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BC eleva Selic a 11,75% e prevê nova alta de juro de 1 ponto para conter inflação

As apostas em alta de juros foram reforçadas nos últimos dias pelo reajuste dos preços dos combustíveis pela Petrobras

BC protagoniza um dos ciclos de aperto monetário mais agressivos da história
16 de Março, 2022 | 07:16 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (16) elevar a taxa básica de juros pela nona vez consecutiva. O Copom determinou uma alta de 1,0 ponto percentual na Selic, para 11,75%, o maior nível desde fevereiro de 2017, em linha com as expectativas do mercado.

No comunicado, o BC aponta que deve fazer um novo aumento de juros da mesma magnitude e levar a política monetária a um território ainda mais contracionista. “Para a próxima reunião, o Comitê antevê outro ajuste da mesma magnitude”, disse o BC em nota.

Segundo a autoridade monetária, os passos futuros do aperto poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

“O Copom considera que, diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista”, disse.

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No comunicado, o BC admitiu que os prêmio de risco e os preços dos ativos podem ser afetados por “políticas fiscais que impliquem impulso adicional da demanda” ou piorem a trajetória fiscal. “Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o Comitê avalia que a incerteza em relação ao arcabouço fiscal mantém elevado o risco de desancoragem das expectativas de inflação, mas considera que esse risco está sendo parcialmente incorporado nas expectativas de inflação e preços de ativos utilizados em seus modelos”, disse.

Para economistas, o tom do comunicado veio mais duro do que a própria decisão de aumento de juros de 1 ponto percentual e a sinalização de outra alta da mesma magnitude:

  • “O comunicado pós-reuniao trouxe um tom mais duro, mais hawkish do que o resultado. A inflação continua surpreendendo negativamente e a recente alta nos preços das commodities trouxe ainda mais incertezas para o quadro futuro da inflação, com as projeções sendo revisadas para cima constantemente. O BC pontuou que uma piora adicional no quadro no quadro fiscal, via aumento de gastos e queda da arrecadação, foi também fundamentais para a decisão”, disse Fernanda Consorte, economista chefe do Banco Ourinvest.
  • Devemos ver o real se apreciando amanhã no choque entre a decisão de agora do BC e mais cedo do Fed. Mantemos nossa projeção de dólar a R$ 5,00 ao final de 2022. O Comunicado da decisão do Copom aponta para uma série de desafios onde impera uma volatilidade maior que a usual. Neste sentido, a autoridade monetária já ante vê mais uma alta de 100 pontos. Acreditamos que o BC deve elevar a taxa até os 13,25%, ou seja, além de mais uma alta de 100 pontos em maio teremos outra alta em junho de 50 pontos base”, disse André Perfeito, economista da Necton.

IPCA em 6,45%

As apostas de alta de juros foram reforçadas nos últimos dias pelo reajuste dos preços dos combustíveis pela Petrobras (PETR3) (PETR4). A projeção para o IPCA na última pesquisa Focus antes do Copom avançou de 5,65% para 6,45%, enquanto a inflação implícita de dois anos atingiu 6,68%.

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A maioria dos 30 economistas pesquisados pela Bloomberg previa que o Copom elevaria a Selic de 10,75% para 11,75%, mas dois esperavam alta para 12% e outros dois estimavam que o ritmo de 1,5 pp seria mantido, levando a taxa para 12,25%.

Mais cedo, o Federal Reserve também elevou os juros básicos americanos pela primeira vez em quase quatro anos. A taxa foi para o intervalo entre 0,25% e 0,5% e o Fed sinalizou mais seis aumentos similares ao longo deste ano. Ao comentar a decisão, o presidente do Fed, Jerome Powell, disse que a “economia está muito forte e bem posicionada para lidar com uma política monetária mais rígida”. Ele também observou que a probabilidade de uma recessão “não é particularmente elevada”.

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Kariny Leal

Kariny Leal

Jornalista carioca, formada pela UFRJ, especializada em cobertura econômica e em tempo real, com passagens pela Bloomberg News e Forbes Brasil. Kariny cobre o mercado financeiro e a economia brasileira para a Bloomberg Línea.

Toni Sciarretta

Toni Sciarretta

News director da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista com mais de 20 anos de experiência na cobertura diária de finanças, mercados e empresas abertas. Trabalhou no Valor Econômico e na Folha de S.Paulo. Foi bolsista do programa de jornalismo da Universidade de Michigan.

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