ONU associa redes sociais à piora da saúde mental de jovens, mais forte em meninas

Relatório Mundial da Felicidade de 2026 aponta que consumo passivo guiado por algoritmos está ligado a maior incidência de depressão e ansiedade entre jovens, com impacto mais forte sobre meninas, mais expostas a crimes digitais e cyberbullying

A Finlândia continua sendo o país mais feliz do mundo, seguida por Islândia e Dinamarca, segundo o relatório
Por Kati Pohjanpalo
22 de Março, 2026 | 09:02 AM

Bloomberg — O consumo passivo de redes sociais baseadas em algoritmos prejudica a saúde mental dos adolescentes, de acordo com o Relatório Mundial da Felicidade de 2026

O índice amplamente citado e apoiado pela ONU, que analisa os níveis globais de felicidade, concentrou-se este ano no impacto do uso da mídia social sobre a saúde mental. A Finlândia, que liderou o ranking em anos anteriores, foi novamente nomeada a nação mais feliz do mundo.

PUBLICIDADE

O relatório, publicado na quinta-feira (18), afirma que o uso intenso das mídias sociais parece estar contribuindo para a queda do bem-estar entre os jovens e afeta as meninas de forma desproporcional. Isso se deve a crimes digitais, como extorsão sexual, em que alguém ameaça divulgar imagens íntimas das vítimas, e ao cyberbullying, bem como ao fato de os jovens apresentarem índices mais altos de depressão e ansiedade.

Leia mais: Vício de jovens em redes: julgamento contra Meta expõe falhas no controle de idade

As “plataformas mais problemáticas” envolvem o consumo passivo de conteúdo visual de influenciadores, que vem à tona por meio de um algoritmo, disseram os autores, citando dados da América Latina.

PUBLICIDADE

A Austrália restringiu o acesso dos jovens aos serviços de redes sociais no final do ano passado e um número crescente de países está considerando seguir o exemplo, com os órgãos reguladores chamando os serviços de prejudiciais e viciantes. Grécia, França, Espanha e Portugal estão entre os países europeus que estão estudando tais limites.

Nem todos concordam que essas proibições aliviarão a crescente crise de saúde mental entre os jovens, com os oponentes argumentando que a ligação entre condições de longo prazo e o uso da mídia social não é clara.

O relatório analisou uma ampla gama de pesquisas acadêmicas, levantamentos e outras evidências e descobriu que havia algumas ligações positivas entre o uso de mídias sociais e o bem-estar em regiões como o Oriente Médio e a África. Mas descobriu que o uso intenso está consistentemente associado à depressão e ao estresse.

PUBLICIDADE

Um teste nos Estados Unidos deverá determinar se os sites de mídia social, como o Instagram da Meta Platforms (META) e o YouTube do Google (GOOGL), são perigosamente viciantes para os jovens. Esse é o primeiro entre milhares de processos semelhantes que expõem as empresas a bilhões de dólares em possíveis danos.

Leia mais: Meta compra a rede social de robôs Moltbook para laboratório de ‘superinteligência’

Classificação mundial de felicidade

No geral, a Finlândia continua sendo o país mais feliz do mundo pelo nono ano consecutivo, seguida pela Islândia, Dinamarca, Costa Rica e Suécia. Nenhum país predominantemente de língua inglesa alcançou o top 10 pelo segundo ano, com os EUA em 23º lugar e o Reino Unido em 29º.

PUBLICIDADE
(Fonte: Relatório Mundial de Felicidade de 2026)

As classificações tomam como base uma média de três anos da avaliação de cada população sobre sua qualidade de vida, atenuando o impacto das oscilações de um ano para o outro.

Fatores como PIB per capita, expectativa de vida saudável, ter alguém com quem contar, senso de liberdade, generosidade e percepções de corrupção ajudam a explicar por que as pessoas avaliam sua satisfação com a vida da maneira como o fazem.

O relatório foi publicado pelo Wellbeing Research Centre da Universidade de Oxford, em parceria com a Gallup e a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU.

(Fonte: Gallup, Wellbeing Research Centre da Universidade de Oxford e  Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU)

Veja mais em Bloomberg.com

Leia também

Cathie Wood vê América Latina resiliente a crises e atraente em cenário volátil

Bancos pressionam Cosan por melhores termos em relação à Raízen, segundo fontes

Guerra redesenha o mercado de gás natural e ameaça provocar o maior choque desde 2022