Operadores se protegem contra retorno da volatilidade cambial com incerteza sobre Fed

Estratégias de proteção ganham espaço à medida que o mercado revisa apostas para os juros nos EUA. Custos de hedge começam a subir enquanto investidores se preparam para movimentos mais bruscos

 O Fed, sob a nova presidência de Kevin Warsh, está recuando na oferta de um roteiro claro para os mercados sobre as taxas de juros (Foto: David Paul Morris/Bloomberg)
Por Vassilis Karamanis - Anya Andrianova
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Bloomberg — Após meses de calmaria, operadores de câmbio começam a comprar proteção contra oscilações cambiais mais acentuadas, à medida que os bancos alertam que mudanças nas expectativas Federal Reserve e o aumento das tensões geopolíticas podem abalar os mercados.

Um indicador da volatilidade esperada nas principais moedas para o próximo mês apresentou leve alta nas últimas semanas, embora permaneça apenas ligeiramente acima das mínimas de cinco anos atingidas em junho e bem abaixo da média deste ano.

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Da mesma forma, a volatilidade implícita do euro-dólar para um ano subiu em relação às mínimas de 2022, embora a volatilidade do euro-franco suíço para um mês permaneça no nível mais baixo em mais de uma década.

No entanto, o cenário está longe de ser tranquilo. O Fed, sob a nova presidência de Kevin Warsh, está recuando na oferta de um roteiro claro para os mercados sobre as taxas de juros, deixando operadores reféns de cada divulgação de dados.


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Ao mesmo tempo, novos confrontos entre os EUA e o Irã estão ocorrendo e ameaçam despedaçar um cessar-fogo frágil no Oriente Médio.

Os estrategistas do Barclays afirmam que esse descompasso não deve durar. Uma equipe liderada por Marek Raczko avalia que os modelos do banco indicam uma alta iminente da volatilidade e recomenda a compra de instrumentos que tendem a gerar ganhos caso as oscilações do câmbio entre o euro e o dólar se intensifiquem ao longo do segundo semestre deste ano.

“A baixa volatilidade cambial foi impulsionada pela baixa convicção do mercado, e não pela baixa incerteza macroeconômica”, escreveram em uma nota.

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Investidores de curto prazo (fast money) e mesas de operações interbancárias parecem estar chegando a uma conclusão semelhante.

Com os custos de hedge baixos em relação aos riscos, investidores alavancados estão explorando operações que lucram com o aumento da volatilidade, de acordo com operadores de câmbio familiarizados com as transações, que pediram para não serem identificados por não estarem autorizados a falar publicamente.

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Há alguns sinais de que uma mudança já está em andamento. Os custos de proteção (hedge) de curto prazo para o euro e a libra se recuperaram das mínimas nesta semana, à medida que o mercado de opções começou a incorporar o relatório de inflação dos Estados Unidos da próxima semana — um lembrete de que, com o Federal Reserve oferecendo menos sinalizações sobre os próximos passos da política monetária, os dados econômicos individuais passaram a ter um peso maior do que em muitos anos.

O relatório de inflação poderá influenciar as apostas nas taxas de juros nos mercados monetários, que atualmente precificam pelo menos um aumento de 0,25 ponto percentual do Fed este ano.

Um aumento sustentado na volatilidade teria repercussões muito além do mercado de opções. Mercados cambiais estáveis ​​têm sido a base de uma das estratégias de câmbio mais lucrativas deste ano: o carry trade, em que os investidores tomam empréstimos em moedas de baixo rendimento, como o iene ou o franco suíço, para comprar moedas de rendimento mais alto, incluindo as de mercados emergentes.

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A estratégia rendeu cerca de 8% este ano, superando os títulos globais e o ouro. Estrategistas do Goldman Sachs afirmam que as amplas diferenças nas taxas de juros e a volatilidade moderada criaram o cenário mais favorável para operações de carry trade em mais de duas décadas.

O problema é que o segundo fator determinante pode estar prestes a desaparecer. As operações de carry trade geram retornos lentamente, mas uma súbita oscilação cambial pode eliminar meses de rendimento acumulado em semanas. À medida que os investidores correm para desfazer suas posições, a onda de vendas pode intensificar justamente os movimentos das moedas contra os quais eles apostavam.

Por enquanto, os mercados continuam a precificar uma perspectiva benigna. Se a volatilidade retornar, as operações que prosperaram em condições de calmaria poderão se desfazer rapidamente.

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