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Mercados

Mercados caem com expectativa sobre juros na Europa e inflação nos EUA

Além de reunião do BCE e IPC dos EUA, bolsas na Europa e futuros de índices nos EUA repercutem a falta de um acordo entre Rússia e Ucrânia; ouro e petróleo voltam a subir

As variáveis que orientarão os mercados
10 de Março, 2022 | 08:29 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Barcelona, Espanha — Depois da forte alta de ontem, impulsionada pelos caçadores de pechinchas após quatro dias de queda, as ações voltam a cair nas bolsas europeias e no mercado futuro de índices dos EUA. O petróleo volta a subir. Hoje é um dia chave para os mercados internacionais, no qual o foco coloca a política monetária em primeiro plano. O Banco Central Europeu (BCE) faz sua primeira reunião de política monetária desde a eclosão da guerra na Ucrânia. 

Antes da guerra, o mercado descontava aumentos de juros já este ano, mas o quadro de incerteza deixa os investidores reticentes com relação ao plano de ação da autoridade monetária. Portanto, a expectativa é grande com relação à decisão do BCE e subsequente coletiva de imprensa de sua presidente, Christine Lagarde. 

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  • Há pouco, operavam em queda tanto as bolsas europeias como os contratos futuros de índices nos Estados Unidos. Ouro e títulos soberanos ganhavam valor, enunciando a busca por proteção, e o petróleo voltava a subir.
👀 Olhos na inflação

Outro dado relevante e que lançará as bases para as ações de política monetária, desta vez do Federal Reserve (Fed), é a inflação ao consumidor nos Estados Unidos, que atualmente se encontra no maior nível desde 1982. Se espera que suba para 7,9% em fevereiro, contra os 7,5% da leitura anterior, o que seria o sexto mês sucessivo de alta. Para frear a inflação, Powell disse apoiar uma subida de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, programada para a semana que vem.

A luta contra a escalada de preços se tornou prioritária pela maioria dos governos. Mas com a guerra trazendo incertezas sobre a configuração geopolítica e pressionando ainda mais as cotações das commodities, que já respinga no bolso do consumidor, a economia mundial pode se ver ameaçada e um aperto monetário muito forte pode ser contraproducente.

Leia também o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Vale do Silício no Brasil

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🚫 Sem acordo

No que diz respeito à guerra, os olhos, claro, continuam atentos. Rússia e Ucrânia não conseguiram progressos para deter a guerra e superar suas diferenças nas primeiras conversas de alto escalão desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro. A Rússia indicou que continuará a atacar até que seus objetivos sejam atingidos, disse o ministro das Relações Exteriores ucraniano Dmytro Kuleba após a reunião de cerca de 90 minutos com seu homólogo russo Sergei Lavrov, na Turquia, hoje.

“A ampla narrativa que ele me transmitiu é que eles continuarão sua agressão até que a Ucrânia cumpra suas exigências, e a menor destas exigências é a rendição”, disse Kuleba.

Ontem, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy repetiu que estaria disposto a considerar alguns compromissos para acabar com os combates na Ucrânia, uma postura que mantém desde o início da guerra, acrescentando que não permitiria uma “traição” ao seu país.

🛢️ Petróleo

Os Emirados Árabes Unidos disseram ontem que apelarão a seus companheiros membros da OPEP+ para aumentar a produção de petróleo mais rapidamente, uma reviravolta dramática que poderia colocar o país contra os companheiros da aliança liderada pela Arábia Saudita e a Rússia. Isso provocou uma queda brusca nos preços da matéria-prima ontem.

Algumas horas depois, o Ministro da Energia Suhail Al-Mazrouei apareceu para paliar a mensagem no Twitter, dizendo que os Emirados Árabes Unidos estão comprometidos com o acordo da OPEP+. O petróleo, então, voltou a se estabilizar e hoje volta a encadear forte alta.

Leia também: Semana de forte volatilidade para o petróleo continua após queda brusca dos preços

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Depois do repique de ontem, mercados acionários voltam a cairdfd

🟢 As bolsas ontem: Dow (+2,00%), S&P 500 (+2,57%), Nasdaq (+3,59%), Stoxx 600 (+4,68%), Ibovespa (+2,43%)

O apetite pelo risco voltou com força aos mercados acionários globais - os indicadores dos EUA tiveram o seu melhor dia desde 2020. A queda dos preços das commodities, que aliviou momentaneamente as preocupações com a inflação, e a porta aberta pela Ucrânia nas negociações com a Rússia inverteram a tendência negativa que tem dominado o mercado desde que a guerra eclodiu.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

• EUA: IPC/Fev, Pedidos Iniciais de Seguro-Desemprego; Rendimento Real/Fev, Estoques de Gás Natural

• Europa: Cúpula de Líderes da UE; Alemanha (Saldo das Transações Correntes/Jan); Itália (IPP/Jan)

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• Ásia: Japão (Gastos Domésticos/Jan, Índice BSI de Confiança dos Grandes Fabricantes)

• América Latina: Brasil (Vendas no Varejo/Jan); Peru (Decisão de política monetária); Argentina (Origem das exportações/2021)

• Bancos centrais: Decisão do Banco Central Europeu (BCE) sobre juros

📌 E para amanhã:

• EUA: Índice de Confiança do Consumidor e Expectativas de Inflação/Mar - Universidade de Michigan

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• Europa: Cúpula de Líderes da UE; Alemanha (IPC/Fev); Reino Unido (PIB, Produção Industrial/Jan, Produção do Setor de Construção/Jan, Índice de Serviços, Balança Comercial); Espanha (IPC/Fev)

• América Latina: Brasil (IPCA/Fev); México (Produção Industrial/Jan)

• Bancos centrais: Pesquisa BOE sobre Expectativas de Inflação

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-- Com informações de Bloomberg News

Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.

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