Volvo está pronta para ajudar a Geely a produzir carros na Europa, diz CEO

Executivo Hakan Samuelsson disse em entrevista à Bloomberg Television que a Volvo pode oferecer capacidade industrial na Europa para marcas da Geely que busquem produção local: ‘podemos realmente apoiá-las'

Movimento ocorre enquanto grupo busca maior integração entre marcas: CEO da Volvo diz que 'segundo semestre será melhor' em relação aos resultados (Foto: Mikael Sjoberg)
Por Stefan Nicola - Rafaela Lindeberg

Bloomberg — A Volvo Car está disposta a permitir que a Geely utilize suas fábricas na Europa para que a controladora chinesa possa produzir veículos na região, afirmou o CEO Hakan Samuelsson.

Montadoras chinesas que desejam ter sucesso na Europa precisam de produção local, disse Samuelsson nesta quarta-feira.

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Empresas do país asiático buscam contornar as tarifas da União Europeia sobre veículos elétricos à medida que expandem sua presença no bloco.

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Se as marcas da Geely quiserem fabricar carros na Europa, “podemos realmente apoiá-las com produção local”, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Television. “Essa é uma opção para elas.”

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Montadoras chinesas têm intensificado esforços para garantir capacidade produtiva na Europa, enquanto buscam crescimento na região diante da forte concorrência de preços em seus mercados domésticos.

A Dongfeng Motor está em negociações com a Stellantis para acessar fábricas subutilizadas da fabricante da Peugeot na Europa, informou a Bloomberg neste mês.

Li Shufu, bilionário chinês por trás da Volvo e da Geely, afirmou em março que há potencial para uma cooperação mais estreita entre as marcas de seu império automotivo para lidar com o excesso de capacidade.

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A Volvo já produz modelos nas fábricas da Geely na China, enquanto a Polestar também se beneficia da conexão com veículos fabricados na unidade da empresa sueca em Charleston, na Carolina do Sul.

A Volvo também é a importadora exclusiva na Europa dos carros da Lynk, outra marca da Geely.

Leia também: Nem todas as marcas vão sobreviver à nova era dos elétricos, diz CEO da Volvo

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Mais cedo nesta quarta-feira, a Volvo reportou queda nos lucros do primeiro trimestre.

A montadora enfrenta redução nas vendas de veículos elétricos nos Estados Unidos, após o fim de subsídios, e aumento da concorrência de marcas locais na China.

A empresa registrou uma margem de lucro antes de juros e impostos de 2,2%, ligeiramente abaixo do mesmo período do ano anterior, mas acima do consenso. A Volvo teve um “trimestre sólido do ponto de vista financeiro, dado o cenário global”, disseram analistas da Bernstein liderados por Harry Martin em relatório.

As ações subiam 2,4% às 9h03 em Estocolmo, embora ainda acumulem queda de cerca de um quinto no ano.

A montadora aposta no novo SUV elétrico EX60 para impulsionar uma recuperação mais consistente.

Apresentado em janeiro, o modelo registrou forte demanda inicial na Europa, levando a empresa a ampliar a produção na fábrica de Torslanda, na Suécia. A alta dos preços dos combustíveis, em meio ao conflito no Oriente Médio, pode acelerar a transição para veículos elétricos e aumentar a demanda por modelos como o EX60, disse Samuelsson à Bloomberg TV.

Leia também: Volvo Car se prepara para cortar 3.000 empregos após queda de 60% nos lucros

“O segundo semestre será melhor”, afirmou o CEO. A empresa reiterou sua meta de fluxo de caixa “claramente melhor” para o ano.es

A Geely adquiriu a Volvo da Ford Motor por US$ 1,8 bilhão em 2010 — na época, a maior aquisição de uma montadora estrangeira por uma empresa chinesa — e desde então construiu um amplo império automotivo que inclui Polestar, Lotus e Zeekr.

--Com a ajuda de Lizzy Burden e Jonas Ekblom.

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