Bloomberg Línea — Desde que Donald Trump voltou à Casa Branca, e à medida que a direita se consolidou como a principal força política da América Latina, os Estados Unidos estenderam seus tentáculos militares na região.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou na última quarta-feira (12), durante um fórum do Escudo das Américas no Panamá, que o governo do presidente colombiano, Abelardo De la Espriella, autorizou “operações militares conjuntas para destruir terroristas”.
O anúncio chamou a atenção, já que não havia se passado nem uma semana desde que De la Espriella, representante da extrema-direita, havia assumido o cargo de presidente da Colômbia.
Além disso, a autorização para operações desse tipo cabe ao Poder Legislativo, e não ao Executivo.
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Além disso, a Colômbia aderiu ao chamado Escudo das Américas, um grupo liderado pelos Estados Unidos do qual fazem parte outros 18 países e que une esforços para combater o tráfico de drogas.
Os Estados Unidos realizam operações militares conjuntas com o Equador contra o crime organizado, mesmo que a população tenha rejeitado a instalação de bases estrangeiras em um referendo.
As operações, que não envolvem a instalação de bases, foram autorizadas pelo presidente de direita, Daniel Noboa, reeleito em abril de 2024.
A organização Human Rights Watch afirma que a cooperação militar entre os Estados Unidos e o Equador resultou em quatro incidentes marcados por “abusos, incluindo ataques com drones, tortura e detenção arbitrária” de civis.
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Um desses casos foi registrado em território colombiano, onde “forças equatorianas detiveram arbitrariamente e torturaram quatro cidadãos colombianos que trabalhavam em uma fazenda”.
Os três casos restantes ocorreram na costa das Ilhas Galápagos, onde embarcações pesqueiras foram atacadas por drones armados.
Honduras e Guatemala
Ainda do Panamá, Hegseth informou que Honduras e a Guatemala solicitaram operações conjuntas com os Estados Unidos. Ambos os países se tornaram pontos de trânsito das drogas que partem da América do Sul com destino à América do Norte.
“Parabenizo Honduras e a Guatemala por convidarem os Estados Unidos a participar de operações conjuntas contra terroristas em seus países”, disse o secretário de Defesa dos Estados Unidos.
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No momento, não se tem conhecimento de acordos sobre o assunto, embora os governos de Honduras e da Guatemala tenham anunciado a colaboração com os Estados Unidos há algumas semanas.
Em 16 de junho, o chefe das Forças Armadas de Honduras, general Héctor Valerio, comentou sobre a possibilidade de operações conjuntas com os Estados Unidos depois que um jornalista lhe fez uma pergunta sobre o assunto.
“Você se refere a operações de combate e, nesse tipo de operação, está ocorrendo um diálogo”, comentou o general Valerio.
Ele também esclareceu que o presidente de Honduras, Nasry Asfura, que recebeu apoio público de Trump antes das eleições presidenciais, será quem determinará “em que momento isso ocorrerá (...), para que o Exército dos Estados Unidos possa realizar operações”.
Em 28 de maio, o governo do presidente Bernardo Arévalo reconheceu que seu ministro da Defesa, Henry Sáenz, entrou em contato com Hegseth em busca de cooperação no combate ao tráfico de drogas.
Apesar disso, negou, em um comunicado, a existência de um “acordo que autorize operações militares estrangeiras por qualquer país em território nacional”.
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Já em 2025, os Estados Unidos haviam colaborado com outros parceiros do Caribe e da América Central.
Na última semana de novembro, a República Dominicana autorizou os Estados Unidos a utilizar uma base aérea em seu território e, em meados daquele mês, o Panamá recebeu tropas do Pentágono para realizar treinamentos na base aeronaval Cristóbal Colón.
Anteriormente, em outubro, Trinidad e Tobago, localizada a 11 quilômetros da Venezuela, autorizou a presença de um navio militar dos Estados Unidos. Esses casos são um exemplo da nova dinâmica nas relações entre Washington e a região.
Venezuela e Cuba
A Venezuela e Cuba são exemplos de como os Estados Unidos estenderam seus tentáculos militares, embora não exatamente por colaborarem nesse aspecto com o governo Trump.
Não se pode esquecer que uma mobilização militar no Caribe, ordenada por Trump e sob a supervisão de Hegseth desde setembro de 2025, levou à queda de Nicolás Maduro no último dia 3 de janeiro.
“Agora chamam isso de Doutrina Donroe. O domínio dos Estados Unidos no hemisfério ocidental nunca mais será questionado”, disse Trump em sua primeira coletiva de imprensa após a operação que ganhou grande destaque na mídia para retirar Maduro de Caracas.
Hegseth, por sua vez, não descarta uma intervenção militar em Cuba, mesmo que o governo comunista de Miguel Díaz-Canel tenha aberto progressivamente a economia à iniciativa privada sob pressão dos Estados Unidos.
“Todas as opções, inclusive as militares, estão em aberto”, disse Hegseth ao ser questionado sobre Cuba, também na quarta-feira, do Panamá.
A rejeição ao presidente de Cuba, Díaz-Canel, e ao primeiro-ministro, Manuel Marrero Cruz, chega a 95%, de acordo com o Relatório sobre o Estado dos Direitos Sociais de 2026, publicado em 13 de agosto, enquanto os Estados Unidos mantêm os olhos voltados para a ilha.








