Ásia e futuros de NY iniciam março com ganhos apesar de tensão na Ucrânia

Interrupções no fornecimento de matérias-primas, como grãos e energia, ameaçam alimentar a inflação e dificultar o crescimento

Ásia e futuros de NY iniciam março com ganhos apesar de tensão na Ucrânia
Por Andreea Papuc
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Bloomberg — Os mercados de ações subiram na Ásia nesta terça-feira, enquanto um rali do petróleo bruto foi interrompido em meio a uma pausa na intensa volatilidade desencadeada pela guerra na Ucrânia e pelas amplas sanções impostas à Rússia.

As ações avançaram no Japão e na Austrália, enquanto os futuros de ações dos EUA flutuaram. O S&P 500 (SPX) reduziu a maior parte de uma queda na segunda-feira no fechamento e o Nasdaq 100 (NDX), referência em tecnologia, terminou com alta.

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Os títulos do Tesouro dos EUA devolveram parte da alta na sessão de Wall Street, que foi impulsionada pela aversão ao risco e pelo reequilíbrio no final do mês. O dólar pouco mudou. O petróleo subiu, com os traders focados na possível liberação de estoques de emergência para combater os temores de interrupção nas exportações russas.

Os mercados da Rússia continuam sob pressão após os EUA e seus aliados se moverem para bloquear o acesso do Banco da Rússia às reservas cambiais e suspender alguns bancos do sistema de mensagens Swift.

O presidente Vladimir Putin anunciou contra-sanções, enquanto as autoridades locais também introduziram alguns controles de capital para tentar conter a queda do rublo. Há um risco crescente de que as ações e títulos da Rússia possam ser expulsos dos principais benchmarks de investimento à medida que se tornam cada vez mais difíceis de negociar.

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Os mercados foram prejudicados pelo conflito e pelas medidas para isolar a Rússia, um país rico em commodities. Interrupções no fornecimento de matérias-primas, como grãos e energia, ameaçam alimentar a já alta inflação e dificultar o crescimento, no momento em que o Federal Reserve se prepara para aumentar as taxas de juros. Credores em todo o mundo já estão dificultando o financiamento de transações envolvendo recursos russos.

“Poderíamos ver uma queda mais longa para a inflação aqui” em meio às pressões adicionais sobre os preços da energia, disse Tracie McMillion, chefe de estratégia global de alocação de ativos do Wells Fargo Investment Institute, à Bloomberg Television. Ela disse que um aumento de meio ponto percentual do Fed em março “provavelmente está fora da mesa”, acrescentando que espera quatro aumentos de um quatro de ponto em 2022.

Comprar na baixa

O presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, que não vota na política monetária este ano, disse que é a favor do aumento das taxas em 25 pontos-base em março e consideraria um movimento de meio ponto se a inflação não cair.

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“Nas próximas semanas, veremos muitos giros e um potencial para uma queda ainda maior”, disse Andy Kapyrin, codiretor de investimentos da Regentatlantic Capital LLC, à Bloomberg Television. “Mas essa será uma baixa que vale a pena comprar porque a maioria das crises geopolíticas são resolvidas com relativa rapidez.”

Entre as criptomoedas, o Bitcoin (BTC) ultrapassou US$ 43 mil com a especulação de que os tokens digitais poderiam ser cada vez mais usados para pagamentos após as sanções contra a Rússia.

Os investidores estão aguardando a decisão de política monetária do Reserve Bank of Australia, que deve deixar as taxas de juros em um nível recorde. Relatos de que Hong Kong está planejando um lockdown para garantir que um teste obrigatório de covid-19 seja feito em toda população deve afetar o início das negociações na cidade.

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O que acompanhar nesta semana:

  • Discurso do presidente Joe Biden sobre o Estado da União, na terça-feira;
  • Decisão de política monetária do Reserve Bank of Australia, terça-feira;
  • Presidente do Fed, Jerome Powell, fala no Congresso sobre política monetária, quarta e quinta-feira;
  • Reunião da OPEP+, quarta-feira;
  • IPC da zona euro, quarta-feira;
  • Decisão da taxa do Banco do Canadá, quarta-feira;
  • BCE publica a ata da sua reunião de fevereiro, quinta-feira;
  • EUA: Payroll, folhas de pagamento não agrícola, sexta-feira;

Alguns dos principais movimentos nos mercados:

Ações

  • Os futuros de S&P 500 (ESH2) tinham alta de 0,2% às 22h50 em Tóquio (23h50 em Brasília). Na segunda, o S&P 500 caiu 0,2%;
  • Os futuros do Nasdaq 100 (NQH2) subiam 0,1%. O Nasdaq 100 subiu 0,3% na segunda;
  • O índice Topix, de Tóquio, tinha alta de 1,2%;
  • O S&P/ASX 200 da Austrália (AS51) subia 1,4%;
  • O índice Kospi (KOSPI), de Seul, subia 0,8%;

Moedas

  • O iene japonês (JPY) recuava 0,1% para 115,16 por dólar;
  • O yuan offshore (CNH) estava em 6,3104 por dólar;
  • O Bloomberg Dollar Spot Index (DXY) operaca estável;
  • O euro (EUR) recuava 0,1% para US$ 1,1208;

Renda fixa

  • O rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos subia três pontos base para 1,85%;

Commodities

  • O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) subia 0,4% para US$ 96,08 o barril;
  • O ouro era negociado a US$ 1.906,15 a onça.

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