Paramount conclui compra da Warner por US$ 110 bilhões em acordo histórico em Hollywood

Após superar a concorrência da Netflix e disputas judiciais antitruste, a Skydance, nova companhia liderada por David Ellison, reúne dois dos maiores estúdios de Hollywood, canais como CBS e CNN e plataformas como HBO Max e Paramount+, mas terá de administrar uma dívida de quase US$ 87 bi

Paramount Set to Post Results Amid Warner Interest
Por Hannah Miller
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Bloomberg — A Paramount Skydance concluiu nesta terça-feira (6) a aquisição da Warner Bros. Discovery no valor de US$ 110 bilhões. O movimento finaliza uma das maiores fusões do setor de mídia de todos os tempos, após uma batalha acirrada pelo controle com a Netflix e a superação de ações judiciais antitruste.

A nova empresa, que se chamará Skydance, combina dois dos cinco maiores estúdios de cinema de Hollywood, unindo grandes franquias como Harry Potter e Missão: Impossível. Ela passará a abrigar dezenas de canais de televisão, da CBS à TNT, e dois importantes serviços de streaming por assinatura: Paramount+ e HBO Max.

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David Ellison, que só concluiu a fusão de sua produtora cinematográfica Skydance Media com a Paramount em agosto de 2025, continuou a consolidar seu poder no setor de mídia e tornou-se um dos maiores magnatas de Hollywood.


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Ainda assim, ele trouxe Ynon Kreiz, da Mattel, para compartilhar a supervisão da Skydance como co-diretor executivo. Kreiz administrará as operações do dia a dia, enquanto Ellison mantém a visão criativa e de longo prazo e cuida das relações com os talentos.

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“Hoje é um dia histórico, não apenas para a Skydance, mas para todo o nosso setor”, afirmou Ellison em comunicado.

Depois de concretizar duas megafusões de empresas centenárias de Hollywood em pouco mais de um ano, Ellison enfrenta agora o grande desafio de fazer com que tudo funcione.

Isso significa eliminar sobreposições de negócios e cargos sem despertar a ira de Hollywood, que já vem sofrendo com uma recessão e se opôs à consolidação desde o início.

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A Skydance também precisará administrar uma dívida total de quase US$ 87 bilhões, ao mesmo tempo em que cumpre um cronograma rigoroso de lançamentos nos cinemas, conforme estipulado no acordo judicial.

As ações da empresa recém-criada fecharam em queda de 2,5%, a US$ 9,53, na terça-feira. As ações da Warner tiveram suas negociações suspensas na bolsa Nasdaq. A Skydance será negociada sob o código SKYD na Bolsa de Valores de Nova York.

“A lógica faz sentido”, afirmou Michael J. Wolf, CEO da Activate Strategy, em entrevista à Bloomberg TV na segunda-feira. “A escala os coloca na posição certa. Agora, eles precisam cumprir o que essa escala exige.”

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O caminho para a conclusão da fusão foi muitas vezes difícil e, em alguns momentos, parecia prestes a fracassar. Mas Ellison estava determinado a ter sucesso e via o negócio como essencial para poder competir com empresas como a Netflix, a Walt Disney, a Amazon e a Apple.

Leia também: A saga da Paramount para levantar US$ 52 bilhões em dívida para a fusão com a Warner

Disputa e controvérsias

A Paramount concordou em adquirir a Warner em fevereiro, após uma guerra de lances que durou meses contra a Netflix, que anteriormente havia se comprometido a comprar os estúdios e o negócio de streaming da Warner, mas não os canais a cabo.

Ellison fechou o negócio ao aumentar o preço da oferta e trazer seu pai, Larry Ellison, para garantir pessoalmente o financiamento.

A Paramount pagou uma multa de rescisão de US$ 2,8 bilhões à Netflix em nome da Warner e argumentou que seria capaz de concluir rapidamente seu próprio negócio, prometendo pagar aos acionistas da Warner taxas que totalizariam cerca de US$ 7 milhões por dia caso o negócio não fosse finalizado até 30 de setembro.

Essa chamada “taxa de contagem regressiva” totalizou cerca de US$ 42 milhões até o fechamento do negócio, de acordo com um documento apresentado à Comissão de Valores Mobiliários.

Embora a Paramount tenha conseguido obter rapidamente a aprovação antitruste do Departamento de Justiça dos EUA, da União Europeia e de outras jurisdições importantes, o processo foi atrasado por duas ações judiciais movidas por 12 estados e pelo Sindicato dos Roteiristas da América, que estavam preocupados com a ameaça de preços mais altos para os consumidores e redução de empregos. Milhares de atores, diretores, roteiristas e produtores assinaram uma carta protestando contra o acordo.

Leia também: Departamento de Justiça dos EUA aprova acordo de compra da Warner pela Paramount

Grande parte do receio decorre da promessa da Paramount de gerar mais de US$ 6 bilhões em sinergias anuais nos três anos seguintes à conclusão da fusão.

Gerry Cardinale, fundador e sócio-gerente da RedBird Capital Partners, um investidor da Paramount, afirmou que há outras maneiras de cortar custos e operar com mais eficiência do que simplesmente reduzir o quadro de funcionários.

