Geely ganha força no exterior, troca comando e prepara produção de elétricos no Brasil

Montadora chinesa avança em sua estratégia de internacionalização, apesar de recuo no mercado doméstico, registra alta de 36% em lucro trimestral e anuncia que Li Shufu vai deixar a presidência do conselho para dedicar mais tempo aos seus outros negócios

Geely Automobile Holdings Ltd.'s Zeekr electric vehicles bound for shipment to Europe at the Port of Taicang in Taicang, Jiangsu Province, China, on Thursday, Aug. 24, 2023. Geely, one of China's largest independent carmakers, posted first-half earnings that beat estimates, weathering a price war that continues to hit the industry. Bloomberg
Por Bloomberg News
PUBLICIDADE

Bloomberg — A Geely divulgou um aumento acentuado no lucro do segundo trimestre depois que as exportações ajudaram a montadora a superar a demanda fraca na China. A empresa anunciou uma reformulação de sua equipe executiva, incluindo a renúncia de Li Shufu ao cargo de presidente do conselho.

Li foi nomeado presidente honorário vitalício, o que lhe permitirá dedicar mais tempo aos seus outros negócios e auxiliar no planejamento da sucessão, informou a empresa nesta segunda-feira (17). Ele continuará atuando como presidente da controladora Zhejiang Geely Holding Group, o que indica que manterá a supervisão sobre seu vasto império automotivo.

PUBLICIDADE

O anúncio seguiu-se a um relatório de resultados que mostrou que o lucro líquido cresceu 36%, para 4,9 bilhões de yuans (US$ 727 milhões), nos três meses encerrados em 30 de junho, atendendo às expectativas dos analistas. O lucro semestral caiu 1,8%, para 9,09 bilhões de yuans, embora tenha superado as estimativas.

As ações da Geely Auto fecharam com alta de 4,8% em Hong Kong.


Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

PUBLICIDADE

Com a desaceleração do ritmo de crescimento no mercado interno, a Geely busca expandir sua presença no exterior. A montadora informou que elevou sua meta de exportação para 2026 em 23%, para 920.000 unidades.

Isso se baseia em um forte início de ano, com as exportações da Geely mais que dobrando no primeiro semestre, para 474.228 veículos, de acordo com um comunicado anterior da empresa. As vendas de automóveis na China nos primeiros seis meses caíram 20%, com a Associação de Veículos de Passageiros prevendo uma contração de 14% para todo o ano de 2026.

A breve vantagem sobre a BYD no início do ano foi perdida, à medida que a maior fabricante mundial de veículos elétricos se beneficiou da demanda impulsionada pelos preços mais altos do petróleo devido ao conflito entre os EUA e o Irã. As vendas no exterior atingiram mais de 812.700 carros nos primeiros seis meses deste ano, quase o dobro do volume das exportações da Geely.

PUBLICIDADE

Leia também: Chinesa Geely adquire 26% da Renault do Brasil e vai produzir carros no Paraná

Vendas da Geely ficam atrás das da BYD

Embora a Geely Auto também comercialize veículos totalmente elétricos e híbridos, ela tem sido mais lenta do que a BYD na implantação de uma rede de distribuição no exterior e só agora recupera o atraso.

Ainda assim, as ofertas mais sofisticadas da Geely, por meio de sua submarca Zeekr, também estão dando frutos. O SUV de luxo 9X tornou-se o veículo mais vendido da China na faixa acima de 500.000 yuans e elevou o preço médio de venda por carro da Geely em 15.000 yuans, para 112.000 yuans.

PUBLICIDADE

Leia também: Volvo está pronta para ajudar a Geely a produzir carros na Europa, diz CEO

A empresa chegou a um acordo em julho para compartilhar capacidade e produzir veículos na fábrica subutilizada da Ford em Valência, na Espanha, e deve iniciar a produção local de seu crossover compacto EX5 e do hatchback subcompacto EX2 — conhecido como modelo Xingyuan na China — por meio de uma joint venture com a Renault no Brasil.

Veja mais em bloomberg.com