Petrobras vê oportunidades com gás na Colômbia e recompra de refinaria no Brasil

Após apresentar aumento de 97% do lucro líquido no segundo trimestre, a CEO Magda Chambriard destacou que a companhia pretende ampliar seu parque de refino ‘com ou sem Mataripe’, vendida para o Mubadala em 2021

Magda Chambriard, chief executive officer of Petroleo Brasileiro SA (Petrobras), speaks during an interview in Rio de Janeiro, Brazil, on Friday, Aug. 22, 2025. Petrobras SA plans to buy a stake in the Brazilian unit of BP Plc’s solar and battery arm Lightsource in the first renewable energy deal for the state-controlled oil producer, people familiar with the matter said. Photographer: Leonardo Carrato/Bloomberg
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Bloomberg Línea — A Petrobras (PETR3, PETR4) vem ampliando o leque de oportunidades de investimentos para crescer, fazendo apostas que vão desde a possível recompra da refinaria Mataripe, na Bahia, até a exploração de gás na Colômbia.

“Nosso resultado do segundo trimestre se deve ao alinhamento de um propósito comum para fazer dessa uma grande empresa e, antes de tudo, uma estatal com orgulho, que trabalha em prol da sociedade brasileira. É isso que nos incentiva a oferecer cada vez melhores resultados”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a jornalistas na tarde desta sexta-feira (7).

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De abril a junho, a companhia registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões (US$ 10,4 bilhões), um aumento de 97% sobre o valor registrado no mesmo intervalo do ano passado.

A executiva destacou ainda que, no período, a petroleira registrou o maior lucro bruto de toda a sua história em um único trimestre (cerca de US$ 19 bilhões) e o maior lucro líquido em moeda americana em três meses. Os valores já incluem eventos exclusivamente recorrentes.


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No último dia 3 de agosto, a Petrobras anunciou uma nova descoberta de acumulação de gás em um poço exploratório localizado em águas profundas da Colômbia. A brasileira atua como operadora de um consórcio com participação de 44,4% em parceria com a estatal Ecopetrol, que tem a fatia restante no bloco.

Chambriard reforçou que a parceria com a colombiana persiste e que, por meio dela, foram feitas três descobertas nos campos offshore da Colômbia.

“São descobertas relevantes, com capacidade de suprir a demanda de gás do mercado colombiano integralmente por mais de 10 anos. Trata-se de um projeto de interesse do país, do Brasil e das duas empresas, não vejo dificuldades de levar adiante”, disse.

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A executiva afirmou que, neste momento, estão sendo realizadas consultas públicas para licenciamento ambiental do projeto. “A aposta é que poderemos operar esses ativos e fornecer 100% do gás que a Colômbia precisa, quem sabe até exportar.”

Leia também: CEO da Petrobras diz que recompra de refinaria da Bahia não é prioridade

Já no México, Chambriard afirmou que o trabalho da Petrobras com a Pemex tem sido em duas vertentes: no upstream (exploração e produção) e no downstream (refino).

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Na primeira, as áreas de atuação incluem E&P em águas rasas, profundas e ultraprofundas na porção mexicana do Golfo do México. No downstream, envolvem aperfeiçoamento de ações de refino, eventual uso de etanol, além de biodiesel e diesel co-processado.

As duas empresas assinaram um Memorando de Entendimento (MOU, na sigla em inglês) não vinculante para upstream e estão em vias de firmarem outro para a área de downstream, salientou Chambriard.

A diretora executiva de exploração e produção da Petrobras, Sylvia dos Anjos, detalhou que o MOU já assinado inclui interesses como reprocessamento sísmico de novas áreas, exploração em águas profundas e ultraprofundas, compartilhamento de tecnologias, bem como o desenvolvimento de novas técnicas.

Ainda na área de minerais críticos, Chambriard disse que a Petrobras tem projetos em parceria com o BNDES para estudos de viabilidade de exploração no setor, mas ainda necessitam passar por diversas etapas de análise e estudos.

Refinaria da Bahia

Chambriard afirmou que a companhia mantém as negociações para uma possível recompra da Refinaria de Mataripe, vendida para a Acelen - braço de energia do Mubadala (fundo soberano de Abu Dhabi) - em 2021, durante processo de desinvestimentos da estatal.

“Continuamos negociando, não é segredo que a Petrobras pretende ampliar seu parque de refino, com ou sem Mataripe”, afirmou.

Segundo ela, o alvo da empresa no quinquênio 2026-2030 é produzir 85% do consumo doméstico de diesel. Para o período de 2027 a 2031, a estatal quer atender 100% da demanda brasileira do combustível. “Esperamos que seja com Mataripe, mas para isso temos que contar com um preço adequado do ativo.”

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