correr o risco de questionamentos sobre sua credibilidade e a confiança em sua moeda e nos títulos do Tesouro.

A única solução é mudar o comportamento, escreveu Marks, defendendo maior responsabilidade fiscal e um aumento das receitas como porcentagem do PIB por meio de alíquotas mais altas do imposto de renda.

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Embora a situação fiscal represente um problema para os investidores, Marks afirmou que vender ações dos EUA e ativos em dólares pode não ser a resposta, já que transferir dinheiro para investimentos fora dos EUA acarreta outros riscos.

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