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Mercados

Sachsida, agora ministro, foi um dos primeiros a embarcar na campanha de Bolsonaro

Para conselheiro ouvido pela Bloomberg Línea, temor é de interferência em preços através de lei dos anos 1990

Adolfo Sachsida, durante evento em novembro de 2021, ainda no cargo de secretário do Ministério da Economia
11 de Maio, 2022 | 03:51 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Línea — Homem de confiança de Paulo Guedes, o economista Adolfo Sachsida foi nomeado ministro das Minas e Energia no momento em que os preços dos combustíveis são um dos temas mais quentes da campanha eleitoral. Atacada por Lula publicamente para fustigar Bolsonaro e criticada até mesmo por aliados do Centrão, a política de preços da Petrobras é considerada obstáculo aos planos de reeleição do presidente.

O novo ministro de Minas e Energia é um bolsonarista de primeira hora e tido como um dos liberais restantes na Esplanada. Sachsida, então técnico do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), embarcou na campanha de Bolsonaro ainda em 2017, quando o então deputado ainda estava longe de liderar as pesquisas. Ele já era entusiasta da campanha de Bolsonaro, antes mesmo da chegada de Paulo Guedes.

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No primeiro momento, a substituição de Bento Albuquerque por Sachsida – que é próximo de Guedes – foi bem recebida pelo mercado. As ações da Petrobras (PETR4) mantêm ritmo de forte alta (+3,76%, às 15h45), seguindo o desempenho positivo de outras empresas do setor, alavancadas pela alta do preço do barril nos mercados globais (na sessão de hoje, o Brent ultrapassou US$ 108).

Leia mais: O que a troca do ministro de Minas e Energia significa para Guedes e a gasolina

Dentro do conselho e da direção da empresa, houve surpresa e inquietação com qual a missão que Sachsida vai desempenhar no ministério – a quem a Petrobras é, ao menos em organograma, subordinada. As nomeações para o conselho partem da pasta. A suspeita é que a troca de ministros embuta uma intenção de interferir nos preços artificialmente por razões políticas, disse um conselheiro da empresa à Bloomberg Línea.

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Hoje, a política de preços da Petrobras depende de uma governança fundamentada tanto na Lei das Estatais (lei nº 13.303/2016) quanto no estatuto da empresa aprovado depois do escândalo da Lava Jato – ambos em vigor desde a gestão de Pedro Parente no governo Michel Temer. A combinação desses instrumentos reduz o espaço para o sócio controlador, a União, implementar políticas que prejudiquem os minoritários.

Um dos conselheiros da empresa falou que um possível veículo de interferência na política de preços poderia ser a lei nº 9.478/1997, que regula a política energética nacional. Mais conhecida por ter acabado com o monopólio da Petrobras no país, a lei também traz no seu texto um mecanismo que dá ao governo o poder de agir “na proteção dos interesses dos consumidores quanto a preço” (art. 8º, inciso I).

Leia mais: Por que uma parte do PIB virou as costas à candidatura de Bolsonaro

Nesta semana, a Petrobras anunciou o aumento do diesel em 8,87% nas refinarias (alta de 40 centavos por litro). Principal fator de custo do frete no Brasil, o combustível subiu 49%, desatando uma onda de insatisfação com caminhoneiros, uma das bases do presidente Bolsonaro.

Há efeito cascata no restante da economia: segundo o IBGE, os combustíveis representaram quase um quinto do IPCA de abril (12,13%, o mais alto para o mês desde outubro de 2003).

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Histórico: Ainda no final de 2017, Sachsida participou das primeiras reuniões com Paulo Guedes e o também economista Marcos Cintra para delinear o programa econômico do candidato. Só depois disso é que o grupo foi recebendo os primeiros acréscimos: Roberto Castello Branco (que presidiu a Petrobras de 2019 até cair em abril de 2021, depois de ter entrado em conflito com o presidente Bolsonaro por causa da política de preços da Petrobras) e Rubem Novaes (que presidiu o Banco do Brasil também até abril de 2021, quando pediu demissão).

O grupo cresceu com a adesão de Roberto Campos Neto, então no Santander, Gustavo Montezano, ex-BTG Pactual, às discussões do plano econômico. Campos Neto foi nomeado para o Banco Central, e Montezano, para o BNDES. Os últimos a ingressarem neste grupo – o empresário Salim Mattar e o economista Paulo Uebel – foram os primeiros a sair do governo, ainda em agosto de 2020.

Mattar, sócio da Localiza, se disse desiludido quanto à possibilidade de executar um programa de privatizações arrojado no governo e Uebel, secretário do Ministério da Economia, pediu exoneração alegando não concordar com o adiamento do envio da reforma administrativa para o Congresso (a proposta nunca prosperou).

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Graciliano Rocha

Graciliano Rocha

Editor da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista formado pela UFMS. Foi correspondente internacional (2012-2015), cobriu Operação Lava Jato e foi um dos vencedores do Prêmio Petrobras de Jornalismo em 2018. É autor do livro "Irmã Dulce, a Santa dos Pobres" (Planeta), que figurou nas principais listas de best-sellers em 2019.

Pedro Canário

Pedro Canário

Repórter de Política da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero em 2009, tem ampla experiência com temas ligados a Direito e Justiça. Foi repórter, editor, correspondente em Brasília e chefe de redação do site Consultor Jurídico (ConJur) e repórter de Supremo Tribunal Federal do site O Antagonista.

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