VTEX amplia aposta para digitalizar vendas B2B e crescer além do varejo online

Sob a liderança de Massimo Enea, divisão B2B concentra neste ano os maiores times técnicos e um dos maiores orçamentos de P&D da operação brasileira; demanda das empresas de digitalizar seus canais de vendas corporativas impulsiona o movimento, diz o executivo à Bloomberg Línea

Prédios de escritório em São Paulo: De acordo com dados da Gartner, até 2028, mais de US$ 15 trilhões em gastos B2B serão feitos por meio de plataformas de intercâmbio de agentes de IA. (Foto: Paulo Fridman/Bloomberg)
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Bloomberg Línea — A VTEX (VTEX) tem buscado se estabelecer como uma plataforma digital capaz de atender grandes operações corporativas em suas vendas B2B, superando a percepção histórica de ser uma fornecedora de tecnologia voltada prioritariamente ao varejo que se conecta ao consumidor final.

Nesse movimento, a multinacional brasileira de tecnologia, listada na Bolsa de Valores de Nova York desde 2021, elegeu sua divisão B2B como uma das principais apostas para crescer.

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Sob o comando do italiano Massimo Enea, executivo que está há cinco anos na companhia, a unidade B2B conta neste ano com os maiores times de engenharia e os investimentos em pesquisa e desenvolvimento na operação brasileira.

Em entrevista à Bloomberg Línea, Enea diz que vê dois elementos na busca dos clientes pela digitalização de suas vendas B2B. “Em primeiro lugar, há uma vontade de melhorar os processos. Em segundo, o que para mim é o verdadeiro driver de toda a digitalização das indústrias, o cliente na ponta já está fazendo as suas pesquisas online”, afirma.


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Segundo o executivo, os negócios no segmento B2B começaram de forma orgânica dentro da companhia, quando os próprios clientes no B2C buscavam a VTEX para usar a plataforma em seus canais voltados a vendas corporativas.

A área passou a receber mais atenção e investimentos em 2024 e, desde abril deste ano, começou a ser liderada por Enea, quando a companhia decidiu contar com duas presidências localmente. A operação B2C ficou sob o comando de Michel Tauil, empreendedor e ex-CEO da marca de moda praia BlueMan.

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Hoje a divisão B2B representa uma participação de um dígito médio na receita e cresce em um ritmo muito mais acelerado do que as outras áreas, segundo dados da companhia.

Quando somada às áreas VTEX Ads, mercados global e CX Platform, o braço B2B representa 15% da receita total, que atingiu US$ 240,5 milhões em 2025, alta de 6,1% em dólar. A VTEX opera atualmente em 44 países e o Brasil é o principal mercado, respondendo por 57,7% do total.

Para avançar no segmento B2B, a estratégia imediata passa por dar visibilidade a contratos complexos que a empresa operava sem divulgação pública, segundo Enea. “Temos vários cases que nunca publicamos”, diz.

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O executivo cita a operação da Stanley Black&Decker, que hoje utiliza a VTEX para processar 100% dos pedidos de sua força de vendas no Brasil, na Índia e na Coreia do Sul, além de projetos com a Electrolux, com quem desenvolveu uma estrutura para facilitar a compra de peças por assistências técnicas, reduzindo os prazos de 20 para cinco dias.

Presidente da vertical de B2B, Massimo Enea conta hoje com os maiores times de engenharia e os maiores investimentos da companhia

As conversas, em geral, são iniciadas com os times de vendas das companhias para identificar as principais necessidades, antes dos contatos com a área de tecnologia, uma diferença em relação ao que acontece no mercado B2C.

Globalmente, a VTEX liderada por Mariano Gomide e Geraldo Thomaz, cofundadores e co-CEOs, tem 2.200 clientes ativos em 44 países, como Carrefour, Colgate, KitchenAid, Lindt, Whirlpool e Electrolux.

Influência da IA

Um dos fios condutores nesse processo é a inteligência artificial. De acordo com dados da consultoria Gartner, até 2028, 90% das compras B2B serão intermediadas por agentes de IA, direcionando mais de US$ 15 trilhões em gastos B2B por meio de plataformas de intercâmbio de agentes de IA.

Segundo Enea, as novas tecnologias desenvolvidas para o setor com o IA buscam multiplicar o trabalho do vendedor, e não diminuir o número de profissionais.

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No último VTEX Day, evento anual da companhia, foi apresentado, por exemplo, a ferramenta PDF to Order, que usa inteligência artificial para converter arquivos PDF em pedidos de forma automática, eliminando processos manuais.

Na edição, também foi lançado o VTEX AI Workspace, ambiente para a criação de agentes nativos para automatizar processos críticos como gestão de catálogo, merchandising, buscas e promoções.

“O que falamos aqui dentro é sobre a transformação dos papéis. O vendedor não vai deixar de existir. Provavelmente, esse vendedor do futuro será um grande gestor de agentes outbound ou de agentes de pipeline.”

Ações da Vtex (VTEX)

4.415USD+1.03%
+0.05 USD
1D
1M
3M
YTD
1A
3A
5A
Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.

Enquanto este momento não chega, a vertical B2B da VTEX quer ancorar as estratégias de crescimento, para além do branding, na conquista da conta de clientes que estão na base B2C.

Outro caminho é encontrar novos clientes fora de São Paulo, principalmente para expandir os setores de atuação, como o agro (no interior do estado e no Centro-Oeste) e a indústria têxtil, com alta penetração em parte do Sul e do Nordeste.

“O B2B é muito capilarizado no Brasil. A partir de parcerias e do nosso trabalho regional, acreditamos que iremos conseguir cada vez mais clientes”, disse o executivo italiano, listando as viagens que tem feito por diversos estados, em especial no Nordeste e no Sul.

A companhia tem atraído parceiros para novos produtos na plataforma, com a oferta de crédito para facilitar as vendas que hoje conta com quatro instituições. Segundo o executivo, a empresa não terá uma operação própria.

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