Mercados cambaleiam com ressaca pós-Fed, dúvidas sobre guerra e decisão do BoE

Bolsas na Europa e futuros de índices nos EUA já foram do positivo ao negativo, com investidores embolsando ganhos no começo da manhã; Kremlin lança mais incertezas - ouro e petróleo avançam

As variáveis que orientarão os mercados
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Barcelona, Espanha — Manhã volátil nos mercados de renda variável. Tanto as bolsas europeias como os futuros de índices nos EUA já visitaram, no intervalo de poucas horas, os campos positivo e negativo. De um lado, os investidores se vêem tentados a embolsas os ganhos recentes. De outro, o Kremlin jogou um balde de água fria nos relatos de progresso nas negociações de paz na Ucrânia.

Com isso, aumentam as preocupações com as perspectivas de crescimento econômico mundial, em um contexto de aperto monetário dos bancos centrais para debelar a inflação galopante.

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Um porta-voz do Kremlin disse que um relatório de grande progresso nas negociações com a Ucrânia estava “errado”, mas que as discussões continuarão nesta quinta-feira (17). O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy dirigiu-se aos legisladores alemães um dia depois de um discurso ao Congresso dos EUA. Já o presidente norte-americano Joe Biden classificou o líder russo Vladimir Putin de “criminoso de guerra” e ofereceu US$ 800 milhões em novos armamentos para a Ucrânia.

As bolsas europeias, que abriram em alta e cederam depois, voltavam a subir. Mas os futuros de índices nos Estados Unidos não se sustentaram no azul e seguiam em queda. Os prêmios dos títulos do Tesouro recuam, com os investidores buscando refúgio nestes ativos, enquanto o ouro intensificou sua trajetória de alta. O petróleo bruto tipo WTI, que nas últimas sessões havia perdido valor, agora volta a encostar nos US$ 100 por barril. Os preços do gás natural europeu subiam após a redução dos embarques de gasodutos russos para a Alemanha, o que aumenta a preocupação em torno de possíveis rupturas de fornecimento.
🏦 Mais política monetária para digerir

Depois do Federal Reserve (Fed), hoje foi a vez de o Banco da Inglaterra (BoE) aumentar os juros. Elevou o custo do dinheiro em 0,25 ponto percentual, tal como seu homólogo nos Estados Unidos, para 0,75%. Este foi o terceiro aumento consecutivo e marca o ritmo mais rápido de aperto desde 1997, logo após o BoE ter conquistado a autoridade para estabelecer políticas de forma independente.

Ainda no campo da política monetária, o mercado acompanhará o pronunciamento da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde.

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🌊 Mar de expectativas

Após meses de conjeturas e expectativas, uma névoa foi dissipada: o Fed subiu os juros para o intervalo entre 0,25% e 0,5% e sinalizou outras seis altas similares este ano. Esse é o primeiro aumento de juros pelo banco central norte-americano em mais de três anos e vem na esteira da inflação em disparada nos EUA, potencializada agora pela pressão nas cadeias de produção por conta da guerra na Ucrânia.

O presidente do Fed, Jerome Powell, destacou que a economia segue forte para encarar o aperto monetário. A autoridade monetária dos EUA está entre vários bancos centrais mundiais, do Brasil ao Reino Unido, a subir o custo dos empréstimos para conter a inflação.

Sobre o futuro de seu balanço patrimonial, o Fed não forneceu pistas reveladoras. Disse apenas que começaria a permitir que seu balanço de US$ 8,9 trilhões encolhesse em uma “próxima reunião”.

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“Este tipo de política de normalização nem sempre termina bem”, disse Nicolas Forest, chefe global de renda fixa da Candriam Belgium SA. “Embora o Fed tenha iniciado seu ciclo de aperto mais tarde do que de costume, em uma época em que a inflação nunca foi tão alta, as condições financeiras também poderiam endurecer, tornando a meta de 2,80% ambiciosa em nosso ponto de vista. Neste contexto, é fácil entender por que a curva dos EUA se achatou”.

🔦 Macro no foco

O discurso de Lagarde vem justo no dia de divulgação do índice de preços ao consumidor na Zona do Euro. Nos Estados Unidos, a produção industrial será chave para que os analistas dimensionem o ritmo de crescimento da economia, bem como o comportamento das cadeias de abastecimento.

Leia também o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Bolsa volátil, juro alto: como investir?

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Dia volátil

🟢 As bolsas ontem: Dow (+1,55%), S&P 500 (+2,24%), Nasdaq (+3,77%), Stoxx 600 (+3,06%), Ibovespa (+1,98%)

Alta das bolsas nos Estados Unidos, na Europa e também no Brasil. Ao longo do dia, movimento foi sustentado por sinais do Kremlin de que há progresso nas negociações de paz com a Ucrânia. Também ajudou a promessa da China de políticas para estimular o crescimento econômico e impulsionar seus mercados financeiros. O Fed aumentou os juros, o S&P 500 chegou a cair quase 1,5%, mas no final a declaração do presidente do Fed injetou otimismo nos mercados: Jerome Powell, disse que “a economia está muito forte e bem posicionada para lidar com uma política monetária mais rígida”.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:• EUA: Licenças de Construção/Fev; Construção de Novas Casas/Fev, Pedidos iniciais de Seguro-Desemprego; Produção Industrial/Fev; Utilização da Capacidade Instalada/Fev; Índice de Atividade Industrial Fed Filadélfia/Mar); Estoques de Gás Natural; Vendas da Indústria/Fev

• Europa: Zona do Euro (IPC/Fev); Alemanha (Licenciamento de Veículos/Fev); Espanha (Balança Comercial)

• Ásia: Japão (IPC/Fev)

• Bancos centrais: Decisão sobre taxas de juros do Bank of England (BoE, às 9h de Brasília) e do Bank of Japan (BoJ, às 23h30). Pronunciamentos de membros do BCE: Christine Lagarde (presidente), Elizabeth McCaul, Philip Lane (BCE), Isabel Schnabel, Ignazio Visco

• América Latina: Brasil (IBC-Br/Jan)

📌 E para amanhã:

• EUA: Vendas de Casas Usadas/Fev; Índice de Indicadores Antecedentes dos EUA/Fev

• Europa: Zona do Euro (Balança Comercial/Jan, Custo da Mão de Obra/4T21); Itália (Balança Comercial/Jan), Portugal (Transações Correntes/Jan)

• Ásia: Japão (Índice de Atividade da Indústria Terciária)

• Bancos centrais: Declaração de Política Monetária do Bank of Japan (BoJ); Discursos de Thomas Barkin, membro do FOMC, e de Charles Evans, presidente do Fed de Chicago

• América Latina: Brasil (Taxa de Desemprego)

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-- Com informações de Bloomberg News