Mercado cauteloso com cenário econômico e Fed persistente em alta de juro

Operadores monitoram o nível de pedidos de seguro-desemprego nos EUA enquanto várias empresas cortam postos e acompanham novos discursos de membros do Fed

Estes são os eventos que orientam os investidores hoje
Por Bianca Ribeiro - Michelly Teixeira
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Barcelona, Espanha — Os temores de uma desaceleração acentuada da economia aumentaram após indicadores norte-americanos apontarem perda de fôlego tanto no varejo como no setor manufatureiro em dezembro. Ainda que os preços aos produtores (IPP) também tenham retrocedido no período, a sinalização do Federal Reserve (Fed) continua sendo dura em relação ao aperto monetário.

→ Leia também o Breakfast, a newsletter matinal da Bloomberg Línea: Desafios da XP chegam a Aspen

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Instantes atrás, os futuros de índices acionários dos Estados Unidos recuavam, assim as bolsas europeias. Já na Ásia, o fechamento foi misto, com queda mais acentuada no índice japonês Nikkei.

No mercado de títulos norte-americano, o prêmio do bônus de 10 anos recuava para 3,367%. O dólar operava estável, o euro se apreciava e a libra se desvalorizava. Os contratos de petróleo caíam, assim como o bitcoin, enquanto o ouro ganhava valor.

→ O que move os mercados hoje

📉 Correlação quebrada. Enquanto os investidores pesam os riscos dessa perda de força da economia e as perspectivas para as taxas de juros, as ações recuam e sobe o valor nominal dos títulos do Tesouro. Em apenas dois dias, os prêmios dos títulos dos EUA com vencimento em 10 anos caíram 22 pontos básicos, levando a taxa de retorno ao nível mais baixo desde meados de setembro. Assim, a estreita correlação entre títulos e ações foi quebrada.

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O preço de mercado da taxa nominal dos Fed Funds caiu mais de 50 pontos base em relação ao dia anterior, em um sinal de que os investidores antecipam uma rápida desaceleração da taxa pelo Federal Reserve. Entretanto, os funcionários do banco central dos EUA reiteraram na quarta-feira a intenção de seguir com aumentos de taxas, apesar de novos sinais de enfraquecimento da economia e de resfriamento da inflação.

O presidente do St Louis Fed, James Bullard, disse que a política monetária ainda não está em território restritivo e prevê uma taxa de até 5,5% até o final do ano. A presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, disse que o Fed precisa “continuar avançando” e o chefe do Fed da Filadélfia, Patrick Harker, repetiu sua visão de aumentar as taxas de juros em incrementos de 0,25 ponto percentual.

🔝 Oferta exuberante. O mercado global de dívida está agitado desde o começo do ano, com empresas e governos à procura de investidores para levantar recursos. Segundo dados compilados pela Bloomberg, a emissão global de títulos governamentais e corporativos chegou a US$ 586 bilhões até 18 de janeiro, a maior marca para o período. A previsão da Bloomberg Intelligence é que os títulos com grau de investimento dos EUA darão um retorno de 10% este ano, depois de terem registrado em 2022 o pior rendimento em meio século.

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👷 Empregos em risco. A sombra de uma recessão vem justificando a onda de cortes de empregos em setores como finanças e tecnologia. A Amazon começou a maior rodada de demissões de sua história, a Microsoft avisou que reduzirá sua equipe em 5% e o Goldman Sachs está demitindo mais de 3.200 pessoas. O movimento responde ao que o Fed vem colocando como prerrogativa para interromper a subida de juros em algum momento.

💸 Outra baixa? A Genesis Global Capital pode entrar com pedido de falência ainda esta semana se não conseguir capital. Segundo a Bloomberg, a unidade de empréstimo de criptomoeda do Digital Currency Group está negociando com vários credores em meio a uma crise de liquidez. A Genesis suspendeu os saques em novembro, logo após o colapso da FTX.

Os mercados esta manhã
🟢 As bolsas ontem (18/01): Dow Jones Industrials (-1,81%), S&P 500 (-1,56%), Nasdaq Composite (-1,24%), Stoxx 600 (+0,40%), Ibovespa (+0,71%)

Os mercados acionários dos EUA foram atingidos por dados econômicos que reavivaram o medo de uma recessão que afete os lucros corporativos. O índice de preços ao produtor caiu 0,5% em dezembro, enquanto as vendas no varejo tiveram a maior queda em um ano e o setor manufatureiro fechou o trimestre mais fraco desde o início da pandemia. Apesar disso, James Bullard (Fed-St Louis) disse que o ciclo de alta de juro está perto de uma “zona restritiva”, mas que “ainda não estamos lá”.

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Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Licenças de Construção/Dez; Pedidos Iniciais de Seguro Desemprego, Índice do Fed-Filadélfia

Europa: Zona do Euro (Transações Correntes/Nov); Reino Unido (Pesquisa de Condições de Crédito-BoE; Confiança do Consumidor-GFK/Jan); Espanha (Balança Comercial); Portugal (Transações Correntes/Nov)

Ásia: Japão (IPC/Dez)

América Latina: Brasil (Taxa de Desemprego); Argentina (Balança Comercial/Dez)

Bancos centrais: Discurso de John Williams e Lael Brainard-Fed, Christine Lagarde e Isabel Schnabel-BCE

Balanços: Procter & Gamble, Netflix, Kimberly-Clarks e Deliveroo

📌 Para amanhã:

• EUA (Vendas de Casas Usadas/Dez) Reino Unido (Vendas no Varejo/Dez); Alemanha (IPP/Dez); México (Vendas no Varejo/Nov); Bancos centrais (Discursos de Patrick Harker e Christopher Waller-Fed, Christine Lagarde-BCE, Joachim Nagel-Bundesbank); Balanço (Bioasis Technologies)

Bianca Ribeiro

Bianca Ribeiro

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