Petrobras amplia produção de fertilizantes e quer fornecer 35% do consumo do país

Com a retomada das operações da planta da Bahia, a estatal pretende reforçar a atuação no segmento, diante da demanda elevada do agronegócio

fafen

Bloomberg Línea — A Petrobras (PETR3, PETR4) anunciou nesta quarta-feira (13) a retomada da produção da unidade de fertilizantes na Bahia. A expectativa é que, em 2028, a companhia atenda cerca de 35% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados.

“Quando tivermos nossas quatro fábricas operando, em meados de 2028, seremos capazes de fornecer 35% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados. Antes, o Brasil importava 100% da ureia consumida”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em entrevista a jornalistas.

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Apenas na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), foram investidos R$ 100 milhões para retomar a produção, sem contar os recursos para a área de gás natural, que viabiliza a operação, de acordo com a empresa.


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Segundo Chambriard, com o aporte serão gerados cerca de 3.600 postos de trabalho entre diretos e indiretos. A capacidade atual da unidade é de 1.300 toneladas de ureia por dia, o que representa 5% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados.

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Ela lembrou que a Fafen-BA foi “hibernada” (temporariamente desativada, mas preservada com manutenção) em 2019, sendo arrendada para a iniciativa privada posteriormente. “A iniciativa privada falhou e a Fafen foi hibernada de novo em 2023″, diz.

Leia mais: ‘Esta administração da Petrobras não gosta de vender, só de comprar’, diz Magda Chambriard

Conforme a executiva, a Petrobras viabilizou investimentos para baixar o custo do gás natural para atender à planta, que foi reativada no início deste ano.

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“Ainda não ‘revogaram’ a lei da oferta e da demanda. Quando a procura é muito grande, como é por fertilizantes no país, a oferta também tem que ser grande, e é exatamente isso que fizemos.”

Ela acrescentou que a Petrobras está em processo de contratação da conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas (MS).

“Antes de nossas fábricas voltarem a operar no Nordeste, o Brasil importava 100% da ureia consumida, mas isso está mudando agora. A ureia é hoje o fertilizante nitrogenado mais demandado no país, com consumo nacional em torno de 8 milhões de toneladas por ano”, destacou.

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A executiva ponderou que o insumo é utilizado nas culturas do milho, cana de açúcar, café, trigo e algodão. “Esse fertilizante também serve à pecuária, pois é um suplemento alimentar para ruminantes.”

Além da Fafen-BA, a retomada da produção nacional da companhia também passa pela reabertura da Fafen no Sergipe e a ANSA (Araucária Nitrogenados, no Paraná).

Produção na Bahia

Chambriard reforçou que a Petrobras tem um plano de negócios ambicioso que prevê US$ 3,5 bilhões em exploração e produção (E&P) nos próximos cinco anos no estado da Bahia.

Segundo ela, são mais de 100 intervenções a serem feitas no Recôncavo Baiano em poços novos e já existentes com o objetivo de mais do que dobrar a produção de óleo e gás no estado.

“Esse investimento previsto deve gerar, segundo as nossas estimativas, cerca de 6.500 empregos entre diretos e indiretos apenas nessa frente de E&P”, disse.

A companhia ainda tem US$ 115 milhões previstos para a usina de biodiesel de Candeias, no estado.

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