Bloomberg Línea — Como convencer o cliente acostumado a marcas como Mercedes-Benz, BMW e Volvo a experimentar um carro chinês é o grande desafio da Denza, montadora do segmento premium controlada pela BYD.
Hoje com apenas um modelo à venda no mercado brasileiro - o SUV híbrido B5 -, a empresa planeja ampliar a rede de distribuição dos atuais cinco pontos de venda no país para 22 até o final do ano.
“A Denza não pode ter pressa, mas precisa ter presença”, disse o diretor da marca no Brasil, Werner Schaal, em entrevista à Bloomberg Línea.
O B5 tem preços a partir de R$ 405.000 e R$ 449.000, dependendo da versão. No primeiro semestre, a montadora emplacou 1.352 unidades do modelo, segundo dados da Fenabrave, entidade que reúne as concessionárias do país.
“O B5 é uma quebra de paradigma no segmento premium. Em apenas sete meses, já superou marcas consolidadas”, disse o executivo.
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O modelo é equipado com dois motores elétricos e um motor 1.5 turbo a combustão e tração nas quatro rodas (4×4), muito utilizada em trilhas e terrenos off-road. A promessa é de uma autonomia total combinada de até 1.200 quilômetros. Somente no modo elétrico, a estimativa é de aproximadamente 75 a 100 km.
Schaal diz que o concorrente natural do B5, que tem a aparência de um jipe grande, é a Defender, da Land Rover. O modelo da marca britânica custa a partir de R$ 800.000, em média, no Brasil.
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Para o executivo, contudo, o B5 consegue oferecer um nível de tecnologia embarcada elevado, com 16 modos de condução, mais de 600 cv de potência, além do posicionamento de preço.
“É um carro que consegue oferecer tecnologia, conforto, sofisticação e ser um off-road com preço interessante para o brasileiro.”
Embora o modelo britânico seja um concorrente natural em termos de características técnicas, Schaal afirma que o B5 tem atraído consumidores de outras categorias. Ele cita como exemplos os compradores da X3, da BMW, ou GLC, da Mercedes. “Estes clientes vêm de categorias que não são tão comparáveis com o B5.”
A chegada do esportivo Z9 GT ao mercado brasileiro está confirmada para o segundo semestre, com preço a partir de R$ 650.000, bem como da D9, uma multi-purpose van (MPV), ou veículo grande de diferentes usos, com características de luxo. O modelo atende desde empresas de transporte executivo até famílias grandes. O preço ainda não foi divulgado.

Atualmente, o principal concorrente do D9 é a Carnival, da Kia, que tem preço sugerido a partir de R$ 684.990. Com acessórios e blindagem (algo que, segundo lojistas, é a prática mais comum no mercado brasileiro), o modelo da marca coreana pode chegar a R$ 850.000.
“O que posso garantir é que o D9 entrega muito mais tecnologia, conforto e luxo interno. É um carro bem acima do Kia Carnival nesses aspectos”, disse Schaal.
Ele acrescenta que o Z9 chegará com a tecnologia flash charge, de carregamento ultrarrápido, que segundo o executivo é tão rápido quanto abastecer no tanque de combustível. “Esses atributos são uma disrupção no mercado brasileiro, ainda não existe essa tecnologia disponível [para o consumidor] no país.”
A Denza foi criada em 2010 por meio de uma joint venture (50/50) entre a BYD e a Mercedes para desenvolver veículos elétricos premium. Posteriormente, a chinesa comprou a totalidade da Denza e iniciou um plano de expansão internacional, começando pelos mercados do Brasil e do México.
Agora, a montadora está chegando à Europa, Oriente Médio e Austrália. “Ter a BYD por trás ajuda, mas a Denza tem vida própria e identidade própria. Trazemos as tecnologias mais inovadoras”, diz Schaal.
Pop-ups e produção local
Além das concessionárias, a Denza trabalha com operações pop-up em shopping centers. Segundo o executivo, o conceito envolve uma atividade preliminar para ativar o mercado enquanto a concessionária está para ser entregue.
“É um pré-atendimento por um período determinado. A pop-up tem que ser algo temporário, não permanente”, diz.
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Ele destaca que o objetivo da Denza é figurar entre as líderes do segmento premium no Brasil. Embora não tenha uma meta definida de vendas, Schaal afirma que a montadora avalia produzir eventualmente em território brasileiro.
“Estamos avaliando, sem dúvida, é algo que está no nosso radar. Ainda não está confirmado, mas a fábrica [da BYD] é enorme e, se isso fizer sentido, vamos avaliar com certeza”, diz.
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