GPA obtém tutela cautelar para bloquear venda de ações pelo Casino

Segundo a varejista, a Justiça bloqueou a saída do Casino do capital do GPA em meio a disputa de arbitragem iniciada em 2025; decisão ocorre enquanto varejista negocia reestruturação de R$ 4,5 bilhões em dívidas com credores

A shopper exits a Grupo Pao de Acucar (GPA) grocery store in Sao Paulo, Brazil, on Monday, March 18, 2024. Brazil's biggest retailer Cia Brasileira de Distribuicao, chain owner of GPA grocery stores, raised 704 million reais ($141.6 million) in a primary equity offering as it works to slash its debt load, according to people familiar with the matter. Photographer: Tuane Fernandes/Bloomberg

Bloomberg Línea — O Grupo Pão de Açúcar (GPA) obteve uma tutela cautelar que impede o acionista Casino Guichard-Perrachon de vender suas ações na companhia.

A decisão foi proferida pelo Juízo Titular da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do Estado de São Paulo, conforme fato relevante divulgado pela empresa nesta segunda-feira (20).

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A medida abrange tanto as ações que já foram vendidas pelo Casino — com a interrupção de sua compensação financeira em bolsa antes que as operações sejam concretizadas — quanto aquelas ainda não vendidas ou vendidas mas não liquidadas, ficando proibida sua venda ou liquidação.


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A decisão foi proferida no contexto de um pedido de reconhecimento de processo estrangeiro iniciado pelo próprio Casino contra o GPA, por meio do qual o grupo francês buscava homologar no Brasil a autorização para alienar sua participação na companhia.

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Segundo a companhia, o juiz reconheceu a probabilidade do direito do GPA e o risco de esvaziamento do patrimônio do acionista por meio da alienação das ações.

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Segundo o fato relevante assinado por Pedro Albuquerque, vice-presidente de Finanças e diretor de Relações com Investidores do GPA, a tutela cautelar “representa um passo importante na preservação dos direitos e garantias da companhia”, objeto de um processo de arbitragem iniciado em 6 de maio de 2025.

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O Grupo Casino não respondeu imediatamente a um pedido de comentários feitos pela Bloomberg Línea por e-mail.

Momento crítico

A decisão judicial ocorre em um dos momentos mais delicados da história recente do GPA (PCAR3). Em fevereiro, a varejista dona das redes Pão de Açúcar e Extra admitiu em suas notas explicativas do resultado do quarto trimestre que o prejuízo registrado no período e o déficit de capital de giro levantavam dúvidas relevantes sobre sua continuidade operacional.

A dívida líquida da companhia subiu para R$ 2,08 bilhões ao fim de 2025, ante R$ 1,39 bilhão no ano anterior, enquanto o índice de alavancagem — medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda — saltou de 1,6 vez para 2,4 vezes no mesmo período.

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Em março, o GPA anunciou um acordo com credores para iniciar um plano de recuperação extrajudicial abrangendo cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas sem garantia e de natureza não operacional.

Credores representando 46% dos créditos afetados — ou R$ 2,1 bilhões — já haviam concordado com a reestruturação, segundo comunicado da empresa.

As obrigações de pagamento junto aos credores abrangidos foram suspensas por 90 dias para que um plano mais amplo fosse negociado.

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