Bloomberg — Funcionários de diversos setores continuam a adotar ferramentas de inteligência artificial (IA) num ritmo acelerado, mas o impacto da tecnologia sobre produtividade e eficiência é desigual e confuso, segundo um novo estudo.
Cerca de 74% dos trabalhadores de escritório sem funções gerenciais se consideram usuários regulares de inteligência artificial, aumento de 23 pontos percentuais em relação ao ano anterior, segundo o mais recente relatório AI at Work do Boston Consulting Group (BCG).
Mas muitas empresas têm dificuldade de converter os ganhos de eficiência impulsionados pela IA em valor mensurável, disse o BCG.
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Mais de 40% dos usuários regulares de IA entre os trabalhadores de escritório sem envolvimento gerencial relataram economizar um dia inteiro de trabalho ou mais por semana ao usar essas ferramentas. Ainda assim, líderes e organizações ainda têm que aprender como extrair valor do tempo economizado, disse o BCG.
“Todo mundo fala em IA substituir o trabalho, mas na verdade trata-se de repensar a contribuição humana dentro dele”, disse Vinciane Beauchene, do BCG, uma das autoras do relatório. “Esse é o papel dos líderes.”
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As descobertas contrariam a premissa de que as empresas vão automaticamente impulsionar a produtividade por meio da IA — levantando questões sobre as centenas de bilhões de dólares em investimentos por todo o planeta.
O estudo também sugere que, embora a IA esteja mudando a natureza do trabalho, a mudança não é totalmente positiva.
Quase metade dos respondentes disse passar mais tempo gerenciando e direcionando a IA do que fazendo o próprio trabalho. E embora cerca de dois terços dos usuários regulares de IA tenham dito que a tecnologia melhorou a satisfação no trabalho, cerca de 41% disseram que ela aumentou a carga cognitiva.
Isso cria o que os autores chamaram de “paradoxo da alegria”, em que a IA torna o trabalho melhor e mais difícil ao mesmo tempo.
“A equação da alegria se reescreve dentro de um ano de uso da IA”, disse Sylvain Duranton, do BCG, outro coautor do relatório. “No início, a novidade da IA e o estímulo cognitivo alimentam o prazer, mas essa ‘lua de mel com a IA’ se desfaz sem clareza estratégica.”
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Para seu estudo, o BCG entrevistou quase 12 mil trabalhadores de diversos setores em 14 países e regiões, examinando adoção de IA, expectativas da força de trabalho, liderança e transformação organizacional.
A pesquisa destaca o surgimento dos agentes de IA, com 30% dos respondentes dizendo que essas ferramentas agora estão integradas aos fluxos de trabalho — mais do que o dobro do número de um ano antes.
Mais de 60% disseram acreditar que agentes poderiam fazer pelo menos metade de seu trabalho dentro de três anos.
Funcionários sem cargo de gestão na Índia, Brasil e África do Sul relataram uso regular de IA acima da média global, enquanto os dos EUA, França e Itália ficaram para trás, disse o BCG.
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