Raízen avalia recuperação extrajudicial após um aporte de R$ 4 bi de acionistas

Empresa busca renegociar a dívida com credores, e informou que a Shell e o fundador da Cosan, Rubens Ometto, concordaram com um aporte de capital

Raizen
Por Rachel Gamarski
04 de Março, 2026 | 10:25 PM

Bloomberg — A Raízen, produtora brasileira de açúcar e etanol que enfrenta dificuldades financeiras, afirmou que pode recorrer a um processo de recuperação extrajudicial enquanto busca uma solução para seus problemas de endividamento.

Os acionistas Shell e o fundador da Cosan, Rubens Ometto, concordaram em aportar conjuntamente R$ 4 bilhões na companhia, informou a Raízen em comunicado divulgado na noite de quarta-feira (4).

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A Shell contribuirá com R$ 3,5 bilhões, enquanto Ometto investirá R$ 500 milhões por meio de sua holding.

Leia também: Controladores da Raízen abandonam conversas sobre capitalização, segundo fontes

A proposta inclui uma reestruturação mais ampla da dívida, que pode envolver a conversão de parte dos débitos em participação acionária, o alongamento dos vencimentos do saldo remanescente e a venda de ativos não estratégicos, conforme anunciado anteriormente.

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A Raízen (RAIZ4) acrescentou que busca assegurar um “ambiente protegido e organizado” para negociar com credores financeiros e alcançar “uma solução consensual, que poderá, se necessário, ser implementada por meio de um processo de reestruturação extrajudicial”.

O anúncio ocorre após o fracasso das negociações entre os controladores da Raízen, Cosan e Shell, sobre um plano mais amplo de resgate.

Fundos de private equity administrados pelo BTG Pactual, que também participavam das conversas, discordaram de diversos termos propostos pela Shell e decidiram não realizar aporte na companhia, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto afirmou no início da semana à Bloomberg News.

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Dívida líquida de R$ 55,3 bilhões

A Raízen tem enfrentado juros elevados, safras mais fracas e investimentos intensivos que ainda não geraram os retornos esperados, o que pressionou o fluxo de caixa e elevou a alavancagem a níveis considerados insustentáveis por investidores.

A empresa encerrou o último ano com dívida líquida total de R$ 55,3 bilhões, alta de 43% em relação ao ano anterior. A alavancagem subiu para 5,3 vezes o lucro antes de itens como juros e impostos, ante 3 vezes no período anterior.

A deterioração do balanço levou a sucessivos rebaixamentos de rating de crédito e a uma forte queda nos preços de seus títulos de dívida.

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Com o aperto das condições de financiamento, a Raízen iniciou negociações com acionistas e credores para estabilizar sua estrutura de capital.

A pressão dos credores aumentou à medida que o perfil de crédito da companhia se deteriorou, com bancos e detentores de títulos defendendo um aporte relevante de capital para reforçar o balanço.

A urgência da situação ficou evidente após uma baixa contábil de US$ 2,1 bilhões registrada no mês passado, relacionada à deterioração das condições de mercado, o que evidenciou a dimensão das dificuldades enfrentadas por uma das maiores produtoras de biocombustíveis do Brasil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a convocar, nas últimas semanas, uma reunião com executivos de empresas relevantes envolvidas nas negociações para resgatar a companhia, sinalizando preocupação com os impactos caso não haja acordo.

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