Lista de credores em negociação com a Raízen inclui BNP, Bradesco, Santander e Itaú

Empresa controlada pela Shell e pela Cosan concordou em iniciar uma reestruturação extrajudicial de sua dívida de R$ 65 bilhões, suspendendo os pagamentos e aguardando aprovação dos credores para um plano mais abrangente

A Raízen, que já foi a principal produtora de biocombustíveis do Brasil, vem sofrendo com altas taxas de juros, safras fracas (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
Por Rachel Gamarski - Giovanna Bellotti Azevedo - Matheus Piovesana
11 de Março, 2026 | 02:48 PM

Bloomberg — O BNP Paribas, o Bradesco e o Rabobank estão entre os maiores credores da Raízen, empresa de açúcar e etanol, que busca reestruturar extrajudicialmente cerca de R$ 65 bilhões em dívidas.

Documentos divulgados pela Raízen revelaram que o BNP, com sede em Paris, tem a receber R$ 4,2 bilhões, segundo informações da empresa divulgadas na quarta-feira (11). O Bradesco, o Santander, o Rabobank e o Sumitomo Mitsui têm a receber cerca de R$ 2 bilhões, cada, enquanto o Itaú Unibanco possui mais de R$ 1 bilhão em dívidas com a empresa.

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A Raízen, controlada pela Shell e pela Cosan, concordou em iniciar uma reestruturação extrajudicial de sua dívida de R$ 65 bilhões, suspendendo os pagamentos e concedendo um prazo de 90 dias para obter a aprovação dos credores para um plano mais abrangente.

Isso pode envolver aportes adicionais de capital por parte dos proprietários, a conversão de parte da dívida em ações ou a venda de ativos.

O Bank of New York Mellon, administrador fiduciário, é citado nos documentos como credor do equivalente a aproximadamente R$ 26 bilhões, conforme mostram os documentos.

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A securitizadora True também consta entre os maiores credores, com um crédito de cerca de R$ 6,4 bilhões.

As securitizadoras são responsáveis ​​pela estruturação de certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs), uma classe de títulos de renda fixa relativamente nova, utilizada para financiar o setor que ajudou a impulsionar o crescimento do agronegócio brasileiro.

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O Bradesco se recusou a comentar, e o Rabobank afirmou que não comenta transações de mercado. BNP Paribas, Santander, Sumitomo, Itaú Unibanco, True e BNY Mellon não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

A Raízen, que já foi a principal produtora de biocombustíveis do Brasil, vem sofrendo com altas taxas de juros, safras fracas e investimentos vultosos que ainda não se pagaram.

O preço de seus títulos denominados em dólares despencou para níveis que indicam que a empresa está em dificuldades.

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Sua classificação de risco foi drasticamente rebaixada para o grau especulativo, à medida que as preocupações com seu endividamento aumentavam e as negociações para um resgate por parte de seus principais acionistas se arrastavam.

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