Bom dia! Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças.
A rápida escalada da guerra na Ucrânia e das sanções financeiras sem precedentes contra o Banco Central da Rússia têm potencial para provocar um colapso econômico no país porque tornou inacessíveis a maior parte de suas reservas em moeda forte. O rublo já perdeu cerca de 30% de seu valor e há uma corrida bancária no país.
“É bem importante entender que é uma crise cambial que pode descambar para uma crise financeira. A crise cambial aleija, a crise financeira mata”, diz o professor de finanças Rodrigo Zeidan, de Xangai (China) à Bloomberg Línea.
Autor do livro “Economics of Global Business” (MIT Press) e professor da New York University em Xangai e da Fundação Dom Cabral (Brasil), Zeidan afirma que o mundo assiste, em tempo real, à destruição da décima maior economia global.
🟢 Nesta entrevista, Zeidan analisa o impacto das sanções adotadas à Rússia, o papel que a China joga nesta crise internacional e, comparando a atual crise com as do passado, crava que o potencial de dano agora é muito maior do que em outros momentos do passado.

Na trilha dos Mercados
Os desdobramentos bélicos e a reação da Rússia à enxurrada de sanções e vetos que vem recebendo têm posição de destaque na pauta. Porém, o mercado jogará muita luz sobre dados macroeconômicos e pronunciamentos de lideranças de bancos centrais, a fim de encontrar pistas sobre a estratégia monetária, sobretudo quanto aos juros.
Além de uma bateria de índices PMI ao redor do globo, que permitirão medir a temperatura das economias, hoje nos Estados Unidos sai o índice ISM do setor de manufatura. O indicador está situado em um bom nível, 57,6 pontos e os analistas esperam ainda uma ligeira melhora na medição de fevereiro.
🏦 Ansiosos por sinais do Fed
Mas o que o mercado mais anseia é o pronunciamento, amanhã, do presente do Federal Reserve (Fed) Jerome Powell. Indicará se a invasão russa à Ucrânia alterará a estratégia do banco central - fim da recompra de ativos, balanço patrimonial e, sobretudo, velocidade e intensidade dos aumentos dos juros?
🟢 Enquanto estas indicações não vêm, os mercados operam a um passo cauteloso, embora bem mais tranquilo que o de ontem.

🟢 As bolsas ontem: Dow (-0,49%), S&P 500 (-0,24%), Nasdaq (+0,41%), Stoxx 600 (-0,09%), Ibovespa (bolsa fechada por feriado)
As bolsas americanas fecharam majoritariamente em baixa no quinto dia da invasão da Ucrânia, ainda que menos pronunciada do que a indicada ao longo da sessão. No mês, os três principais índices dos EUA fecharam com perdas superiores a 3%,repetindo a tendência do mês de janeiro. Ontem, o governo de Vladimir Putin reagiu às sanções emitidas pelo Ocidente: proibiu todos os residentes russos de transferir moeda estrangeira para o exterior, inclusive para a dívida externa.
Saiba mais sobre o vaivém dos Mercados
No radar
Esta é a agenda prevista para hoje:
• Feriado no Brasil e na Argentina• PMIs Industriais e de Serviços do países como EUA, Canadá, Japão, China, Itália, França, Alemanha, Zona do Euro, Reino Unido
• Europa: Reino Unido (Aprovações de Hipotecas, Crédito ao Consumidor), Alemanha (Índice de Preços ao Consumidor - Prévia de Fevereiro)
• América do Norte: EUA (Índice ISM de Manufatura/Fev; Índice Redbook; Gastos de Construção/Jan, Discurso do presidente Joe Biden); Canadá (PIB 4T21)
• Bancos Centrais: Decisão sobre a política monetária do BC da Austrália Pronunciamentos de Michael Saunders e Mann (BoE)
• Balanços: Salesforce, Target
📌 E para amanhã:
• Europa: Alemanha (Taxa de desemprego/Fev), Zona do Euro (CPI flash/Fev);
• EUA: Empregos ADP/Fev;
• Bancos Centrais: Decisão de política monetária do Banco do Canadá. Federal Reserve divulga o seu Livro Bege, o presidente do Fed Jerome Powell faz seu testemunho semestral ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara. Pronunciamentos de Charles Evans e James Bullard (Fed), Joachim Nagel (BCE), Philip Lane e Silvana Tenreyro (BoE)
Destaques da Bloomberg Línea
• Vale vê ‘valor potencial’ de metais básicos em US$ 40 bi
• TV russa é expulsa do Canadá com escalada de tensões
• Quanto custa encher o tanque de gasolina pela América Latina?
• Commodities disparam com paralisações de embarques e dificuldade de financiamento
Também é importante

