Bloomberg Línea — O C6 Bank está expandindo as funcionalidades do seu assistente baseado em inteligência artificial (IA) como parte de uma estratégia mais ampla em tecnologia adotada pelo banco digital, que tem o JP Morgan Chase como sócio.
A meta é aprofundar o relacionamento com clientes e avançar em principalidade – um dos indicadores mais disputados no setor bancário brasileiro.
“Nosso primeiro objetivo é estreitar o relacionamento com o cliente. E quanto mais conversamos e conhecemos nosso cliente, maior é a possibilidade de oferecermos soluções personalizadas”, afirmou Gustavo Torres, head de inovação do banco, em entrevista à Bloomberg Línea.
Como parte do movimento, o banco apresentou na terça-feira (26) uma ferramenta de consulta de gastos integrada ao C6 Assistant que permite ao usuário interagir com o histórico de transações da conta corrente e do cartão de crédito.
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É possível, por exemplo, solicitar à ferramenta levantamentos de gastos com delivery de comida, dos principais boletos pagos ou da quantidade de Pix realizados a um prestador específico. A solução vale tanto para contas pessoa física quanto jurídica.
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A expectativa é que, quanto mais o usuário converse com o assistente, maior seja o banco de informações do C6 sobre seus hábitos, preferências e momentos de vida, o que abre espaço para interações mais assertivas do que as oferecidas tradicionalmente pela área de gestão de relacionamento com clientes (CRM, na sigla em inglês).
“Nosso objetivo é que, a partir desse relacionamento, sejamos capazes de transformar o C6 Assistant em um assistente de fato. Não só o transacional, mas algo que possa gerar automações para resolver problemas mais complexos do dia a dia do cliente”, afirmou o head de inovação.

O banco levou cerca de um ano e meio de desenvolvimento até lançar a nova funcionalidade. Quando o C6 Assistant foi apresentado ao mercado no fim de 2024, a ferramenta oferecia soluções transacionais com IA, como pedido para pagamento de boleto ou Pix via chat, mas ainda não tinha uma ferramenta com uso de IA generativa.
Torres atribui a mudança à evolução da própria tecnologia. À época, ferramentas corporativas de rastreamento de raciocínio dos modelos – os chamados sistemas de tracing – precisaram ser construídas internamente, dada a escassez de soluções prontas no mercado. “As soluções que temos atualmente na prateleira já melhoraram exponencialmente”, disse.
O novo recurso de IA no C6 Assistant inclui ainda uma frente de investimentos em renda fixa. O executivo ressalta que não se trata de recomendação de investimentos, mas de uma camada “educativa e de acesso”.
O cliente pode perguntar, por exemplo, sobre produtos com liquidez diária, entender o que significam termos técnicos e, a partir do chat, acessar diretamente o produto desejado para aplicar recursos.
Torres não descarta que, no futuro, o C6 Assistant possa recomendar investimentos, mas afirma que a tecnologia ainda não está preparada para lidar com a complexidade de alinhar teses de investimento, recomendações macroeconômicas e o momento de vida do cliente.
“[Não vamos fazer] até que chegue o momento em que a IA entregue os valores que são necessários para o banco. Por enquanto vamos resolvendo os problemas que estão mais próximos e contamos com os assessores de investimentos para também conversar com os clientes quando necessário”, afirmou.
O próximo passo do C6 Assistant é avançar em automações contextuais: sugerir débito automático para quem paga a fatura todo mês, propor Pix recorrente para transferências repetidas, ou alertar sobre vencimentos antes que o cliente esqueça. O C6 não abre guidance de quando os novos passos podem ser implementados.
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