Pismo, da Visa, acelera expansão global e disputa ‘core’ de grandes bancos, diz CEO

Startup brasileira comprada pela Visa em 2023 por US$ 1 bilhão planeja chegar a 28 mercados neste ano, e tem visto uma demanda crescente de grandes instituições financeiras, contam o CEO, Vishal Dalal, e a VP e head global da Visa, Kathleen Pierce-Gilmore, à Bloomberg Línea

Região da Faria Lima, em São Paulo, setembro de 2022. Foto: Victor Moriyama/Bloomberg
25 de Fevereiro, 2026 | 06:00 AM

Bloomberg Línea — Quase três anos depois de ser adquirida pela Visa por US$ 1 bilhão, a Pismo tem avançado com o seu plano de expansão internacional e ampliado sua atuação para além de fintechs e bancos digitais, buscando servir também grandes instituições financeiras globais.

A startup de infraestrutura financeira passou de cinco para os atuais 20 países de atuação desde a compra pela Visa, e planeja neste ano iniciar a operação em mais oito mercados: França, México, Suíça, Filipinas, Dinamarca, Hong Kong, Nova Zelândia e Paraguai.

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Segundo o CEO, Vishal Dalal, o pioneirismo do Brasil em tecnologias financeiras - incluindo a adoção do Pix - deu à Pismo uma vantagem tecnológica que lhe permite se expandir rapidamente a outros mercados.

“O Brasil foi o líder neste espaço [de pagamentos em tempo real e regulação]. A inovação no Brasil, e o que está acontecendo em serviços financeiros, é uma grande parte da nossa herança”, disse o executivo indiano que lidera a Pismo desde maio de 2025, em entrevista à Bloomberg Línea.

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Segundo ele, soluções que se tornaram o padrão no Brasil ainda são novidade em muitos outros países, o que facilita a adoção do modelo da companhia em mercados na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos.

“Começamos pelo Brasil. Hoje, quando vamos para um novo país, o processo é muito mais rápido. Não precisamos aprender do zero”, afirma.

Vishal Dalal, CEO da Pismo: executivo lidera a expansão global da infraestrutura financeira brasileira sob o guarda-chuva da Vis

A empresa, que oferece uma plataforma em nuvem para cartões e serviços bancários, foi fundada no Brasil por Daniela Binatti (CTO), Juliana Binatti Motta (CPO), Marcelo Parise (VP de Engenharia) e Ricardo Josua, e foi adquirida por US$ 1 bilhão pela Visa em 2023 após uma concorrência com a Mastercard.

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A plataforma em nuvem da empresa fornece APIs para que seus clientes possam oferecer serviços financeiros com agilidade, o que atraiu o gigante global de bandeiras de cartão.

Segundo o CEO, mais de 50% da receita e da equipe da Pismo atualmente estão no Brasil, assim como os maiores clientes, mas o plano é tornar essa equação mais equilibrada em relação a outros mercados.

O movimento é alavancado pela presença da Visa em 220 países. No Brasil, por questões regulamentares, as duas empresas têm operações segregadas, o que não ocorre em outros países e permite uma maior integração.

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Diversificação de clientes

À medida que avança, a Pismo deixou de ser apenas uma alternativa para fintechs e bancos digitais e passou a atender também os maiores conglomerados financeiros do mundo. Entre os clientes, estão nomes como Citigroup, BTG Pactual, Itaú e ABN AMRO Bank, segundo a empresa.

Grandes bancos, historicamente avessos ao risco de migrar sistemas legados para soluções de startups, encontraram na união um cenário ideal: a agilidade de uma arquitetura moderna com a resiliência de uma corporação quase centenária.

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Para vencer essa resistência, a Pismo conta com uma capacidade de execução que, segundo Dalal, permite migrar 2 milhões de contas de sistemas legados para a nuvem em apenas uma semana.

A combinação tem contribuído para que a Pismo, criada originalmente para prover produtos para startups, expanda o seu leque de serviços. Hoje ele está dividido em cinco famílias: processamento de cartões, core banking (contas correntes e depósitos), empréstimos, corporate banking e marketplace.

"Core banking está ganhando bastante destaque agora. Já tivemos cinco clientes solicitando funcionalidades de crédito, então estamos desenvolvendo isso na plataforma — hipotecas, financiamento de veículos, empréstimos pessoais. Estamos cobrindo todo o espectro”, afirma Dalal.

Segundo o CEO, a startup também tem encontrado oportunidades no corporate banking, demanda que surpreendeu a equipe.

“Não prevíamos isso. Falo de gestão de caixa e depósitos complexos para grandes empresas. Isso está se tornando mais uma excelente linha de produtos para nós”, diz o executivo, ao destacar que o volume transacionado por esses grandes clientes pode ser de três a quatro vezes maior do que no varejo.

Demanda crescente por tecnologia

A porta de entrada continua o processamento de cartões, ao qual se seguem outros produtos, que são combinados como os encaixes de uma peça de Lego.

“A urgência as empresas para se modernizar está definitivamente aumentando. Seja por pressão regulatória — com os clientes tendo que responder aos reguladores sobre como sua arquitetura está funcionando —, seja pelo surgimento de ameaças competitivas de infraestruturas locais, que impactam os bancos tradicionais”, diz Kathleen Pierce-Gilmore, vice-presidente sênior e head global de soluções de emissão da Visa, na mesma entrevista.

A executiva, que foi responsável pela aquisição da Pismo pelo lado da Visa, diz que a tese de investimento da companhia na startup é bastante robusta e que tem apresentado um nível de “tração maior do que o esperado”, proporcionado tanto pela integração de produtos, como o sistema de cibersegurança da Visa, quanto pelas próprias dinâmicas de mercado.

Segundo ela, o movimento acompanha um mercado no qual as demandas por inovação não cessam. “A urgência só continua aumentando”, diz.

Para acompanhar o ritmo de expansão, a Pismo vem direcionando investimentos para três áreas centrais: resiliência e uptime da tecnologia; desenvolvimento de uma estrutura multicloud; e novas integrações de cibersegurança, essenciais para entrada em novos mercados.

Embora a Visa não abra números exatos do montante investido após a aquisição, a vice-presidente sênior define o volume como “significativo” e faz uma analogia. “Se você compra um carro muito bom, como uma Mercedes, você investe na manutenção para manter seu valor”, diz.

À medida que ganha mais espaço em outras geografias, como Estados Unidos, Europa, Índia, Austrália e Sudeste Asiático, a Pismo deve começar a diminuir a dependência do mercado brasileiro nos próximos três ou quatro anos, segundo os executivos.

“Estamos expandindo em todos os outros lugares. É quase uma explosão de crescimento que estamos testemunhando agora”, diz Kathleen Pierce-Gilmore.

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