CFO da Nike diz que cenário não deve melhorar nos próximos seis meses; ações caem

Os clientes estão ‘sob pressão em todo o mundo, e podemos observar, em particular, que isso está causando um impacto maior no setor de roupas esportivas’, acrescentou Matt Friend, diretor financeiro da Nike, durante teleconferência de resultados

Fabricante de artigos esportivos superou as estimativas de lucro e receita, mas a perspectiva para os próximos meses reforçou a cautela dos investidores (Foto: David Paul Morris/Bloomberg)
Por Lily Meier
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Bloomberg — Os executivos da Nike apresentaram uma perspectiva cautelosa e alertaram sobre o elevado nível de ansiedade dos consumidores, o que aumentou as preocupações dos investidores quanto à recuperação dolorosamente lenta da empresa de roupas esportivas.

“Não esperamos que o cenário melhore significativamente nos próximos seis meses”, afirmou Matt Friend, CFO da Nike, nesta terça-feira, durante uma teleconferência com investidores.

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Os clientes estão “sob pressão em todo o mundo, e podemos observar, em particular, que isso está causando um impacto maior no setor de roupas esportivas”, acrescentou ele.


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A Nike espera uma desaceleração no próximo trimestre em comparação com o período atual, citando o calendário das remessas no atacado na América do Norte, entre outros fatores.

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As ações caíram até 4,2% nas negociações pré-mercado em Nova York nesta quarta-feira. Os comentários pessimistas ofuscaram as vendas e o lucro melhores do que o esperado no último trimestre.

O diretor executivo Elliott Hill lidera a Nike há quase dois anos, e o progresso rumo à retomada do crescimento tem se arrastado, gerando frustração.

A administração enfrenta uma pressão cada vez maior para apresentar resultados, com as ações da empresa registrando queda de 36% neste ano até o fechamento da terça-feira, colocando-as a caminho de uma quinta queda anual consecutiva.

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(Fonte: Dados da companhia)

A fraqueza contínua “reforça a sensação de que os problemas da Nike são mais profundos do que se reconhecia anteriormente e que, consequentemente, a recuperação está demorando muito mais do que o previsto”, escreveu Neil Saunders, diretor-gerente da GlobalData, em um e-mail.

A paciência dos investidores está sendo especialmente posta à prova pela persistente fraqueza na Grande China, onde os resultados ficaram em linha com as expectativas, mas ainda assim apresentaram queda de 12% em relação ao ano anterior.

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A concorrência no mercado, que é um dos maiores da Nike, se intensificou, enquanto os consumidores se voltaram para marcas locais em meio ao aumento dos custos.

A Nike está realizando uma “reestruturação abrangente” na Grande China, afirmou Hill durante a teleconferência.

A empresa está “adotando uma abordagem mais local na criação de produtos” e está trabalhando com parceiros para “ser mais premium, mais conectada culturalmente e acompanhar o ritmo dos consumidores chineses”.

Com as vendas gerais ainda em queda, a recuperação levará mais tempo, à medida que a Nike busca liquidar o excesso de estoques de roupas esportivas, streetwear, produtos da marca Jordan e outros itens na China, afirmou a analista da Bloomberg Intelligence, Poonam Goyal, em uma nota.

Os investidores provavelmente ainda questionarão se a Nike “tomou medidas drásticas nas revisões dos lucros”, afirmou o analista da Guggenheim, Simeon Siegel. Ele reduziu o preço-alvo das ações da Nike de US$ 74 para US$ 60.

Foco no esporte

A receita da Converse despencou 32% no quarto trimestre. Suas vendas anuais foram as mais baixas desde 2011.

Isso “levanta a questão de se a Nike realmente tem capacidade e vontade para recuperar a marca”, afirmou Saunders.

“Caso não tenha, deveria buscar uma estratégia de saída para evitar que a Converse se torne um peso para os recursos e o tempo da administração.”

A estratégia de Hill tem se concentrado em direcionar o foco da Nike para esportes individuais, como basquete e corrida. Embora a marca tenha feito progressos, ela cometeu erros, como um anúncio da Maratona de Boston que foi retirado do ar após críticas, e parte de seu estoque para a Copa do Mundo não chegou aos varejistas no prazo previsto.

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A Nike pode estar recebendo um impulso da Copa do Mundo. Até o momento, a empresa já vendeu mais do que o dobro da quantidade de produtos relacionados ao torneio em comparação com o evento de 2022, afirmou Cristina Fernandez, do Telsey Group, em uma nota.

A Nike espera que estrelas como o francês Kylian Mbappé e o norueguês Erling Haaland continuem marcando gols de grande destaque, agora que as duas seleções avançaram para as oitavas de final.

No início deste mês, a Nike informou que David Denton, diretor financeiro da Pfizer Inc., assumirá essa função em agosto. Ele substituirá Friend, que permanecerá na Nike até 4 de setembro. A Nike realizará um evento para investidores nos dias 16 e 17 de novembro.

--Com a colaboração de Marc Davies, Kaitlyn Pohly, Tim Loh, Subrat Patnaik e Iain Rogers.

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