Assombro no mundo cripto

Também no Breakfast: Mercados em declínio e avessos ao risco; Queda de ações tech perto do fim? SPX altera estratégia e Sem novos dados e com inflação, país atravessa crise de insegurança alimentar às escuras

Tempo de leitura: 7 minutos

Bom dia! Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças.

As fortunas que os bilionários de criptomoedas turbinaram nos últimos dois anos estão desaparecendo. As posses do fundador da Coinbase, Brian Armstrong, de vultosos US$ 13,7 bilhões em novembro, passaram a US$ 8 bilhões no final de março e agora somam US$ 2,3 bilhões, de acordo com o Bloomberg Billionaires Index.

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Uma venda maciça de moedas digitais - do Bitcoin ao Ether - desencadeou um declínio vertiginoso no valor de mercado da Coinbase, a maior exchange de criptomoedas dos EUA. As ações da empresa acumulavam perdas de cerca de 80% desde a oferta pública inicial de abril de 2021 até ontem.

Outro caso emblemático é o de Michael Novogratz, CEO do banco comercial de criptomoedas Galaxy Digital, que viu sua fortuna despencar de US$ 8,5 bilhões no início de novembro para US$ 2,9 bilhões agora. Ele tem sido um campeão do TerraUSD, a stablecoin algorítmica que agora corre o risco de um colapso completo em meio a uma queda no preço de um token criptográfico no mesmo ecossistema, Luna.

O susto vem até das stablecoins

Os investidores no mundo das criptomoedas dividem a atenção entre a queda do Bitcoin e do mercado em geral e o crash que as criptomoedas UST e Luna em particular estão enfrentando.

O experimento do stablecoin, criado pela Terraform Labs, tem sido submetido a uma verdadeira prova de fogo desde o último fim de semana, quando começou sua queda. O UST é uma moeda estável, ligada ao dólar americano e que - em teoria - procura escapar da volatilidade das moedas digitais.

📉 O problema é que desde o último fim de semana a estabilidade que promete se desvaneceu. A queda também afetou o preço do Bitcoin.

😨 A pressão de venda de bitcoin aumentou numa época em que os mercados, inclusive os mais tradicionais, já se viam afetados pela aversão ao risco. Agora, não só o preço do bitcoin está em risco, mas também o futuro do projeto UST e Luna.

Entenda a queda das stablecoins que estão assombrando as criptos

Luna USDTdfd

Na trilha dos Mercados

Aversão ao risco em níveis elevados. Os mercados acionários operam no vermelho tanto na Europa como entre os futuros de índices nos Estados Unidos. E as criptomoedas, que são o melhor indicador da aceitação de risco do mercado, também caem com força.

💦 Balde de água fria. A constatação de que a inflação persiste em níveis elevados decepcionou, e muito, o mercado. Um indicador-chave dos preços ao consumidor nos Estados Unidos subiu mais do que o previsto em abril na base mensal, evidenciando o peso da inflação sobre o poder aquisitivo e incitando o Federal Reserve a aumentar as taxas de juros agressivamente.

😑 Todos esperavam que os preços começassem a se estabilizar. Mas o núcleo do índice de preços ao consumidor, que exclui alimentos e energia, aumentou 0,6% em relação ao mês anterior e 6,2% em relação a abril de 2021, segundo dados de ontem. O IPC amplo subiu 0,3% em relação ao mês anterior e 8,3% na base anual, ainda entre as leituras mais altas em décadas. Em março, a taxa havia sido de 8,5%.

📊 Sem muita ajuda macro. A agenda de dados macroeconômicos não tem força o suficiente para dissipar o medo nos mercados, que também foi negativo na Ásia. O dado mais relevante será o índice de preços ao produtor (IPP) dos EUA.

Manhã de nervosismo e aversão ao riscodfd

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones (-1,02%), S&P 500 (-1,65%), Nasdaq Composite (-3,18%), Stoxx 600 (+1,74%), Ibovespa (+1,25%)

A inflação foi a causa de mais um dia de perdas para os mercados norte-americanos. Apesar dos ganhos de terça-feira, a tendência de queda continua a dominar, pois os investidores estão pesando um crescimento econômico mais lento em meio a um alto custo de vida. Também afetou os negócios a declaração do presidente da Fed de Atlanta, Raphael Bostic, de que o banco central está pronto para “avançar” no aperto monetário se a inflação alta persistir.

Saiba mais sobre o vaivém dos Mercados

No radar

Esta é a agenda prevista para hoje:

• EUA: IPP/Abr; Pedidos iniciais de Seguro-Desemprego; Relatório Mensal da OPEP

• Europa: Alemanha (Transações Correntes); Reino Unido (PIB/1T22; Investimento das Empresas/1T22; Gastos Governamentais; Produção do Setor de Construção/Mar; Produção Industrial; Índice do Setor de Serviços; Balança Comercial)

• Ásia: Japão (Balança Comercial(Mar); Empréstimos Bancários/Abr); China (Novos Empréstimos)

• América Latina: Brasil (Crescimento do Setor de Serviços/Mar); México (Produção Industrial/Mar); Argentina (IPC/Abr)

• Bancos centrais: Sumário de opiniões do BoJ. Discurso de Mary Daly (Fed)

