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Os ataques em Brasília às sedes dos Três Poderes reacenderam as preocupações em torno da polarização política e social. Contudo, no mercado prevaleceu a percepção de que o impacto econômico deve ser limitado e de curta duração.
Entre os analistas da Faria Lima consultados pela Bloomberg Línea, a opinião geral é de que a ação daqueles que defendem a anulação dos votos de 124,1 milhões de brasileiros exacerbou o clima de polarização e a instabilidade política, o que aumenta os riscos para os ativos brasileiros no médio e longo prazo. “O ambiente político instável e profundamente dividido e a alta tensão social relacionada mantêm os prêmios de risco altos e podem afetar a governabilidade geral”, opina Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs.
Mas o fato de a escalada do risco político ter sido rapidamente contida, ao menos em um primeiro momento, após a ação coordenada dos governos e da Justiça para desmobilizar os responsáveis pelas agressões, trouxe algum alívio para os ativos brasileiros. “A mudança do sentimento do mercado é reflexo do alívio dos investidores com a resposta dura do governo aos atos golpistas, depois da coletiva do ministro da Justiça, Flávio Dino, garantindo o restabelecimento da ordem pública prontamente”, afirma Mariane Vas, analista sênior da plataforma de investimentos Gorila.
A dificuldade para os ativos brasileiros daqui para frente, no entanto, será o ambiente de incerteza no longo prazo, em meio a uma sociedade polarizada, com grupos radicais que têm como bandeira a anulação das eleições e das instituições, segundo especialistas.
Para além da reação da bolsa, uma das avaliações é a de que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode conquistar apoio para a sua agenda econômica devido à ampla reação negativa, dentro e fora do Brasil, aos ataques em Brasília.
⇒ Leia mais: A visão da Faria Lima sobre a invasão aos três poderes

No Radar
Enquanto aguardam as palavras do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, os investidores se ajustam à visão mais dura transmitida por outros membros do banco central, que reduzem as expectativas de um passo mais suave para o aumento dos juros norte-americanos.
🗣️ Mais de 5%? No mercado acionário o tom é de cautela ante a hipótese de o juro básico dos EUA ir além de 5% neste ano, como sugeriram os diretores do Fed Raphael Bostic e Mary Daly, num preâmbulo para os comentários de Powell logo mais, às 16h de Brasília, e antes da divulgação dos dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), na quinta-feira.
📲 Chips x demanda. A queda global de demanda por eletrônicos atingiu a TSM, que registrou no quarto trimestre um crescimento de receita de 43%, abaixo do previsto pelo mercado. A maior fabricante de chips do mundo pode ter sentido o golpe dos problemas de operação da Apple na China no último mês, no âmbito dos controles de covid vigentes naquele momento.
🤖 Investimento em AI. A Microsoft está disposta a investir até US$ 10 bilhões na OpenAI, criadora do chatbot viral de inteligência artificial ChatGPT, com aportes previstos ao longo de vários anos. Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, as duas empresas vêm discutindo o acordo há meses.

🟢 As bolsas ontem (09/01): Dow Jones Industrials (-0,34%), S&P 500 (-0,08%), Nasdaq Composite (+0,63%), Stoxx 600 (+0,88%), Ibovespa (+0,15%)
As bolsas norte-americanas suspenderam os ganhos iniciais depois que dois membros do Fed sinalizaram que o banco central pode aumentar as taxas de juros acima de 5% antes de fazer uma pausa. O Nasdaq conseguiu se manter em alta com ajuda de gigantes corporativos, entre elas a Tesla.
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Agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
• EUA: Índice RedBook, Vendas e Estoques no Atacado/Nov; Otimismo entre Pequenas Empresas-IBD/Dez, Estoques de Petróleo Bruto
• Europa: França e Espanha (Produção Industrial/Nov); Espanha (Confiança do Consumidor)
• Ásia: China (Novos Empréstimos); Japão (Reservas Internacionais/Dez, IPC/Dez)
• América Latina: Brasil (IPCA/Dez); México (Investimento Bruto)
• Bancos centrais: Discursos de Jerome Powell-Fed, Haruhiko Kuroda-BoJ, Isabel Schnabel-BCE
📌 Para a semana:
• Quarta-feira: EUA (Pedidos de Hipotecas, Índice de Compras MBA; Portugal (IPC/Dez); Brasil (Vendas no Varejo/Nov); China (IPC/Dez)
• Quinta-feira: EUA (IPC/Dez; Pedidos Iniciais de Seguro Desemprego, Balanço Orçamentário/Dez); Argentina (IPC/Dez); Banco Centrais (Relatório Mensal do BCE, Discursos de Patrick Harker-Fed e Catherine Mann-BoE)
• Sexta-feira: EUA (Preços de Bens Importados e Exportados/Dez, Índice Michigan de Confiança do Consumidor/Jan); Zona do Euro (Produção Industrial/Nov, Balança Comercial/Nov) Reino Unido (PIB, Produção do Industrial/Nov, Balança Comercial/Nov), Alemanha (PIB); França e Espanha (IPC/Dez); China (Balança Comercial/Dez); Brasil (IBC-Br/Nov); Bancos centrais (Discurso de Patrick Harker-Fed)
Destaques da Bloomberg Línea:
• Senado obtém aval para CPI dos ataques à democracia: veja o que esperar
• Morgan Stanley: Mercado de ações dos EUA pode cair 22% com recessão americana
• Goldman deverá cortar até 3.200 empregos nesta semana após revisão de gastos
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• Também é importante: Family offices reduzem dependência de private equity para fugir de taxas | Microsoft considera investir até US$ 10 bilhões no chatbot ChatGPT, da OpenAI | Presença de Bolsonaro na Flórida vira dor de cabeça para Biden após ataques
• Bloomberg Opinion: Depois do Capitólio, redes sociais têm o seu papel nas invasões em Brasília
• Pra não ficar de fora: Redução de produtos químicos leva a recuperação gradual da camada de ozônio


