Citi vê potencial em minerais para IA na América Latina, mas aponta desafio de capital

Região concentra 41% da produção global de cobre e 19% da de lítio, mas precisa ampliar investimentos em novos projetos e processamento

Minerales críticos.

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Bloomberg Línea — A América Latina concentra uma parte essencial dos minerais essenciais que serão necessários para a expansão global da inteligência artificial e a transição energética, mas enfrenta o desafio de atrair o capital necessário para desenvolver novos projetos.

O Citi considera que uma das principais vantagens da América Latina é sua riqueza em minerais essenciais: a região concentra 41% do cobre extraído em todo o mundo, 22% do zinco, 19% do lítio, 8% da bauxita e 4% do níquel.

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Atualmente, a América Latina conta predominantemente com a produção de lítio de menor custo, o que se mostra favorável em um contexto de volatilidade dos preços ao longo de diferentes ciclos.

O diretor global de Metais e Mineração do Citi, William Husband, destacou em um fórum virtual do qual participou a Bloomberg Línea que várias das grandes mineradoras mundiais com operações na América Latina estão priorizando a exploração, os investimentos de capital para o crescimento e o financiamento de novos projetos na casa de “bilhões de dólares” em países como Chile, Argentina e Peru.

“Assim, (a América Latina) tornou-se um importante foco de atenção em nível mundial, em comparação com algumas das outras jurisdições tradicionais de mineração do mundo”, afirmou Husband no fórum virtual “Latin America’s Role in Driving the Critical Minerals Transformation”, organizado pelo Citi.

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No entanto, os analistas consideram que a vantagem geológica da América Latina não será suficiente se a região não conseguir transformar seus recursos em projetos financiáveis e cadeias de maior valor.


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Atualmente, a China domina grande parte do processamento global de minerais críticos, enquanto a América Latina continua focada na extração.

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De acordo com os números divulgados no evento do Citi, a América Latina concentra 26% do investimento global em exploração mineral.

Em 2025, a região recebeu cerca de US$ 3,2 bilhões para exploração, sendo o Chile o principal destino.

Até 2040, a região teria uma oportunidade de crescimento de US$ 154 bilhões no mercado de minerais: US$ 130 bilhões em novas atividades de mineração e US$ 24 bilhões em refino.

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O cobre, especialmente no Chile e no Peru, seria o principal impulsionador, seguido pelo crescimento do lítio e do níquel.

Por outro lado, a região é responsável por 17% da produção mundial de ouro, tendo o México, o Peru e o Brasil como seus principais produtores.

Do Brasil à Argentina: as oportunidades no setor de minerais críticos

Piscinas de evaporación de salmuera en el proyecto de litio Tres Quebradas en la provincia de Catamarca, Argentina, en diciembre de 2021.

Sobre a Argentina, William Husband mencionou que, neste momento, “há uma série de projetos de cobre em grande escala no mercado que buscam financiamento por meio de diversas fontes”, sejam elas investimentos estratégicos de outras empresas, financiamento de projetos por agências de crédito à exportação ou qualquer outra opção intermediária.

Ele considerou que a Argentina está passando por um dos maiores períodos de investimento no setor de mineração, impulsionado por uma geologia excepcional que oferece oportunidades de nível mundial em cobre, lítio e ouro. “Muitos bancos estão dedicando muito tempo à Argentina”.

Leia também: UE mira terras raras do Brasil para fortalecer cadeias de suprimentos, dizem fontes

Segundo o Citi, a maior clareza em relação às regras fiscais facilitou o desenvolvimento de projetos na Argentina, levando grandes mineradoras e empresas argentinas a acelerar a exploração no país.

Husband também destacou que as terras raras representam uma das principais oportunidades do Brasil no setor de minerais críticos e considerou que o país tem condições para se tornar um ator relevante no seu processamento.

“O Brasil é, depois da China, um dos locais ideais para a mineração de terras raras, com potencial para aumentar tanto a produção quanto, posteriormente, o processamento”, afirmou o diretor global de Metais e Mineração do Citi durante o evento. “Para o processamento, será necessário capital”.

Rare-Earth Startups

Embora o lítio brasileiro, proveniente principalmente de rochas e argila, possa ser mais caro do que o extraído de salmouras da Argentina, do Chile e da Bolívia, ele continuaria sendo economicamente viável com os preços atuais, comentou ele.

O executivo acrescentou que o Brasil é praticamente o maior produtor mundial de nióbio, além de contar com uma importante produção de alumínio e aço.

Esses materiais poderiam se beneficiar do crescimento da infraestrutura associada aos centros de dados de inteligência artificial.

Leia também: Como a América Latina se tornou um mercado-chave para a transição energética da Europa

Com base nessa combinação de recursos, ele chegou a questionar se o Brasil deveria acelerar a construção de centros de dados de IA, aproveitando a disponibilidade dos minerais e materiais necessários para desenvolver essa infraestrutura.

No caso do Peru, William Husband destacou que o país andino precisa agilizar o processo de obtenção de licenças para ampliar as operações existentes e desenvolver novas minas, além de reforçar a disponibilidade de mão de obra especializada.

Ele também destacou que o principal desafio está no acesso a capital de longo prazo e a custos mais baixos, o que poderia ajudar a impulsionar a mineração com capital local e financiar novas explorações, inclusive por meio de parcerias entre o governo e as grandes empresas de mineração.

“Para mim, o mais importante é, provavelmente, que o governo facilite o acesso a capital de longo prazo e a um custo menor para impulsionar ainda mais o setor de mineração de propriedade local. Há várias grandes empresas operando na região, mas ainda há muitas áreas a serem exploradas”, afirmou.