Bloomberg — O Banco Bradesco aumentará seu capital em até R$ 10 bilhões (US$ 2 bilhões), com seus principais investidores apoiando a atual transformação digital da instituição financeira.
Os acionistas controladores, incluindo veículos administrados pela família Aguiar, fundadora do banco, os funcionários do banco e uma fundação afiliada, comprometeram-se a contribuir, em conjunto, com até R$ 8 bilhões para o aumento de capital que propuseram, informou o Bradesco em comunicado divulgado nesta quarta-feira.
Os novos recursos contribuirão para a estratégia do diretor-executivo Marcelo Noronha, que assumiu o cargo em novembro de 2023 com o objetivo de eliminar a lacuna tecnológica entre o Bradesco e seus principais concorrentes.
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O segundo maior banco do setor privado do Brasil em ativos pretende competir melhor com uma nova onda de desafiantes do setor de fintech, como a Nu Holdings, que buscam os mesmos clientes com acesso limitado a serviços bancários que o Bradesco há muito tempo tem como alvo.
O Bradesco também precisa se equiparar aos esforços digitais de seu maior rival tradicional, o Itaú Unibanco Holding.
O retorno sobre o patrimônio líquido do Bradesco, um indicador de eficiência, ficou acima de seus custos de capital no final de 2025, um sinal de que a empresa está criando valor. Isso, aliado às expectativas de taxas de juros mais baixas no Brasil ao longo do próximo ano, convenceu os acionistas controladores a injetar mais recursos, afirmou Noronha em um podcast divulgado na quarta-feira.
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“Eles estão confiantes em nosso plano de transformação, e esse aumento de capital trará novos recursos, fortalecendo ainda mais nossa capacidade de executar essa transformação”, afirmou ele.
O capital Tier 1 do banco — o patrimônio líquido principal e as reservas mantidas como rede de segurança em caso de choques repentinos — melhoraria com o novo financiamento, informou o Bradesco. O índice, registrado em 12,7% dos ativos ponderados pelo risco no final de março, aumentaria em 0,9 ponto percentual com a operação, informou o banco.
As ações do Bradesco apresentaram poucas variações neste ano, à medida que os investidores moderam seu entusiasmo com o progresso do banco diante de um cenário mais desafiador para o crédito na maior economia da América Latina.
As ações do concorrente Banco Santander Brasil sofreram na quarta-feira a maior queda em um único dia em mais de seis anos, após os resultados do segundo trimestre terem mostrado um aumento acentuado nos custos de crédito. O Bradesco deve divulgar seus resultados financeiros em 5 de agosto.
As novas ações serão emitidas a R$ 15,43 cada para as ordinárias e a R$ 17,64 cada para as preferenciais — um desconto em relação ao fechamento de quarta-feira de cerca de 4,9% para cada tipo. Os acionistas poderão exercer seus direitos de participação no aumento de capital de 6 de agosto a 4 de setembro. Eles poderão utilizar os recursos provenientes do próximo pagamento de juros sobre o capital próprio do banco, no valor de R$ 6,5 bilhões, para adquirir novas ações, informou o Bradesco.
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