• Airbnb fornecerá acomodação para 100 mil refugiados ucranianos. O Airbnb (ABNB) está oferecendo moradia gratuita de curto prazo para até 100.000 refugiados ucranianos que estão fugindo da invasão russa de seu país e trabalharão com estados europeus vizinhos para fornecer estadias de longo prazo.
• Twitter adiciona etiquetas de aviso em links da mídia estatal russa. O Twitter (TWTR) vai começar a rotular todos os links de veículos russos apoiados pelo Estado compartilhados em sua plataforma. A medida é a mais recente tentativa das redes sociais de se distanciar da mídia pró-Rússia desde o início da invasão da Ucrânia.
• Dono do Chelsea é contatado pela Ucrânia para ajudar a negociar a paz. O proprietário do Chelsea Football Club, Roman Abramovich, está tentando ajudar a mediar o fim da guerra na Ucrânia, disse seu porta-voz na segunda-feira.
• Blockchain reduz custo de montadora chinesa de carro elétrico. À medida que as montadoras voltam suas atenções para a produção de carros de emissão zero, a aplicação de tecnologias futuristas como blockchains está ajudando os esforços para reduzir custos em meio à concorrência acirrada. Gigantes globais como Mercedes, BMW e Toyota, delinearam suas abordagens para adotar a tecnologia de contabilidade digital descentralizada. Na China, as montadoras do país também estão seguindo ativamente o exemplo.
• Para Guedes, Fed está ‘dormindo no volante’. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o Federal Reserve está “dormindo no volante” e que a inflação brasileira pode ficar menor do que a americana ainda neste ano. “O Fed está bem atrás da curva. O Banco Central Europeu está atrás da curva. Estou muito mais preocupado com vocês aqui [nos EUA]. A inflação estava chegando e o Federal Reserve estava dormindo no volante”, afirmou durante a entrevista à Bloomberg TV, em Nova York.
Opinião Bloomberg
Como o aquecimento global beneficia a produção de alimentos da Rússia
Uma das maiores fraquezas estratégicas da Rússia recentemente se transformou em uma vantagem. As mudanças climáticas podem inclinar ainda mais a balança a favor de Moscou. A produção agrícola - tradicionalmente uma área em que a Rússia teve um desempenho inferior devido à baixa qualidade de suas terras agrícolas, consideradas frias e propensas à seca - cresceu na última década.
Isso é importante porque as exportações de alimentos têm fator crucial para a segurança e a diplomacia, e um aspecto que os EUA e a União Europeia - considerados com alta segurança alimentar - têm uma vantagem embutida. Mesmo que o presidente Vladimir Putin tenha exagerado em sua invasão da Ucrânia, a comida é uma área em que a influência da Rússia deve aumentar em vez de se deteriorar nas próximas décadas.
Pra não ficar de fora

A Seleção Russa ficará de fora da Copa do Mundo do Catar, em novembro deste ano, após a decisão da FIFA de suspender o país de competições, em mais uma sanção à nação de Vladimir Putin. Em comunicado conjunto, a União das Federações Europeias de Futebol, UEFA, também proibiu que as equipes russas participem de seus torneios.
Com a medida anunciada nesta segunda-feira (28), a equipe russa não poderá disputar uma partida de repescagem das Eliminatórias da Copa. A Seleção jogaria contra a Polônia no próximo dia 24, que já havia se manifestado em oposição à partida. O país tem sido o principal destino de refugiados ucranianos.
A decisão da FIFA e da UEFA atinge equipes masculinas e femininas, principais e de base. A Rússia ainda pode recorrer da decisão ao Tribunal Arbitral do Esporte. Assim, a Seleção russa feminina também não poderá disputar a Eurocopa Feminina, que será disputada na Inglaterra em julho.


