Ualá, da Argentina, atinge valuation de US$ 3,2 bi em nova rodada de investimentos

Fintech, que tem 11 milhões de clientes na Argentina, no México e na Colômbia, levantou US$ 195 milhões em uma rodada de captação liderada pela Allianz X

Pierpaolo Barbieri, founder and chief executive officer of Bancar Tecnologia SA (Uala), during the Bloomberg New Economy at the B20 in Sao Paulo, Brazil, on Wednesday, Oct. 23, 2024. Amid growing tension over trade barriers, environmental upheaval and global security, this special event will complement the annual Business 20 (B20) gathering by convening New Economy's exceptional community of leaders from the public and private sectors to tackle the most urgent challenges. Photographer: Tuane Fernandes/Bloomberg
Por Maria Clara Cobo
04 de Março, 2026 | 11:13 PM

Bloomberg — A fintech argentina Ualá informou que levantou US$ 195 milhões em uma rodada de captação liderada pela Allianz X, braço de venture capital da seguradora alemã Allianz SE, operação que avaliou a companhia em US$ 3,2 bilhões.

Os recursos serão utilizados para acelerar o crescimento e expandir o ecossistema financeiro da Ualá na América Latina, informou a empresa.

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Participaram da rodada investidores novos e atuais, incluindo Stone Ridge Holdings Group, Tencent Holdings, Soros Fund Management, Table Holdings e D1 Capital Partners.

Em 2024, a Ualá havia sido avaliada em US$ 2,75 bilhões após uma rodada Série E que captou US$ 366 milhões.

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O novo aporte também aprofunda a parceria da fintech com a Allianz, especialmente na área de seguros embarcados, poucas semanas após o lançamento, dentro do aplicativo, de seguros de vida e cobertura contra acidentes para clientes na Argentina.

“Esse capital vai nos ajudar a continuar desenvolvendo nosso ecossistema de produtos e serviços”, disse Pierpaolo Barbieri, fundador e CEO da Ualá, em entrevista à Bloomberg News. “Vamos expandir as diferentes verticais na Argentina e também aprofundar a oferta de produtos no México.”

Fundada em 2017, a Ualá obteve o financiamento após um ano desafiador para as instituições financeiras argentinas, período em que a inadimplência em crédito ao consumo aumentou nos últimos meses, depois que juros elevados restringiram o acesso ao crédito para grande parte da população.

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Quase 10% das famílias argentinas estão com pagamentos de empréstimos em atraso, número cinco vezes maior do que há alguns anos, segundo dados do banco central. A empresa realizou uma rodada de demissões no país no ano passado.

Ainda assim, companhias passaram a demonstrar maior otimismo em relação às perspectivas da Argentina após as eleições legislativas de meio de mandato realizadas em outubro, a desaceleração da inflação, a tendência de queda dos juros e um ambiente macroeconômico mais estável, fatores que podem sustentar uma retomada do crédito e do consumo.

A empresa registrou crescimento acelerado na Argentina, onde quase um em cada cinco adultos possui conta na Ualá, afirmou Barbieri.

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No México, o volume da carteira de crédito praticamente dobrou na comparação anual, acrescentou.

A Ualá oferece pagamentos, crédito, adquirência e produtos de investimento para mais de 11 milhões de clientes na Argentina, no México e na Colômbia.

Os investimentos em startups na América Latina somaram cerca de US$ 6,2 bilhões em 2025, o maior nível desde 2022, quando empresas da região captaram US$ 9,4 bilhões, segundo dados da PitchBook.

A alta sugere uma recuperação gradual da atividade de venture capital após a forte retração observada depois do pico registrado durante a pandemia.

No México, a companhia reduziu a taxa de inadimplência para 10,4% até novembro passado, ante 17% no ano anterior. Esse avanço, combinado a contas de poupança com rendimento elevado — que oferecem juros de até 15% ao ano sobre depósitos — ajudou a Ualá a se tornar o oitavo maior banco do México em número de contas e o décimo segundo em volume de cartões de crédito emitidos, acrescentou Barbieri.

“Nosso foco no México tem sido expandir a carteira de crédito, ampliar a emissão de cartões, fortalecer a capitalização do banco e avançar rumo à lucratividade consolidada”, afirmou.

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