Bloomberg Línea — O dólar ampliou os ganhos nesta quarta-feira (31) com o sentimento negativo após dados da atividade chinesa virem mais fracos que o esperado, ampliando a cautela de investidores ao redor do mundo.
Na potência asiática, a atividade manufatureira contraiu em maio a um ritmo mais acentuado do que em abril, enquanto a expansão dos serviços diminuiu. Os números sinalizam que a recuperação pós-covid perdeu força.
A moeda foi pressionada ainda por um indicador de abertura de vagas de emprego nos Estados Unidos, que superou todas as estimativas, sugerindo que a maior economia do mundo segue forte – o que reforça as apostas em nova alta dos juros do Federal Reserve.
A aversão ao risco contribuía para perdas no Ibovespa (IBOV), que cedia 0,4% por volta das 14h (horário de Brasília), negociado na casa dos 108 mil pontos. Já o dólar subia 1%, a R$ 5,09.
Entre as commodities, o petróleo caía mais de 3%, estendendo as perdas da sessão anterior. O minério de ferro, por sua vez, chega ao final de maio abaixo de US$ 100 a tonelada. A matéria-prima siderúrgica caiu quase 6% este mês em Singapura.
O cenário pressiona os papéis de blue chips negociadas na B3, como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3; PETR4). As ações recuavam 0,16%, 0,51% e 0,80%, respectivamente, por volta das 14h.
No âmbito corporativo, a Saudi Agricultural and Livestock Investment Company, conhecida como Salic, e a Marfrig (MRFG3) se comprometeram a comprar até 500 milhões de novas ações da BRF (BRFS3), que deverão ser emitidas em uma oferta pública primária a ser realizada até o final do ano. O valor é de R$ 4,5 bilhões.
Após a notícia, os papéis da BRF dispararam na B3; as ações subiam cerca de 10,3%, a R$ 8,02, por volta das 14h.
Em Wall Street, o rali nas ações de tecnologia impulsionado pela inteligência artificial perdeu força nesta quarta. As ações também recuavam à medida que os problemas econômicos da China pesavam sobre o sentimento dos investidores e após os dados de emprego no país.
“Estamos enfrentando muitos ventos contrários: em primeiro lugar, a história do crescimento da China, que foi uma grande decepção. Além disso, há o risco de uma recessão nos EUA e, para a região do euro, há uma probabilidade de que eles estejam enfrentando uma estagnação”, disse Jane Foley, chefe de estratégia de câmbio do Rabobank, à Bloomberg TV.
“Portanto, temos uma perspectiva bastante decepcionante de crescimento, não um ambiente em que realmente desejamos acumular ativos de alto risco e, portanto, é provável que o dólar tenha um bom desempenho.”
Confira o desempenho dos mercados nesta quarta-feira (31):
- O Ibovespa recuava 0,44% por volta das 14h (horário de Brasília), negociado aos 108.481 pontos;
- O dólar avançava 1,08%, a R$ 5,09;
- Entre os contratos de juros futuros, o DI para 2027 cedia 8 pontos-base, a 10,87%;
- Nos EUA, os índices recuavam: o Dow Jones caía 0,64%, o S&P 500, 0,72%, enquanto o Nasdaq 100 Futuro tinha queda de 0,76%;
-- Com informações da Bloomberg News
Leia também:
CEO da AES Brasil, Clarissa Sadock renuncia e assume como VP de ESG na Vibra
Twitter vale agora apenas um terço do preço pago por Musk, diz Fidelity









