Bloomberg — A Itaúsa, uma das maiores holdings de investimento do Brasil, sinalizou que pretende aumentar sua participação na Aegea, enquanto a companhia de saneamento busca captar novos recursos para reduzir sua alavancagem.
A Itaúsa informou que poderá investir até R$ 1,5 bilhão na Aegea Saneamento e Participações, segundo fato relevante divulgado na terça-feira. A empresa de saneamento afirmou que pretende emitir até 37,98 milhões de novas ações ordinárias, ao preço de R$ 55,29 por ação.
A Aegea convocou uma assembleia geral extraordinária para 28 de julho para aprovar o aumento de capital, que poderá totalizar até R$ 2,1 bilhões.
A medida ocorre no momento em que a Aegea busca fortalecer seu balanço patrimonial após anos de crescimento agressivo por meio de leilões e aquisições, incluindo a aquisição da Corsan no estado do Rio Grande do Sul. O índice pro forma de dívida líquida sobre o Ebitda da empresa subiu para 4,43 no primeiro trimestre, ante 4,03 no mesmo período do ano anterior.
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A Aegea passou a ser alvo de maior escrutínio no último trimestre após adiar a divulgação de suas demonstrações financeiras, o que provocou uma onda de vendas de seus títulos e levou a S&P Global Ratings e a Fitch Ratings a rebaixarem ainda mais a classificação da empresa para o nível de risco de inadimplência.
Os recursos para a oferta da Aegea viriam do caixa disponível da Itaúsa, informou a empresa no documento apresentado.
A Itaúsa, que detém 13% da concessionária de água, também afirmou que o valor que acabará por subscrever dependerá de como os demais acionistas exercerem seus direitos durante o prazo de 30 dias.
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“O que é bom observar aqui, após alguns anos de hesitação por parte dos acionistas brasileiros, é que os acionistas institucionais estão se mobilizando para apoiar um aumento de capital”, afirmou Roger Horn, estrategista da Mariva Capital Markets.
A Itaúsa possuía uma carteira no valor de R$ 194,5 bilhões até março. Os membros das famílias Setúbal e Villela são seus acionistas controladores. Sua principal participação é uma participação controladora na Itaú Unibanco Holding, o maior banco da América Latina em ativos, embora a empresa tenha expandido seus investimentos no setor de infraestrutura do Brasil nos últimos anos.
Antes da queda nos mercados de dívida, a Aegea se preparava para uma oferta pública inicial na B3, com a Itaúsa afirmando que esperava que a avaliação da empresa ultrapassasse R$ 40,5 bilhões.
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No início deste ano, os acionistas — o fundo soberano de Cingapura GIC e a Itaúsa — estavam considerando injetar cerca de US$ 1 bilhão em capital novo na concessionária de água, segundo informaram fontes a par do assunto à Bloomberg News na época.
A empresa pretendia participar de uma possível oferta pela Copasa, concessionária estatal de Minas Gerais, embora tenha acabado optando por não apresentar proposta.
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