Uma empresa não gastaria bilhões de dólares por ano produzindo filmes “e partiria do princípio de que toda a premissa de seu plano de negócios é demitir todo mundo em Hollywood”, disse Cardinale na conferência Bloomberg Screentime, em Los Angeles, na semana passada. “É exatamente o contrário.”

A RedBird contribuiu com US$ 4 bilhões em novo financiamento de capital para o negócio, de acordo com uma pessoa a par do investimento. O novo compromisso eleva a contribuição total da RedBird para a Skydance a US$ 6 bilhões, disse a pessoa, que pediu para não ser identificada porque o financiamento ainda não foi divulgado publicamente.

No comunicado, a Skydance afirmou que as economias virão principalmente da integração de tecnologia e de outras operações, como a negociação de acordos com fornecedores e a redução de despesas de marketing sobrepostas, bem como da consolidação do patrimônio imobiliário. Isso tornará a empresa “mais enxuta e ágil” e permitirá que ela reduza seu endividamento para três vezes o lucro ajustado anual até o final de 2029. A nova empresa espera gerar mais de US$ 10 bilhões em fluxo de caixa livre até 2030.

No entanto, a dívida da Skydance continuará a pesar sobre a empresa. Seus encargos com juros são muito mais elevados agora do que se ela tivesse emitido títulos de dívida apenas alguns meses antes, uma vez que as preocupações com a inflação elevaram os custos globais de financiamento. A Paramount vendeu US$ 52 bilhões em empréstimos e títulos em apenas uma semana, um prazo apertado para qualquer operação de dívida e, especialmente, para um dos maiores financiamentos da história recente.

Leia também: Vitória na derrota: por que acionistas da Netflix comemoram fim de acordo pela Warner

Como parte de um acordo negociado com os estados — cuja ação foi liderada pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta —, a Paramount comprometeu-se a lançar pelo menos 30 filmes por ano nos cinemas e mantê-los em cartaz exclusivamente por 45 dias antes de disponibilizá-los para exibição em casa.

A empresa também concordou em criar um conselho de independência editorial para suas organizações de notícias, a CBS e a CNN, em um esforço para dissipar as preocupações de que a proximidade da família Ellison com o presidente Donald Trump pudesse levá-las a tentar influenciar a cobertura jornalística.

Até o momento, Ellison concordou em manter a CBS e a CNN separadas e sob lideranças diferentes. Ao anunciar uma nova equipe executiva na segunda-feira, ele afirmou que o CEO da CNN, Mark Thompson, permaneceria no cargo e que Bari Weiss manteria seu título de editora-chefe da CBS News.

Embora reconheça “apreensões em relação a este momento”, Thompson afirmou, em uma carta aos funcionários, que tem “confiança real” de que a nova liderança da Skydance compreende “e apoiará plenamente o princípio e a prática do tipo de jornalismo independente que a CNN sempre defendeu”.

Dana Goldberg — executiva de longa data da Skydance Media que desenvolveu e produziu filmes como Top Gun: Maverick e vários títulos da franquia Missão: Impossível — e Josh Greenstein — ex-presidente do Motion Picture Group da Sony Pictures, onde supervisionou filmes e franquias como Homem-Aranha — comandarão em conjunto o novo Skydance Motion Picture Group. James Gunn e Peter Safran, codiretores da DC Studios (unidade da Warner que detém os direitos de personagens de quadrinhos como Batman, Superman e Mulher-Maravilha), manterão suas funções na Skydance.

Casey Bloys, responsável por sucessos da HBO que vão desde House of the Dragon (derivada de Game of Thrones) até o drama ambientado em resorts de luxo The White Lotus, ficará à frente da divisão de streaming da Skydance, supervisionando a programação da HBO Max e da Paramount+. George Cheeks, que ingressou na Paramount em 2020, gerenciará uma divisão de TV recém-criada, abrangendo uma combinação de estúdios, emissoras, esportes e canais a cabo da Paramount e da Warner.

JB Perrette, que liderou o lançamento global do serviço de streaming HBO Max na Warner, continuará a trabalhar em estreita colaboração com Bloys como copresidente e diretor de negócios da Skydance TV e da Skydance Streaming.

Embora a nomeação de Kreiz tenha sido uma surpresa para muitos em Wall Street, sua experiência complementa a de Ellison, trazendo anos de gestão de uma grande empresa de capital aberto e mais de três décadas no setor de entretenimento.

Durante seu mandato na Mattel, Kreiz foi fundamental para impulsionar a empresa de brinquedos a capitalizar suas marcas queridas, como Barbie e Hot Wheels, transformando-as em franquias capazes de abranger cinema, televisão e jogos.

Um executivo que não fará parte da nova equipe da Skydance é David Zaslav, presidente e CEO da Warner, que se despedirá da empresa recebendo, potencialmente, mais de US$ 667 milhões em indenização em dinheiro e concessões de ações decorrentes da venda.

Ellison atuará como presidente do conselho da Skydance, e o conselho incluirá todos os atuais membros do conselho da Paramount, além de três novas adições: Kreiz, Laurene Powell Jobs, fundadora e presidente da Emerson Collective, e Bobby Kotick, ex-CEO da empresa de videogames Activision Blizzard. O ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, passará a integrar o conselho como consultor. Blair é atualmente presidente executivo do Tony Blair Institute for Global Change, uma organização sem fins lucrativos que auxilia líderes a governar na era da IA.

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