Bloomberg — Um engenheiro de software do Google foi acusado de insider trading na Polymarket, onde teria ganhado mais de US$ 1 milhão apostando em qual seria uma das buscas de internet mais populares do ano passado.
Michele Spagnuolo foi acusado em denúncia revelada na quarta-feira (27) em tribunal federal de Nova York. Spagnuolo, de 36 anos, compareceu perante um magistrado federal e foi solto sob fiança de US$ 2,25 milhões.
Mike Ferrara, advogado de Spagnuolo, recusou comentar as acusações.
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O caso surge em meio a crescente preocupação sobre insider trading em mercados de previsões.
As acusações contra Spagnuolo vêm pouco mais de um mês depois que um sargento das Forças Especiais do Exército dos EUA foi acusado de usar informações confidenciais sobre a operação para capturar o então presidente venezuelano Nicolas Maduro para ganhar US$ 400 mil apostando na Polymarket.
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Segundo a denúncia, Spagnuolo, cidadão italiano que entrou no Google, da Alphabet, em 2014, tinha acesso a dados da empresa que rastreavam buscas de usuários quando apostou que a pessoa mais buscada do Google em 2025 seria o cantor D4vd.
No mês passado, D4vd, cujo nome real é David Anthony Burke, foi acusado de assassinar uma menina de 14 anos. Ele se declarou inocente.
Na época, a Polymarket atribuía “probabilidade próxima de zero” de que D4vd seria a busca mais bem classificada à frente de figuras como o papa Leão XIV e Kendrick Lamar, disseram os promotores.
Quando D4vd foi publicamente anunciado como a pessoa mais buscada em dezembro, Spagnuolo teria ganhado cerca de US$ 1,2 milhão.
“Estamos trabalhando com as autoridades em sua investigação”, disse um porta-voz do Google num comunicado.
“O funcionário acessou nosso material de marketing usando uma ferramenta disponível a todos os funcionários, mas usar essas informações confidenciais para fazer apostas é uma grave violação de nossas políticas. Afastamos o funcionário e tomaremos as medidas apropriadas.”
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Os promotores disseram que Spagnuolo, que negociava no Polymarket sob o nome de usuário “AlphaRaccoon”, também buscou encobrir suas apostas com um serviço que adiciona proteção de privacidade a transações de criptomoedas, segundo a denúncia.
Sua conta desapareceu do mercado depois que usuários no X e Discord especularam que havia sido usada por alguém de dentro do Google para negociar antes do anúncio dos resultados de busca, disseram os promotores.
A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) entrou com ação civil paralela contra Spagnuolo no fim da quarta-feira, buscando penalidades civis e a devolução de lucros ilícitos, entre outras medidas.
A agência disse que uma das contas abertas em seu nome usou seu documento de identidade do governo italiano. Quando relatos online em dezembro de 2025 começaram a levantar suspeitas sobre as negociações de AlphaRaccoon no Polymarket, disse a CFTC, Spagnuolo mudou seu nome de usuário.
Gannon Ken Van Dyke, o sargento do Exército acusado de insider trading na deposição de Maduro, declarou-se inocente.
A Polymarket disse que está reforçando esforços contra insider trading enquanto a empresa busca expandir sua presença nos EUA.
Em março, a empresa atualizou suas regras para esclarecer que certos tipos de apostas são proibidos, como agir com base em informações confidenciais roubadas ou apostar se os clientes estão em posição de influenciar o resultado de um evento.
A Polymarket se associou à empresa de análise de blockchain Chainalysis em ferramentas de detecção de insider trading. A empresa também trabalha com Palantir e TWG AI para identificar e reportar atividade suspeita em apostas esportivas em sua bolsa nos EUA.
A Polymarket trabalhou com autoridades no caso de Van Dyke e disse que sinalizou outro operador que foi preso na quarta-feira em Nova York.
“Com 2 de 2 prisões nesta indústria resultando de nossas denúncias criminais, a Polymarket emergiu como líder em fiscalização”, disse a empresa numa publicação no X.
O principal negócio do Polymarket opera no exterior, fora da supervisão de reguladores americanos, e às vezes permite que clientes se registrem sem verificações de identidade.
Embora os termos de serviço do Polymarket proíbam clientes americanos, operadores falaram publicamente sobre contornar as restrições da empresa usando uma rede virtual privada (VPN).
O caso é US v. Spagnuolo, Tribunal Distrital dos EUA, Distrito Sul de Nova York.
-- Com a colaboração de Ava Benny-Morrison, Nathaniel Popper e Denitsa Tsekova.
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