O que pode mudar com a aquisição do controle da Brava pela Ecopetrol, segundo analistas

A estatal colombiana lançou uma Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA) por uma fatia adicional da companhia brasileira e pode chegar a deter 51% do capital social, se a oferta for bem-sucedida

Operação da Ecopetrol: estatal colombiana está em busca do controle da brasileira Brava. Foto: Esteban Vanegas/Bloomberg

Bloomberg Línea — Após o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA) pelo controle da Brava Energia (BRAV3) por parte da Ecopetrol, a expectativa é que, caso a transação seja bem-sucedida, a colombiana passe a deter 51% do capital social da brasileira.

Na prática, a Brava deve continuar listada no segmento de Novo Mercado da B3.

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A principal diferença reside em torno do controle. Hoje, a Brava é caracterizada como uma junior company (petroleira de menor porte), que tem estrutura de custos mais enxuta e maior agilidade na tomada de decisões.

Com a Ecopetrol assumindo o controle, a gestão passa a ter influência de uma gigante de petróleo estatal, de acordo com analistas.

“É possível que ocorra uma mudança na percepção dos investidores em relação ao múltiplo justo para esse papel por conta da troca de controlador”, diz o analista da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman.

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Ele observa que a movimentação demonstra a força do Brasil no setor, com a estatal colombiana em busca de uma empresa brasileira. “Há um dinamismo de transações societárias envolvendo juniores, com a força do Brasil nesse ecossistema", diz.

Arbetman lembra que o mercado regional de junior companies de petróleo já era restrito, com poucas empresas listadas em Bolsa. A própria Brava é resultado da fusão entre 3R e Enauta. “Vamos continuar com esse segmento enxuto, com uma junior controlada por uma estatal colombiana”, afirma.

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A Brava opera basicamente em campos terrestres (onshore) maduros e também em alto-mar (offshore), com 459 milhões de barris de óleo equivalente (boe) de reservas provadas e produção diária média na casa dos 80 mil barris. A vida útil das reservas é de cerca de 16 anos.

Espera-se que a transação, caso bem-sucedida, adicione reservas e produção relevante à operação da Ecopetrol, com um aumento de reservas líquidas em quase 13% e aumento de exposição ao Brasil.

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Ações da Brava (BRAV3)

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Segundo analistas, a experiência da estatal colombiana pode destravar valor na Brava principalmente no segmento de campos maduros terrestres. Do outro lado, a brasileira pode contribuir com o desenvolvimento de campos offshore da Ecopetrol.

Analistas do BTG afirmaram em relatório que veem chance de ganhos no curto prazo com a operação.

No entanto, segundo analistas do mercado, o avanço da produção da Brava é relativamente limitado, mesmo com as novas campanhas de perfuração, o que coloca em evidência o processo de declínio da produção no futuro próximo.

Oferta pública

Segundo comunicado, o lançamento da OPA da Brava ocorre com um preço de R$ 23 por ação, destinada à aquisição de 116,1 milhões de ações ordinárias, o que corresponde a aproximadamente 25% do total.

O leilão da OPA será realizado no próximo dia 25 de junho. Caso a operação seja concretizada, haverá menos ações no free float.

Em abril, a Ecopetrol já havia comprado 26% das ações de três acionistas da Brava: Somah, Jive e Yellowstone.

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