• Balanços: SoftBank, Siemens, Allianz, RWE, Telefónica, Affirm, Commerzbank

📌 E para amanhã:

• EUA: Expectativas de Inflação a 5 anos - Univ. Michigan/Mai; Índice Michigan de Confiança do Consumidor/Mai; Preços de Bens Importados e Exportados/Abr

• Europa: Zona do Euro (Produção Industrial/Mar); Espanha (IPC/Abr)

• Ásia: China (Investimento Estrangeiro Direto; PIB/1T22)

• América Latina: Brasil (IBC-Br; Fluxo Cambial Estrangeiro)

• Bancos centrais: Discursos de Neel Kashkari e Loretta Mester (FOMC/Fed); Isabel Schnabel e Luis de Guindos (BCE)

• Balanços: Toshiba, Deutsche Telekom

Destaques da Bloomberg Línea

Nova área de defensivos agrícolas no Brasil tem o tamanho da Venezuela e Colômbia

Gol e Avianca anunciam acordo para unir negócios

E agora, Netflix? Disney Plus supera estimativas de assinantes

Vale e BHP testam nova lei de recuperação judicial no Brasil

Queda de ações tech perto do fim? SPX, de Rogério Xavier, altera estratégia

Também é importante

Relatório da ONU publicado na última semana mostra recorde na insegurança alimentar mundial; no Brasil, dados são incertos dfd

• Fome no Brasil: Sem novos dados e com inflação, país atravessa crise às escuras. A insegurança alimentar ao redor do mundo chegou a um recorde pelo segundo ano consecutivo, de acordo com um documento publicado na última semana pela Rede Global Contra Crises Alimentares, uma aliança de agências das Organizações das Nações Unidas (ONU). O número de pessoas em crise ou pior quase dobrou entre os anos de 2016 e 2021, de acordo com o documento.

Nubank e Paxos firmam parceria para serviços de compra e venda de criptomoedas. O Nubank (NU) anunciou uma parceria com a startup de blockchain Paxos Trust para permitir que seus clientes comprem, vendam e mantenham criptomoedas. Os mais de 53 milhões de clientes do banco digital brasileiro apoiado pela Berkshire Hathaway (BRK/A), de Warren Buffett, poderão fazer transações em Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH), de acordo com Michael Coscetta, executivo da Paxos.

Saudi Aramco supera Apple como mais valiosa do mundo. A Saudi Aramco ultrapassou a Apple (AAPL) como a empresa mais valiosa do mundo, beneficiada pelo aumento nos preços do petróleo que está impulsionando o produtor e acelerando o aumento da inflação, estrangulando a demanda por ações de tecnologia.

Sachsida, agora ministro, foi um dos primeiros a embarcar na campanha de Bolsonaro. Homem de confiança de Paulo Guedes, o economista Adolfo Sachsida foi nomeado ministro das Minas e Energia no momento em que os preços dos combustíveis são um dos temas mais quentes da campanha eleitoral. Atacada por Lula publicamente para fustigar Bolsonaro e criticada até mesmo por aliados do Centrão, a política de preços da Petrobras é considerada obstáculo aos planos de reeleição do presidente.

Opinião Bloomberg

Como a obesidade está assolando países que saíram do mapa da fome

Talvez você não tenha notado pela forma como a inflação, os conflitos e a pandemia aumentaram os custos dos alimentos recentemente, mas o espectro da fome, que assombra a humanidade há milênios, está perto de ser vencido. Contudo, há uma tendência preocupante por trás dos números. A proporção de mulheres indianas que estavam acima do peso também quase dobrou, e agora o sobrepeso afeta mais pessoas do que a desnutrição. Por David Fickling.

Pra não ficar de fora

"Eu mesma estarei ali sendo sua mentora nos negócios", disse a cantora em um vídeo publicado no Instagramdfd

Depois de alcançar o topo das paradas musicais como a primeira brasileira com a canção mais tocada do mundo pelo Spotify (SPOT), Anitta agora busca conquistar as salas de aula. Reconhecida como empresária de sucesso, principalmente por administrar a própria carreira e pelo cargo de conselheira do Nubank (NU), a cantora dividirá seus conhecimentos de carreira em um curso de empreendedorismo - e usando sua própria trajetória como lição.

O curso livre de 30 horas leva o nome de “Anitta Prepara” e será lançado no próximo dia 23 em parceria com a Estácio, universidade do grupo Yduqs. Os módulos serão conduzidos sobre os temas empreendedorismo, estratégias e inovação, exemplificados com os casos reais da vida de Anitta, explicados pela própria cantora, com vídeos e informações inéditas de sua carreira, de acordo com comunicado da companhia, e também por mestres e PhDs no assunto.

“Nossa intenção é ajudar as pessoas a empreenderem, darem o primeiro passo, ou evoluir em seus negócios. Mas sempre com planejamento e estratégia, e não por acaso”, disse a cantora em nota enviada à Bloomberg Línea.

👩🏽‍💻 Em seu perfil do Instagram, Anitta contou, em um vídeo, que o curso atende a todos os públicos. “É um curso para quem quer criar, crescer, estruturar o próprio negócio. Desde a venda de quentinha, maquiagem, brownie, até um novo aplicativo. Eu mesma estarei ali sendo sua mentora nos negócios.”

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Edição: Michelly Teixeira | News Editor, Europe

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