Bloomberg Línea — A Farm será transformada em uma companhia independente com a separação da Azzas 2154 (AZZA3), acertada nesta quarta-feira (2) por Alexandre Birman e Roberto Jatahy.
A grife carioca terá gestão e governança próprias e será controlada pelas duas empresas que resultarão da operação: a Arezzo&Co, de Birman, com 57,4%, e a Soma, de Jatahy, com 42,6%.
O resto do grupo volta ao desenho anterior à fusão de 2024, em duas companhias abertas listadas no Novo Mercado da B3. A separação acontecerá em duas etapas: uma cisão parcial, que reparte marcas e operações e cria a empresa da Farm, e uma permuta de ações entre os dois blocos.
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Ao fim, o bloco Jatahy terá 25,95% da Soma, o bloco Birman ficará com 32,13% da Arezzo&Co e mais 6,18% da Soma, e os demais acionistas somarão 67,87% de cada uma.
Faltam os avais do conselho, da assembleia, do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e da B3 para listar a SOMA, e a cisão não dá direito de retirada, segundo o fato relevante.
Os acionistas de AZZA3 não precisarão tomar nenhuma medida e manterão a mesma participação, segundo o documento.

“Com a implementação da cisão, cada acionista da AZZAS 2154 se tornará titular de ações de emissão de ambas as companhias na exata proporção das participações por eles detidas no capital social da Companhia, de modo que a participação relativa de cada acionista seja integralmente preservada”, diz o fato relevante assinado por Eric Alexandre Alencar, diretor financeiro e de relações com investidores.
A divisão das marcas seguirá a origem de cada grupo. A Arezzo&Co ficará com as marcas de calçados e bolsas Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Alexandre Birman e Carol Bassi, além da Hering e suas extensões.
A Soma reunirá as marcas de vestuário Animale, NV, Maria Filó, Cris Barros, Reserva e suas extensões, Oficina e Foxton, segundo o comunicado.
Quanto vale a Farm?
A Farm ficou fora dessa conta porque é a peça mais cobiçada e a mais difícil de repartir. A marca, principal vetor internacional do grupo, entrou em avaliação de alternativas estratégicas em junho, quando a companhia confirmou a contratação do Morgan Stanley.
Fundada em 1997 por Kátia Barros e Marcello Bastos no Rio de Janeiro, a Farm vive um dos momentos mais ambiciosos de sua trajetória de expansão e reposicionamento de marca.
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A XP estimou a grife entre US$ 360 milhões e US$ 900 milhões em relatório divulgado em junho. A corretora conhece o assunto de perto: seu fundador e presidente do conselho, Guilherme Benchimol, costurou a fusão, abriu a apresentação dos dois CEOs a investidores em fevereiro de 2024 e depois ocupou uma cadeira no conselho da Azzas até 2025.
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A convivência entre os fundadores azedou em menos de um ano, passou pela Justiça do Rio e chegou à arbitragem.
Em maio, o analista João Pedro Soares, do Citi, escreveu que uma separação poderia ser o desfecho de maior geração de valor diante das dúvidas de governança.
O BTG Pactual e a Spinelli Advogados assessoraram Birman. O G5 Partners e o BMA Advogados, Jatahy, informa o fato relevante.
A Azzas não divulgou cronograma nem os códigos com que as duas ações passarão a ser negociadas. Às 10h53 desta quarta-feira, AZZA3 subia 11,41%, a R$ 16,79, mesmo assim o papel acumula perda de 33,75% no ano e de 50,31% em 12 meses.
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