Bloomberg Línea — O segundo trimestre foi marcado por um ambiente mais desafiador para o mercado imobiliário. A escalada das tensões no Oriente Médio elevou as preocupações com os custos da construção, enquanto atrasos na emissão de alvarás em São Paulo afetaram o cronograma de lançamentos de incorporadoras e construtoras.
No entanto, o cenário tende a ficar mais previsível nos próximos meses, segundo o co-CEO da Cury Leonardo Mesquita, que assumiu o comando da incorporadora em abril ao lado de Paulo Cury, após atuar como vice-presidente comercial da companhia.
“Se não surgir nenhuma novidade no terceiro trimestre, a gente entende que tende a ser um período mais tranquilo e sem grandes surpresas. O objetivo continua sendo manter um ritmo consistente ao longo do ano”, afirmou Mesquita em entrevista à Bloomberg Línea.
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Os últimos meses foram marcados por uma postura mais defensiva, com executivos atentos ao avanço do conflito no Oriente Médio e as consequentes incertezas sobre o petróleo e os custos da construção.
No cenário local, o desafio veio com os entraves na emissão de alvarás em São Paulo, que retardaram a aprovação de projetos e afetaram o cronograma de lançamentos na principal praça de atuação da Cury.
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Elevar o preço das unidades lançadas foi uma das estratégias reforçadas pela incorporadora tanto neste trimestre quanto no anterior.
O preço médio das unidades lançadas atingiu R$ 344,6 mil no segundo trimestre, alta de 4,2% em relação ao trimestre anterior e de 2% na comparação anual. Já o preço médio das vendas subiu para R$ 331 mil, avanço de 6,9% em relação ao segundo trimestre de 2025.
“Como já vínhamos de uma boa velocidade de vendas, nos sentimos confortáveis para esticar um pouco os preços, sentir o mercado e atravessar um período que parecia mais desafiador em relação à inflação. O grande objetivo era lançar projetos já enquadrados em uma nova realidade de custo de construção, sem alterar muito a operação”, afirmou.
Ações da Cury (CURY3)
Apesar do reajuste, Mesquita afirmou que o impacto do aumento dos preços sobre a demanda foi limitado. As vendas líquidas somaram R$ 2,04 bilhões no trimestre, queda de 9,6% na comparação anual.
Para o executivo, porém, o desempenho das vendas ficou abaixo do esperado principalmente pelo adiamento de um lançamento no Rio de Janeiro, após atrasos na aprovação da legislação necessária para o empreendimento.
“O aumento de preço pode ter causado uma pequena acomodação, mas o principal impacto veio do atraso desse lançamento”, disse.
Em sua avaliação, a Cury preservou indicadores que considera essenciais para medir a qualidade da operação. A companhia encerrou o trimestre com geração de caixa operacional de R$ 144,9 milhões — o 29º trimestre consecutivo de caixa positivo — e ampliou seu banco de terrenos para um recorde de R$ 26,1 bilhões em VGV potencial.
A prévia operacional também mostrou que a companhia manteve um ritmo elevado de expansão. Os lançamentos somaram R$ 2,26 bilhões em valor geral de vendas (VGV) no segundo trimestre, alta de 1,4% em relação ao mesmo período do ano passado, distribuídos em 11 empreendimentos – oito em São Paulo e três no Rio de Janeiro.
No período, a Cury produziu 5.737 unidades, crescimento de 41,8% na comparação anual, enquanto o banco de terrenos alcançou um recorde de R$ 26,1 bilhões em VGV potencial, equivalente a 84.055 unidades e avanço de 23,6% em relação ao segundo trimestre de 2025.
A expectativa futura é de um ambiente operacional mais favorável. Com parte dos atrasos em alvarás resolvida e menor preocupação em relação à inflação, a companhia acredita que poderá manter um ritmo de crescimento semelhante ao do segundo trimestre, porém com menos volatilidade.
As ações da Cury (CURY3) encerraram a terça-feira (7) em queda de 2,40%, acompanhando a baixa do Ibovespa no dia. Ainda assim, os papéis acumulam valorização próxima a 7% em 2026.
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