Autoridades do Fed veem espaço para ritmo mais lento de aperto

Comentários vêm após divulgação de dados de inflação menores que o esperado em outubro, com alta de 7,7% em 12 meses contra 8,2% no mês anterior

O Fed elevou os juros em 0,75 ponto percentual em 2 de novembro pela quarta reunião seguida, para um intervalo entre 3,75% e 4%
Por Catarina Saraiva e Craig Torres
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Bloomberg — O Federal Reserve parece mais perto de diminuir o ritmo de aperto monetário após as boas notícias sobre a inflação. Duas autoridades apoiaram desacelerar os aumentos da taxa de juros, mesmo enfatizando que a política precisa permanecer apertada.

“Embora acredite que em breve possa ser apropriado desacelerar o ritmo dos aumentos das taxas para que possamos avaliar melhor como as condições financeiras e econômicas estão evoluindo, também acredito que um ritmo mais lento não deve ser considerado uma política mais frouxa”, disse a presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, durante conferência organizada pela instituição em Houston nesta quinta-feira.

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Dados divulgados hoje mostraram que o índice de preços ao consumidor subiu menos do que o esperado em outubro, com alta de 7,7% em 12 meses contra 8,2% no mês anterior.

“Os dados do CPI desta manhã foram um alívio bem-vindo, mas ainda há um longo caminho a percorrer”, afirmou. Não apenas a inflação está muito acima da meta de 2% do Fed, “mas, com a demanda agregada continuando a superar a oferta, a inflação tem repetidamente vindo acima do que os analistas esperavam.”

Com os números melhores do que o esperado do CPI, os rendimentos dos títulos despencaram, enquanto investidores reforçaram apostas de que o Fed vai reduzir o tamanho do próximo aumento dos juros em dezembro para 0,5 ponto percentual, com um salto da taxa básica para 4,8% no próximo ano.

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O Fed elevou os juros em 0,75 ponto percentual em 2 de novembro pela quarta reunião seguida, para um intervalo entre 3,75% e 4%. O banco central americano destacou que aumentos contínuos serão necessários para combater a inflação, no nível mais alto em 40 anos.

O presidente do Fed, Jerome Powell, disse a repórteres após a decisão que, com os recentes dados decepcionantes, os juros podem subir mais do que o esperado anteriormente, mas também indicou que a autoridade monetária poderia moderar a dose já em dezembro.

Em setembro, as autoridades previam que a taxa de juros chegaria a 4,6% até o fim deste ano e 4,8% em 2023 - o que implicaria uma alta de 0,5 ponto em dezembro e uma elevação final de um 0,25 p.p. em 2023. O Fed vai atualizar suas projeções trimestrais no próximo mês.

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“Nos próximos meses, à luz do aperto cumulativo que alcançamos, espero que diminuamos o ritmo de nossos aumentos de juros à medida que nos aproximamos de uma postura suficientemente restritiva”, disse o presidente do Fed de Filadélfia, Patrick Harker, em outro evento. “Mas quero ser claro: um aumento de 50 pontos-base ainda seria significativo.”

O presidente do Fed de Filadélfia não prevê uma recessão e afirmou que o crescimento deve se desacelerar para 1,5% no próximo ano. Harker projeta que a taxa de desemprego deva subir para 4,5% em 2023 e depois cair para 4% em 2024. Ele também espera inflação mais baixa em 2024, de 2,5%.

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